quinta-feira, 1 de maio de 2014
domingo, 27 de abril de 2014
1913: Guilherme 2º proíbe oficiais fardados de dançar tango
No dia 20 de novembro de 1913, após participar de um sarau promovido por uma condessa, o Imperador Guilherme 2º ficou tão chocado com o tango, que proibiu seus oficiais de dançarem o novo ritmo, pelo menos quando estivessem de uniforme.
O tango surgiu nos subúrbios de Buenos Aires
em meados do século 19. Na beira do rio Riachuelo, nos bares, nos cortiços do
bairro sul, nos prostíbulos, estavam os soldados de folga, trabalhadores dos
abates, cocheiros, artesãos, marinheiros e peões, em geral homens sozinhos em
busca de companhia e diversão. Nestes salões, tocavam-se valsas, milongas,
mazurcas, habaneras, polcas e esboços do futuro "tango criollo".
O tango que se dançava já em 1880, composto
por Villoldo ou Mendizabal, entretanto, não era o mesmo "tango
argentino" que se conhece hoje, de astros como Carlos Gardel ou Astor
Piazzolla. A dança em si sofreu algumas mudanças com o passar do tempo, mas
permaneceu a cadência entre os movimentos suaves e bruscos.
Os ricos e que se diziam cultos torciam o
nariz para o que chamavam de "coisa do proletariado ou de prostitutas".
A forma sensual da dança e o fato de ser muito mais espontânea chocava as
elites da época. Principalmente na Europa, onde o tango chegou através de Paris
em 1907.
Alemão levou bandoneon à Argentina
O jornal britânico Times escreveu em 1913 tratar-se de
uma dança extremamente "desajeitada". Preocupados com a propagação
entre a sociedade, as autoridades chegaram a tomar atitudes enérgicas: o Papa
proibiu o tango e o imperador Guilherme 2º da Alemanha não queria que seus
oficiais o dançassem de uniforme. Já uma regulamentação do Balé da Cidade de
Viena proibiu que ele fosse incluído entre as danças executadas pelo seu corpo
de baile.
Uma das grandes características do tango, se
não a principal, é o instrumento em que tradicionalmente é tocado: o bandoneon,
levado para a Argentina por Heinrich Brand, da cidade alemã de Krefeld.
Pouco a pouco, a dança foi conquistando espaço
nos salões. Até a moda adaptou-se, pois as damas precisavam de liberdade de
movimentos. Poiret, por exemplo, criou o "tango look", com vestidos
de ombros de fora, acinturados, decotados, que elas usavam sobre calças justas
até o tornozelo, ou então saias justas de "chiffon", com aberturas
generosas. Nas cabeças, boinas em forma de turbante, com penas.
Até mesmo as madames da alta sociedade
começavam a gozar de mais liberdade. Era a época das revoluções cultural e
industrial na Europa, em que se buscava mais independência e mudanças no
estilo.
Na década de 20, compositores famosos como
Igor Stravinsky, Paul Hindemith e Ernst Krenek acrescentaram o tango às suas
composições e assim abriram espaço para o gênero nas salas de concerto e nas
óperas.
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Autoria (rw)
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Bismarck e o 2º Império
A Revolução Francesa contribuiu para a queda do Sacro Império em 1806. Uma nova unificação política só foi possível em 1871, graças ao progresso econômico registrado a partir de meados do século 19.
O impacto da Revolução Francesa – que em 1789
proclamou Liberté, Egalité, Fraternité na França, eliminando a ordem social
feudal e promovendo a separação de poderes – foi o que faltava para fazer
desmoronar o Sacro Império Romano de Nação Germânica. Os ideais revolucionários
ouvidos na França não chegaram a se alastrar na Alemanha devido à estrutura
federalista do império. Mas as ofensivas militares desencadeadas pela revolução
tiveram amplo efeito sobre a região.
A Prússia e a Áustria resolveram intervir nos
acontecimentos do país vizinho e acabaram provocando uma contraofensiva das
tropas revolucionárias. Atacado pelo exército de Napoleão Bonaparte, que se
considerava herdeiro da Revolução Francesa, o Sacro Império sucumbiu
definitivamente, e a França anexou a margem esquerda do rio Reno.
Essa reorganização territorial deu-se às
custas dos principados menores e dos religiosos. Os estados de porte médio
foram os grandes beneficiados, unindo-se em 1806 na Liga Renana (ou
Confederação do Reno), sob o protetorado francês. No mesmo ano, o imperador
Francisco 2º abdicou da coroa, pondo fim ao Sacro Império Romano de Nação
Germânica. A necessidade de expulsar os invasores franceses acabou dando asas
ao espírito nacional, e um novo movimento nacional culminou nas Guerras de
Libertação.
A Alemanha, contudo, não ficou imune às
grandes transformações sociais vindas da França e acabou instituindo a
sociedade burguesa. Reformas, como a abolição da vassalagem, a liberdade
profissional, a autonomia municipal, a igualdade perante a lei e o serviço
militar obrigatório, foram implementadas inicialmente nos estados da Liga
Renana e mais tarde também na Prússia, dando continuidade à reforma judicial e
outras obras avançadas realizadas no século anterior por Frederico, o Grande
(1740–1786), um legítimo representante do despotismo esclarecido.
A Liga Alemã
Após a derrota de Napoleão, o Congresso de
Viena (1814–1815) estabeleceu uma nova ordem na Europa. Porém, as aspirações de
muitos alemães a um Estado nacional livre e homogêneo não se concretizaram. A
Liga Alemã, que substituiu o antigo império, era uma união de estados soberanos
pouco coesos. O único órgão, a Dieta de Frankfurt, não era um parlamento
eleito, e sim um congresso de delegados. A Liga Alemã só podia agir com o
beneplácito das duas grandes potências Prússia e Áustria. Nas décadas
seguintes, a Liga reprimiu todas as tentativas de unificação e liberdade.
O desenvolvimento econômico incipiente trazia
modernidade, contrariando essas tendências retrógradas. Em 1834, foi fundada a
União Alfandegária Alemã, que implantou um mercado nacional uniforme. Em 1835, foi
inaugurada a primeira estrada de ferro. Começava a industrialização. Com as
fábricas, formou-se uma nova classe operária fabril. No entanto, o forte
crescimento demográfico levou a um excedente de mão de obra. Como não havia
legislação previdenciária ou trabalhista, a massa dos operários vivia na
miséria.
A Revolução de
1848
A revolução de fevereiro de 1848 na França
teve eco imediato na Alemanha, ao contrário do que acontecera com a Revolução
Francesa. Em março, insurreições populares em todos os estados da federação
obrigaram os amedrontados príncipes a fazerem grandes concessões. Em maio,
reuniu-se a Assembleia Nacional em Frankfurt. O arquiduque austríaco João foi
eleito regente do império.
O centro liberal, que visava a uma monarquia
constitucional com direito eleitoral limitado, era a força dominante na
Assembleia. Contudo, a excessiva fragmentação partidária dificultava o trabalho
legislativo. A classe política estava dividida entre a chamada "grande
solução" e a "pequena solução", ou seja, um império alemão com
ou sem a Áustria.
Afinal, foi aprovada uma Constituição democrática,
na qual se tentava conjugar o velho com o novo. Ela previa que o governo
prestasse contas ao Parlamento. Como a Áustria insistisse em incorporar ao
futuro império todo o seu território, composto de mais de uma dúzia de povos,
venceu a tese da pequena solução.
A Assembleia Nacional ofereceu ao rei da
Prússia, Frederico Guilherme 4º, a coroa hereditária do Império Alemão. Mas o
soberano não aceitou a dignidade de imperador concedida por uma revolução. Em
maio, fracassaram os levantes populares que pretendiam impor a Constituição
"de baixo para cima". Selada a derrota da revolução alemã, a maioria
das conquistas foram anuladas e em 1850 foi restabelecida a Liga Alemã.
A ascensão de
Bismarck
O grande progresso econômico registrado em
meados do século 19 trabalhou a favor da unificação, tornando a Alemanha um
país industrial, com destaque para a indústria pesada e a construção de
máquinas. Na vanguarda desse desenvolvimento estava a Prússia.
A riqueza econômica, por sua vez, fortalecia a
consciência política da burguesia liberal. O Partido Progressista Alemão,
fundado em 1861, tornou-se a principal força no Parlamento da Prússia,
opondo-se muitas vezes ao governo.
Empossado em 1862 como chanceler, Otto von
Bismarck aceitou o desafio de governar contra o Parlamento e sem um orçamento
por ele aprovado. Para impor a cobrança de novas taxas, e assim financiar a
reforma militar que pretendia fazer, recorreu a medidas repressivas, como a
censura da imprensa e a restrição ao direito de reunião.
Os êxitos na política exterior compensaram a
fraca posição de Bismarck na política nacional. Ao vencer a guerra contra a
Dinamarca (1864), a Alemanha obteve os territórios de Schleswig e Holstein, no
norte, passando a administrá-los conjuntamente com a Áustria. O objetivo de
Bismarck, contudo, era anexar os dois ducados.
O conflito acabou levando a uma guerra contra
a Áustria, que saiu derrotada (1866). A Liga Alemã foi dissolvida e substituída
pela Liga Setentrional Alemã, que reunia todos os estados germânicos ao norte
do rio Meno, tendo Otto von Bismarck como chanceler (primeiro-ministro).
O 2º Império
Completando a unificação da Alemanha no
sentido da "pequena solução", Bismarck conquistou a Alsácia e a
Lorena, numa guerra contra a França (1870–1871) deflagrada por um conflito
diplomático. Imbuídos de patriotismo, os estados do sul da Alemanha uniram-se à
Liga Setentrional Alemã, constituindo o 2º Império Alemão ou Reich. Em
Versalhes, o rei Guilherme 1º da Prússia foi proclamado imperador da Alemanha,
no dia 18 de janeiro de 1871.
A unidade alemã, portanto, não resultou da
vontade do povo, "de baixo para cima", mas de um pacto entre os
príncipes, isto é, "de cima para baixo" e com a supremacia esmagadora
da Prússia. O Parlamento do Império, o Reichstag, era eleito por sufrágio
igualitário e tinha apenas uma influência indireta no governo. O chanceler do
Império, embora só devesse prestar contas ao imperador, era obrigado a procurar
apoio para a sua política no Parlamento.
Não eram uniformes as leis eleitorais
relativas às representações populares dos diferentes estados no Reichstag. Em
11 estados, existia o sistema eleitoral por classes, dependente dos impostos
pagos pelo eleitor e, em outros quatro, mantinha-se a representação por
corporações. Com maior tradição parlamentar, os estados do sul da Alemanha
reformaram seu direito eleitoral, adaptando sua legislação eleitoral à do
Império.
Bismarck governou o Império por 19 anos,
fortalecendo sua posição na nova constelação de forças na Europa através de uma
política de paz e de alianças. Sua política nacional, porém, estava distante
dessa sabedoria. Bismarck combateu tendências democráticas por considerá-las
inimigas do Império.
Lutou contra a ala esquerda da burguesia
liberal, contra os políticos católicos e, principalmente, contra o movimento
operário organizado, que reprimiu durante 12 anos. Bismarck, de certa forma,
terminou sendo vítima do seu próprio sistema. A política personalista do jovem
imperador Guilherme 2º forçou-o à demissão em 1890.
DW.DE
1974: Revolução dos Cravos em Portugal
Pouco após a meia-noite de 25 de abril de 1974 começou a soar na emissora católica de Lisboa a música até então proibida "Grândola, Vila Morena". Era o sinal combinado para o início do levante militar em Portugal.
Antes da revolução, era rara em Portugal a
família que não tivesse alguém combatendo nas guerras das colônias na África, o
serviço militar durava quatro anos, opiniões contra o regime e contra a guerra
eram severamente reprimidas pela censura e pela polícia.
Antes de abril de 1974, os partidos e
movimentos políticos estavam proibidos, as prisões políticas estavam cheias, os
líderes oposicionistas estavam exilados, os sindicatos eram fortemente
controlados, a greve era proibida, as demissões fáceis e a vida cultural
estritamente vigiada.
A liberdade em Portugal começou com a
transmissão, pelo rádio, de uma música até então proibida. Os cravos enfiados
pela população nas espingardas dos soldados acabaram virando o símbolo da
revolução, que encerrou, ao mesmo tempo, 48 anos de ditadura fascista e 13 anos
de guerra nas colônias africanas.
Em apenas algumas horas, as Forças Armadas
ocuparam locais estratégicos em todo o país. Ao clarear, multidões já cercavam
as emissoras de rádio à espera de notícias. A operação, calculada
minuciosamente, havia pego o regime de surpresa. Acuado pelo povo e pelos
militares, o sucessor de Salazar, Marcelo Caetano, transmitiu sua renúncia por
telefone ao líder dos golpistas, general António de Spínola.
Transportado de tanque ao aeroporto de Lisboa,
Caetano embarcou para o exílio no Brasil. Em quase 18 horas, havia sido
derrubada a mais antiga ditadura fascista no mundo.
Não houve acerto de contas
Artistas, políticos e desertores começaram a
retornar do exílio. As colônias receberam a independência. A caça às bruxas aos
responsáveis pela ditadura acabou não acontecendo, e as dívidas do governo
anterior foram todas pagas. Os únicos a oferecer resistência foram os agentes
da polícia política. Três pessoas morreram no conflito pela tomada de seu
quartel-general.
Ao voltar do exílio em Paris, Mário Soares, o
dissidente mais popular do governo Salazar, foi recebido por milhares de
pessoas na estação ferroviária de Lisboa. Cravos vermelhos foram jogados de
helicóptero sobre a cidade e só se ouvia a famosa canção Grândola, vila morena, que já
havia se tornado o hino da revolução.
Em 1974, Portugal era um país atrasado,
isolado na comunidade internacional, embora fizesse parte da ONU e da Otan. Era
o último país europeu a manter colônias e vinha travando uma longa guerra
contra a independência de Angola, Moçambique e Guiné. O regime de Salazar,
iniciado em 1926, havia conseguido manter-se através da repressão e fora
tolerado pelos países vencedores da Segunda Guerra Mundial.
Golpe militar vira festa revolucionária
Em 1º de maio, a esquerda, fortemente
engajada, mostrou sua força em Lisboa, enquanto trabalhadores rurais do
Alentejo expulsavam latifundiários e banqueiros eram desapropriados.
A esquerda europeia viu em Lisboa um palco
ideal para os movimentos frustrados de 68. A pacata e católica população
portuguesa, por seu lado, sentiu-se ignorada e, a partir do norte conservador,
iniciou um movimento contra os extremistas.
Em 1975, aconteceu a dupla tentativa de golpe,
da esquerda e da direita, contra o governo socialista, levando Portugal à beira
da guerra civil. A ala militar extremista de esquerda obteve o domínio da
situação em novembro de 1975. Após as eleições do ano seguinte, o general
António Ramalho Eanes foi eleito presidente.
O Partido Socialista, com Mário Soares,
assumiu um governo minoritário. A crise econômica o levou à renúncia em 1978.
Entre 1979 e 1980, o país teve cinco primeiros-ministros. Em 1985, o governo
foi assumido por Aníbal Cavaco Silva e Mário Soares tornou-se presidente no ano
seguinte. Em 1986, Portugal ingressou na então Comunidade Econômica Europeia, hoje
União Europeia.
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Autoria Barbara Fischer (rw)
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1904: Começa a revolta dos hereros
Em 2 de janeiro de 1904 estourou uma
revolta do povo banto dos hereros contra os colonizadores alemães na então
África do Sudoeste, atual Namíbia. A resposta alemã foi o genocídio.
A revolta surpreendeu os alemães na
África do Sudoeste. Durante 20 anos, eles tinham expandido o seu domínio na
atual Namíbia usando a tática de alimentar as rivalidades entre os povos
inimigos dos nama e herero. Mas, desta vez, eles próprios foram as vítimas. Os
revoltosos, liderados pelo cacique Samuel Maharero, matavam todo alemão que
pudesse portar uma arma.
Os hereros viviam basicamente da
pecuária. Passo a passo, o orgulhoso povo de pastores perdeu seus campos para
os colonizadores alemães. Às vezes, na base de negociações, mas freqüentemente
também por meio de falcatruas e violência.
Resistência à dominação
A situação chegou a um ponto em que o
cacique dos hereros, Samuel Maharero, conclamou seu povo e outras tribos a
resistirem à dominação alemã.
Numa carta ao líder nama Hendrik
Witbooi, ele escreveu: "Toda a nossa subserviência e paciência em relação
aos alemães não nos trouxe vantagens. Por isso, faço um apelo, meu irmão, para
que participes da nossa revolta, de modo a toda a África levantar suas armas
contra os alemães."
Reação violenta
Porém, esse sonho de Maharero não se
tornou realidade. Os nama ficaram na expectativa, enquanto o Império Alemão
reagiu com extrema brutalidade. O imperador Guilherme 2º mandou tropas
comandadas pelo general Lothar von Trotha à África do Sudoeste.
Em carta ao governador da colônia,
Theodor von Leutwein, ele anunciou uma violenta repressão: "Conheço muitas
tribos africanas… Terror, violência brutal. Essa é a minha política",
escreveu.
A 11 de agosto, von Trotha cercou os
hereros na decisiva batalha de Waterberg, cerca de 400 quilômetros ao norte de
Windhoek. O general alemão organizou suas tropas de forma a que os hereros só
podiam romper o cerco num determinado ponto, para fugir rumo ao deserto de
Omaheke. Ainda assim foram perseguidos pelos alemães, segundo relatou o comando
do exército imperial.
"Ordem de extermínio"
Somente alguns poucos fugitivos
conseguiram escapar para o território britânico de Betshuana. Outros tentaram
romper a barreira militar alemã e voltar aos seus povoados de origem. Mas von
Trotha foi implacável. A 2 de outubro de 1904, baixou uma proclamação que entraria
para a história como uma "ordem de extermínio".
Esse ato de barbárie foi demais até
para o governo alemão em Berlim. O chanceler imperial Bernhard von Bülow
interveio junto ao imperador, argumentando que os hereros eram mão-de-obra
indispensável para as fazendas e minas da África do Sudoeste e, por isso,
deveriam ser poupados. Guilherme 2º ainda hesitou quase duas semanas até
revogar a ordem de extermínio e exigir que von Trotha aceitasse a capitulação
dos hereros.
Para a maioria dos rebeldes, porém,
essa decisão veio tarde demais. Apenas cerca 15 mil de um total de 80 mil
hereros escaparam do genocídio. O domínio alemão ainda persistiu por mais uma
década.
Sob os auspícios sul-africanos
Em 1915, durante a Primeira Guerra
Mundial, a atual Namíbia foi ocupada pela África do Sul, na época colônia
britânica. Em 1920, a Liga das Nações deu à África do Sul um mandato para
administrar o território, situação que perdurou até o final da década de 80.
A luta pela libertação eclodiu em 1966, com o
início das guerrilhas praticadas pela Organização dos Povos do Sudoeste da
África (Swapo), de linha marxista. A Namíbia, no entanto, só se tornaria um
país independente em 21 de março de 1990.
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Autoria Carsten von Nahmen (gh)
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Penso que existem diferentes violências oriundas de diversos
lugares na sociedade, mas me parece que todas elas se unificam a partir de um
lugar: o Estado brasileiro. Seja pela presença seja pela ausência, o Estado
brasileiro é fonte/incentivo à violência. Quando ausente, cria uma estrutura de
oportunidades para que a barbárie entranhada na sociedade brasileira se
manifeste, como no caso do garoto amarrado ao poste; quando se faz presente,
humilha a população pela ineficiência ou pela repressão. Na minha opinião, o
problema da reforma do Estado brasileiro, para além da bobagem do Estado mínimo
ou da antinomia infrutífera entre empresas estatais ou privadas, é o tema
ausente mais importante da agenda política no Brasil. Reforma no sentido de,
por um lado, recapacitá-lo a ser coordenador de ação coletiva e implementador
de um projeto de longo prazo que transcenda o curto prazo das eleições e, por
outro, no sentido de republicanizá-lo, de colocá-lo a serviço da população e
não contra ela. Mas para isso, seria preciso um pacto entre lideranças
políticas e forças socioeconômicas em nome de um projeto de longo prazo. Quem
seria capaz de encaminhar isso?
Renato Perissinotto
Não é por falta de leis que criminosos ficam impunes no
Brasil. Qualquer estudante de primeiro ano de Direito sabe apontar exatamente
em quais leis, artigos, parágrafos e alíneas enquadrar, por exemplo, o
assassino do cinegrafista Santiago Andrade ou os mascarados que incendiaram um
fusca em São Paulo. Como sabe, igualmente, dizer os delitos dos policiais que
torturaram, mataram e desapareceram com Amarildo, dos políticos que traficam
drogas ou dos juízes que passeiam pela Europa custeados pelo dinheiro público.
Defender uma lei “antiterrorista” nada mais é do que fazer
média com aqueles que sempre pedem mais repressão, abrir as portas para uma
intensificação da violência policial e alimentar a suspeição sobre qualquer
legítima manifestação popular. É lamentável o esforço que alguns dos nossos
fazem para ficar parecidos com aqueles que sempre combateram.
Roberto Elias Salomão
domingo, 26 de janeiro de 2014
'' As equações não explodem'' disse o Herr Einstein; e eu acredito que
as economias também, se fossem menos financistas, e sim mais equacionadas, as
equações são lindas! não precisam de fissões! além das que podemos conhecer nos
papéis; as economias não explodem, quando mais ensolaradas e mais ventadas.
ts
essas atuais barcas modernosas que fazem a travessia rio-niterói se vê
tudo, menos o mar. o rio de janeiro virou uma puta de gringo para os gozos globais
dos bancos, do cesar maLa, cabralóide, e uns e outros que ja deviam ter nascido
mortos, uns tais roberto marinho, brizola e oscar niemayer, e pior que essas
porras nefastas viveram mais do que deus. isto aqui é uma tristeza para
qualquer um que sente e pensa com devida profundidade,
black blocs, rogai por nós.
Tulio Stef Sartini
sábado, 11 de janeiro de 2014
Distanciamento ,objetividade e reflexão na rede de relacionamento
"Para um homem de bem, a indiferença pode ser uma religião". Tchekhov.
Renato Perissinotto é tanta gente apaixonada pelas próprias
ideias aqui que fica difícil dialogar. Um pouco de indiferença e frieza
ajudaria a ouvir o interlocutor; a ver as ideias do outros como elas realmente
são. Na introdução de Rubens Figueiredo a "O assassinato e outras
histórias", do Tchekhov, ele diz: "Tchekhov faz da indiferença um
método crítico, uma estratégia literária para nos pôr em contato com as coisas
tais como são".
Adriano Codato O Moravia tem um livro chamado Os
indiferentes, que li no século passado. Fiquei com vontade de ver se é a mesma
ideia.
André Duarte Tem também o Desprezo...
Maria Carolina Schaedler com "as coisas tais como
são..."?
Renato Perissinotto até onde isso for possível, Maria
Carolina Schaedler. O importante não é tanto o resultado final, mas a
disposição inicial.
Maria Carolina Schaedler uma disposição para o contato com a
diferença...
Renato Perissinotto sim e disposição também para duvidar de
si mesmo.
Maria Carolina Schaedler duvidar de si mesmo pode ser
inscrever a diferença em si mesmo
Marcos Lanna Contato cauteloso com a indiferença , Maria
Carolina , etnocentrismo e egocentrismo controlado. Pois por mais que o
egocentrismo irrite, Renato , especialmente nesse antro q é o fcb, ele é
Inescapavel, Freud mesmo explica. Agora, a realidade do Tchecov difere tanto da
nossa ! Lá o drama é mais interno , aqui somos mais preservados, espectadores
de corpos dissecados e etc
Fernando Baptista Leite o "véio" Bourda fala em
"manter-se sempre um pouco ingênuo" em qualquer assunto, como forma
de garantir objetividade. Tipo um outsider curioso, que não toma nada por dado.
É difícil, mas é libertador cultivar, na prática, esse negócio.
Classe Média,lumpemproletariado e lumpenburguesia
Claudio Daniel.....A classe média (ou, no jargão marxista, pequena burguesia) é
o grupo social intermediário, situado entre a classe operária, que produz a
riqueza, e a burguesia, que é a proprietária dos meios de produção. Pertencem à
classe média os advogados, médicos, professores, jornalistas, gerentes,
escritores, artistas e outros profissionais que não estão ligados diretamente à
produção ou à administração da riqueza. Historicamente, sempre que há uma
situação de crise revolucionária, parte da pequena burguesia se alia aos
trabalhadores e assume a ideologia socialista e outra parte (majoritária) se
alia aos patrões e assume a ideologia fascista.Claro: nascer na classe média não faz ninguém
ser bom ou ruim, e sim as suas escolhas políticas e ideológicas. Karl Marx era
pequeno burguês, Engels, filho de empresário, Lênin pertencia a um ramo da
pequena nobreza arruinada, Fidel Castro era de família rica, Che Guevara
pertenceu à classe média... mas todos eles foram revolucionários socialistas
porque escolheram o lado da classe operária.
Carlos Laet de Souza... A classe média também pode ser definida
como a classe auxiliar de Gramsci, sem a qual, a burguesia perderia os seus
gerentes. São a noblesse de robe - a pequena nobreza que estruturava a
burocracia da fase de acumulação de capital. E justamente por serem instruídos,
têm mais facilidade para optar pela esquerda ou direita. Me parece que, pessoas
individualistas que se fixam em construir suas vidas completamente alheias ao
que acontece com seus semelhantes tendem a caminhar para a direita. Os mais
idealistas, que se sentem parte de um destino comum de toda a humanidade e que
não se satisfazem em enriquecer em meio a miséria de muitos, tendem para a
esquerda. Vamos ver eu eu posso ajudar[sobre lumpemburguesia]. O
pensamento de Marx dizia que a humanidade só se propunha a resolver os
problemas que lhe eram postos, não que pudesse resolver todos. Tal ideia tem a
ver com o prefácio da Introdução à Economia Política, quando dizia: uma
formação social não desaparece antes de realizar toda a sua potencialidade e um
novo modo de produção não surge antes que estejam presentes todas as condições
materiais para a sua existência. Escrevi de memória e, portanto, as palavras
guardam este conteúdo mas não são exatas nem na tradução para o português.Quanto ao lumpen proletariat, ele é
constituído de segmentos da classe dominada que se desviaram. São criminosos e
toda a sorte de gente que, por causa das condições sociais e econômicas em que
vivem tornam-se marginais. Marx advertia que o lumpen não era revolucionário.
Eles são inconscientes politicamente. Trata-se do que Robert Merton
classificou, já no século XX, como o inovadores, ou seja, pessoas que comungam
dos valores sociais mas não das formas institucionais para obtê-los. Amam a
propriedade mas não a procuram pelos meios legais, mas pelo crime. Claramente,
não são revolucionários. Este fenômeno, Merton denominava rebelião. Os rebeldes
eram os que não concordavam com a ordem estabelecida e a queriam superar por
meios não institucionais. Estes são revolucionários. Classes perigosas era
forma como os conservadores do início do século XX e século XIX denominavam a
classe trabalhadora como um todo, pois entendiam que seriam propensos ao crime.
Possivelmente, Marx ou Engels usaram este conceito de uma forma evidentemente
distinta.O que há de mais fantástico em Marx e Engels é que foram os cientistas
sociais - em sentido amplo - que mais inovaram. Eles tinham um raciocínio
profundo e que ultrapassava tudo que se pensava na época. Ninguém inovou tanto.
A ideia da economia como motor da história foi revolucionária e mudou a
concepção da história. No fundo, a escola dos Annales não fez mais do que
substituir a concepção idealista pela economicista. Mas o que eu acho mais
fantástico nos dois era a forma como eles pensavam mais de um século a frente.
Sobre isto, peço licença para contar minha experiência pessoal. Quando eu
estudava direito no Rio, li o Manifesto Comunista de 1848. Na época não
concordei com o ponto de vista de acerca dos costumes sexuais, tais como
virgindade etc. Na verdade, eu era um machista ignorante que ainda espelhava a
concepção preconceituosa dos anos 70. Hoje eu penso como Marx e Engels, os
primeiros feministas da história, puderam, em meados do século XIX, estarem tão
mais avançados do que eu na década de 70 do século XX. E hoje, todos sabemos
que eles estavam certos. A ideia de que a primeira propriedade privada foi a
esposa é simplesmente genial e ultrapassa tudo que se pode esperar das mentes
mais talentosas. Os dois estão séculos a nossa frente.
As lagostas por Roseana
Emerson Urizzi Cervi
Quero discordar de meus amigos que estão
relacionando a compra de lagostas por Roseana Sarney com o contínuo massacre
anunciado nos presídios do Maranhão. Como se diz lá no norte do Paraná, não há
nenhuma relação entre as duas coisas. Nem mesmo no que diz respeito à ausência
de bom senso da equipe de governo da Roseana. Isso acontece em todos os
governos estaduais, sem exceção. E não é em todos os Estados que facções
criminosas transformaram presídios em "terra sem lei". Acho que a melhor
comparação seria entre a compra de lagostas por Roseana e o pedido de Michele
Obama para que os convidados cheguem às recepções alimentados. Ou seja, no
Brasil os "habitués" esperam receber do Estado um tratamento classe
A, incluindo "comes e bebes" de primeira pagos com dinheiro público.
Enquanto a primeira dama norte-americana passa o recado: "quer comer bem,
pague com o seu dinheiro". Essa é a comparação que deveria ser feita, pois
os "habitués" das recepções palacianas não são os mesmos que
superpovoam os presídios. Nem aqui, nem lá. O dia que os frequentadores de
palácios brasileiros pararem que esperar tudo do Estado, inclusive lagostas,
avançaremos. Só nesse dia...
Renato Perissinotto A compra da lagosta naquelas
circunstâncias não é causa imediata de nada, mas é sim a desfaçatez das
autoridades brasileiras elevada ao paroxismo. Nesse sentido, é causa distante
(talvez nem tão distante assim) de várias outras coisas.
Emerson Urizzi Cervi sim Renato Perissinotto, é causa
distante de uma série de coisas, mas muito distante de relacionar um sistema
penitenciário em crise crônica com um item de uma lista de produtos para
compra/licitação. Com certeza está mais próximo da desfaçatez como as pessoas
que têm acesso aos palácios tratam o dinheiro público do que da desfaçatez de
como as autoridades tratam o sistema prisional.
Renato Perissinotto acho que são coisas inseparáveis: no
Brasil, a percepção de que o Estado deve atender apenas a alguns é irmã da
percepção de que preso é lixo.
Emerson Urizzi Cervi . Renato Perissinotto, concordamos
nesse ponto. Acho que nossa discordância está no foco. Parece que você
responsabiliza os gestores diretos do Estado pelas decisões, enquanto eu coloco
na conta da sociedade que cobra determinado tipo de tratamento - com dinheiro
público, sempre - para uns, diferente do tratamento dado a outros.
Renato Perissinotto então não discordamos em nada, pois é
evidente que tanto a percepção de que alguns merecem tratamento especial pelo
Estado como a percepção de que preso é lixo são amplamente partilhadas por
grande parte da sociedade. Eu só quis chamar a atenção aqui para o fato de que,
neste caso, uma lagosta e bem mais do que uma lagosta e que a desfaçatez da
governadora do Maranhão está umbilicalmente ligada à sua política
penitenciária. São duas visões de mundo inseparáveis.Por fim, um último comentário: é verdade
que não é em todos os Estados que as facções criminosas transformam presídios
em terra sem lei (será?), mas é verdade que em todos os Estados as condições
carcerárias são medievais.
Bruno Fernandes Meus caros professores Emerson e Renato,
concordo com tudo que disseram e tenho apenas uma questão: uma licitação destas
em um momento como este não é uma grande falta de sensibilidade política? Acho
que isto mostra a que o clã Sarney não precisa dar satisfações ao povo.
Emerson Urizzi Cervi Ruthinha Figueiredo acho que o problema
nem é com os que se elegem, afinal, eles disputaram e ganharam uma eleição. O
problema é com os habitués que nem isso fazem. Bruno Fernandes a sensibilidade
política é inversamente proporcional ao tempo de carreira política pelos
motivos expostos acima. E, hoje, surge nova informação: aquela penitenciária
foi concessionada e é administrada por empresa privada. Ou seja, o governo
também pode reclamar legalmente dos serviços prestados
Julian Yared Mas mestre, não poderia olhar de alguma maneira
que o dinheiro gasto em coquetéis poderia ser investido na educação? Então vem
o paradoxo que educação vem de casa. Mas os indivíduos que se desviam da sociedade
geram um filho, este filho está fadado ao mesmo "resultado" dos pais?
Pois a educação vem de casa.
Emerson Urizzi Cervi Então Julian Yared você está falando de
um paradoxo maior ainda. Se educação vem de casa, mais investimento em educação
formal/escolas teria efeito baixo ou nulo na mudança de comportamento. O fato é
que as coisas não são tão simples assim. Não podemos aceitar que todo mundo
considere normal determinados "mimos" feitos pelo Poder Público a
determinadas camadas da sociedade brasileira. Há quem, inclusive, critique
isso. Mas, infelizmente, apenas a crítica não basta. Se bastasse, nossos presídios
não seriam as masmorras que são, pois há muita crítica interna e externa ao
sistema penitenciário brasileiro.
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
as jornadas de junho
Sérgio Braga
Mind the gap: a jovem classe média progressista
clama por mais Estado e por um Welfare State. A classe média conservadora
demanda um "governo ético e republicado". O PT não atende a ambas as
demandas na intensidade desejada e desse imbroglio aí pode surgir algo novo que
não seja uma mera candidatura personalista agitando ambas as bandeiras. Mas
acho que o governo Dilma retoma a iniciativa até as eleições e o PT continue a
ser o maior partido no congresso e até aumente sua bancada embora, para
desespero das forças conservadoras, com um certo crescimento das legendas mais
à esquerda. Entendida desse jeito aí a tese da "crise de
representatividade" faz até algum sentido.
Discussões anarquistas
Tullio Sartini - não sou sectário, não uso par de antolhos;
e o pensamento liberal da escola austríaca [o qual tenho minhas críticas] está
(todavia) mais próximo do anarquismo do que o socialismo marxista.
William Chinelato Quando você fala em escola austríaca, a
referência é Mises? Se for, discordo. Historicamente anarquismo e socialismo
marxista estão mais próximos.
William Chinelato Só para enriquecer esta discussão e
corroborar:
http://www.marxists.org/portugues/guerin/1973/11/06.htm
Anarquismo e Marxismo
www.marxists.org
Primeira Edição: Segundo uma fala feita em Nova Iorque em 6
de novembro de 1973....
William Chinelato Aliás, a tal escola austríaca que vem recebendo
bastante atenção nos últimos tempos e em especial da direita raivosa, por
tabela espaço na mídia, é bastante duvidosa para fazer criticas, ainda que o
seu alvo primeiro seja o socialismo marxista, isso não significa que ela casa
idéias com os pensamentos anarquistas clássicos de Bakunin ou Proudhon, aliás
este ultimo fazia feroz ataque ao capital, visto como uma forma de dominação.
Não é possível compactuar com este pensamento contraditório da escola austríaca
usado hoje pelo IMB defendendo idéias de livre associação empresarial, mas
criticando a associação dos trabalhadores (liberdade seletiva?). Impossível
acreditar que a escola austríaca tenha alguma similaridade com o anarquismo
clássico, quando defende com unhas e dentes o Capitalismo. O Anarquismo
clássico fez criticas pertinentes ao socialismo marxista, mas não deixou de
reconhecer os objetivos em comum. Já a duvidosa escola austríaca ao atacar o
socialismo e defender o capitalismo, por tabela se distancia de princípios
anarquistas clássicos. Contradição e apropriação indevida e conceitos
libertários duvidosos.
Caio Bruno O que vejo é que as pessoas acima não entendem
muito de ciência política, e muito menos de teorica econômica que formou as
concepções teóricas dos citados autores. De qualquer jeito, como meu amigo é o
Tullio, não cabe a mim, extender o assunto. Ele de fato tem razão no diz
respeito a escola austríaca, discordo inclusive de algumas críticas que ele
faz, tendo podido conversar sobre elas pessoalmente com ele. Em todo caso há
coerencia nesta relação anarquismo proudinoniano e liberalismo, quando o
próprio Von Mises e Hayek não querem o estado como meio regulador através de
impostps e da fiscalização produtora e entendem por meios desburocratizados, a
livre associação; diferem no anarquismo clássico sindicalista por uma concepção
de dinâmica competitiva e autonomia absoluta da relação da produção e
produtores. E mais a mamis, conforme o meu amigo Tullio diz...'' marxistas e
antinortemaricanos, nem deveriam usar o facebook, pois esta rede somente foi
possível através do contexto liberal capitalista'' que ele mesmo crítica, mas
não condena, havendo clara diferença entre a crítica de um ideário e a
condenação de um meio ou ideário que forma este meio.
Caio Bruno se vocês falam inglês, seria interessante ouvir
esta entrevista.....http://www.youtube.com/watch?v=km0-La2gGt4
Bork and
Hayek on so-called "Intellectuals"
www.youtube.com
A
conversation between distinguished legal scholar Robert Bork and Nobel Prize
w...Ver mais
Ontem às 00:18 · Curtir
Tullio Sartini - Quanto a Proudhon , de quem modéstia às favas
conheço bem o pensamento, ele era contra o capital por meio de propriedade
improdutiva, todavia não ao direito de posse, e se leram a teoria proudhoniana
sabem q ele discorre sua teoria a parir de um visão de desenvolvimento
mutualista, - paulatinamente ele substitui a semântica ''anarquia'' por
mutualismo, e é nisto que escola austríaca pode ter afinidade com o anarquismo
social. Bakunin merece outro comentário, até porque o contexto dele é outro, e
se desenvolverá por meios revolucionários. Enfim, eu disse:q não sou sectário,
já citei aqui autores marxistas e neomarxistas , e sou profundamente
antimarxista, e nem tão pouco aceito as concepções capitalistas de Von Mises,
embora ele tenha uma máxima genial : "Não há nada de errado em dizer às
pessoas que tributação é roubo, que regulamentação é transgressão, que leis
antidrogas são agressão, que políticos são criminosos, e que o estado é uma
monstruosa agência criminosa.", conquanto ele vai extender sua teoria de
livre mercado pela competitividade, e se afasta do ideário anárquico da
solidariedade;tornando uma contradição ao princípio básico do mutualismo q é a solidariedade;
ele mesmo reconhece isso, colocando óbvias distinções entre liberalismo e o
libertarismo proudhoniano. Friedrich Von Hayek já é uma outra conversa, pois
ele é mais um economista, do que um teórico político; as idéias de Von Hayek
apresentam sim concórdias com as teses de economia autônoma e autogestiva dos
anarquistas, ele mesmo reconhece isso, aliás é clássica a polêmica dele tantos
com os trabalhistas como o keynesianismo. Sim o anarquismo e o marxismo se
encontram históricament primeiramente na comuna de Paris e daí sempre se
desencontrarão, já Proudhon preconiza esse desencontro em o ''Sistema das
Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria''; a famigerada revolução
russa, será a esperança e a decepção de Kropotkin; e na revolução catalã terão
um grande encontro, e várias dissensões,. Os anarquistas sempre chutaram os
baldes e na idade moderna abriram caminhos para os grandes movimentos de
massa,tendo sido muitas vezes (senão sempre) usados perfidamente pelos
comunistas. Os autênticos anarquistas , jamais se renderam e se renderão ao
estatismo e o autoritarismo que dele advem; daí é mais óbvio um processo que
crie condições ao advento Acrata através do liberalismo do que através do
socialismo de estado. Um anarquista é antes de tudo alguém que busca a
autonomia em todos os sentidos ( inclusive a intelectual) nega a submissão
verticalizadora, e socialmente é alguém que luta pela solidariedade e o
desmantelamento da máquina estatal, a qual podemos também chamar de governo.
Pessoalmente, eu, Tullio Sartini, gosto de acreditar na possibilidade de um
processo no qual a dialética é o meio mais patente (a dialética racional e não
uma pseudodialética maniqueista) por isso transito em difentes ideários e
idéías, preferindo idéias do que ideologias, contudo, mantendo a minha postura,
contra o Estado, contra o latifúndio, em suma contra a hierarquização
centralizadora e institucionalizante do poder e seus monopólios, usados através
do meios tributários e militares. são essas as minhas premissas, o resto pra
mim é hermenêutica.
Tullio Sartini - sim, Caio eu afirmo o que disse algumas vezes:
marxistas e anti-estadunidenses não deveriam usar este bagulho, há uma diferença
entre criticar e condenar, critico o modelo estadunidense, como critico
(também) todos os paradigmas convencionalizaram a sociedade pós- industrial e a
pós-modernidade, e porquanto não acredito em modelos fixos, .enfim to nem aí!
sou do partido tô cagando e andando. ademais, no fundo no fundo, não sei se a
espécie humana é digna de tanta preocupação, é muita complexa sim, contem
variáveis e variantes infindas! muitas vezes sórdidas.
Tullio Sartini -por fim, lhes digo, acho q alguem muito
citado pelos marxistas, cujo o nome é Foucault, estaria de acordo comigo. em
relação a Von Hayek...http://gambiarre.files.wordpress.com/.../foucault...
William Chinelato Também não pretendo estender esta
discussão pois quando contamina-se uma discussão com a análise de
interlocutores sem conhece-los e não de argumentos, corre-se riscos
desnecessários. É uma linha tênue (para não fugir da razão) fazer criticas a um
governo belicista e imperialista e que apesar do discurso "liberal",
na prática faz opressão defendendo três pilares que anarquistas condenavam no
século XIX: Capital, Estado e Igreja. A extensão disso (presente), para um
sentimento anti-EUA generalizado infelizmente existe, mas ai já estamos
entrando em fundamentalismos que não cabem aqui. O que se faz muitas vezes são
criticas pontuais, afinal não existe exatidão nesse tipo de ciência (humanas),
mas é possível recorrer a História para ver como ela acaba se repetindo. A
unica coisa que discordo frontalmente é esta questão da utilização do meio
"feicibuque"e outras tecnologias por marxistas, dando crédito a
Chomsky:
Marcadores:
Bruno & Chinelato,
Sartini
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Pedágio do Paraná
Hoje temos novo aumento nas tarifas de pedágio do Paraná. É
o aumento anual, previsto em contrato, que estabelece uma média entre quatro
índices de inflação e o governo do Estado chama de reposição de custos. Ok! O
cálculo é pela inflação. Tudo bem, mas tem uma coisa que não consigo entender:
como podem aplicar a média de índices "cheios" de inflação para
quando a origem de receita está em permanente ampliação? Deveria existir um
deflator para o índice médio equivalente à proporção de aumento do tráfego no
período. E, em anos com menor tráfego, o aumento deveria ficar acima da
inflação, por óbvio. Mas não, aplicam a média da inflação anual e pronto. Com
isso, as concessionárias têm ganhos reais todos os anos, ainda que apliquem
apenas a inflação. Por exemplo: imagine que no primeiro ano de concessão foi
registrada a média de 100 veículos por hora nas rodovias. Ao final desse ano
aplicou-se a inflação do período como índice de reajuste. Ok! No ano seguinte
foi registrada uma média de 110 veículos por hora e a inflação do período foi
de 5%. Se aplicarmos todos os 5%, estaremos desconsiderando que houve 10% a
mais de veículos que pagaram pedágio naquele ano, o que resultaria em dupla
reposição - a da inflação e o do aumento do número de pagamentos nas praças de
pedágio. O correto, parece-me, seria considerar que o crescimento de 10% de
veículos naquele ano deve ser "retirado" do índice "cheio"
da reposição. Assim, ao invés dos 5% da inflação, o reajuste seria de 4,5%.
Porém, parece que não é isso que acontece. Todos os anos temos aumentos
significativos de tráfego nas rodovias, as concessionárias fazem basicamente a
manutenção (a ampliação da infra-estrutura não acompanha as necessidades
geradas pelo aumento no tráfego) e desconsideram que mais veículos significam
mais receita para o sistema. Cobram a reposição da inflação como se o número de
veículos em 2013 nas nossas rodovias fosse o mesmo de 1996, quando o sistema
começou a operar. Olha, se calcularmos o acumulado dessa diferença nos quase 20
anos de concessão, chegaremos a uma pequena fortuna que os usuários pagaram
"a mais". Porém, o incrível mesmo é que o Governo do Estado diz
contratar várias consultorias para analisar o sistema e parece que não
conseguem ver o "óbvio ululante". Enfim, concluo que o problema
definitivamente não é técnico. Mas, se eu estiver errado, por favor, fique à
vontade para me corrigir.
Emerson Urizzi Cervi
domingo, 6 de outubro de 2013
Bandeirantes , monumentos e índios
Ricardo Costa de Oliveira :Os bandeirantes também eram parcialmente índios, que criaram
e fundaram Curitiba. Foram os nossos primeiros povoadores, com os nossos mesmos
sobrenomes. Eram guerreiros da nossa raça e língua, como diriam os antigos
códices. O que é hoje São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul,
Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso somente são territórios
brasileiros porque foram conquistados, criados e fundados pelos bandeirantes.
Sem os bandeirantes as mulheres da nossa comunidade teriam recebido, dos índios
e inimigos castelhanos do outro lado da fronteira, o mesmo destino recebido
pela família de Ana Terra, personagem de O Tempo e o Vento. Vá e veja !
Marcos Araujo: Isto tudo que o Ricardo Costa de Oliveira
falou é verdade. Eles conquistaram o Brasil e criaram ele. O seu heroísmo
colonizador é bastante conhecido. O monumento de Brecheret aponta para isso,
mas também não devemos esquecer que eles tinham um objetivo somente no seculos
XVI e XVII, o sangue indígena.@estupro, morte, escravidão, maldade e
perversidade eram a tônica. Alguém vai dizer que os homens eram assim! E é
verdade. Ms não somos mais! Então esta é uma contradição da nossa sociedade.
Sabemos que nossos pais agiram errado, mataram e tudo mais, mas eram nossos
pais! Sugiro que se construa um monumento à resistência indígena na frente do
atual e que ninguém suje o monumento!
Análise de conjuntura
" Dilma tende a vencer porque a oposição só
apresenta nomes e propostas bem piores do que a atual média governamental. O
PSDB confirma a sua vocação neoliberal e oligárquica com um Aécio Neves.
Eduardo Campos apoiava o governo Dilma e o PT até o mês passado e tal como
Aécio é o resultado da reprodução da classe dominante via o tradicional
nepotismo familiar de avô para neto. Campos dificilmente empolgará
nacionalmente muito além do seu fraco partido, agora rachado com a saída dos
vizinhos cearenses da família Gomes. Marina não decolou além da sua restrita
base de evangélicos e ambientalistas, mesmo turbinada pela mídia na eleição
passada, não teve a capacidade de criar mais uma legenda de aluguel para tentar
imitar um Collor no PRN ou um Jânio no PTN. Joaquim Barbosa, tal como Marina,
outra cria direta de Lula, parece estar cada vez mais afastado pelas suas
contradições e perseguições aos jornalistas. Barbosa parece estar mais adequado
ao apartamento dele em Miami do que ao Palácio do Planalto.
O governo de Dilma segue na média (diriam os otimistas que é
a norma política real possível na velocidade de cruzeiro da coalizão
majoritária e os pessimistas diriam que é a continuidade da tradicional
mediocridade política de Brasília). A corrupção não é diferente dos outros
períodos nos últimos 500 anos, bem como a desigualdade social estrutural
persiste, mas até caiu substancialmente um pouco nos últimos 10 anos. A
economia cresce positivamente, cresce mais do que no ano passado, devendo o PIB
crescer um pouco abaixo de 3% em 2013, um resultado razoável para um ano de
crise mundial. O emprego está bom e continua crescendo, houve um grande aumento
no número de trabalhadores com novas carteiras de trabalho. Os dissídios, as
greves e a grande maioria das convenções conseguiram salários elevados acima da
inflação, mas ainda considerados internacionalmente baixos, porém os mais altos
nos últimos 50 anos no país. A indústria automotiva cresce, o Brasil ultrapassou
a Alemanha e agora passa a ser o quarto país que mais vende carros no mundo. A
política social e a bolsa família compensam um pouquinho os privilégios da
bolsa-ricos dos juros. O governo tem boa avaliação entre os mais pobres e que
precisam de muito mais políticas sociais. A infraestrutura segue enrolada, o
que também não é novidade ou exclusividade do atual período e precisa ser
melhorada. A saúde motiva o popular programa de mais médicos importados, os
indicadores sociais de saúde melhoraram nos últimos 10 anos, mas são
necessários mais investimentos e muitas outras políticas na área. A educação
segue na média, algumas novidades na criação de mais instituições federais, mas
continuam longas greves, como a dos professores das federais e de redes estaduais
e municipais mais politizadas. A ilusória política de cotas não conseguiu
esconder o fato do aumento do número de analfabetos, ainda que causado pelo
aumento da expectativa de vida e da longevidade dos idosos nordestinos pobres.
As manifestações de junho foram muito mais um protesto de
segmentos insatisfeitos com temas genéricos do que uma expressão política
somente dirigida contra a então alta popularidade artificial de Dilma no começo
do ano. Três forças motrizes organizadas e absolutamente incompatíveis entre si
procuraram se aproveitar das manifestações espontâneas: A extrema-esquerda, a
direita e a mídia-manipuladora-partido-de-oposição. Após mais de dez anos de
análises de conjuntura equivocadas e de derrotas políticas em comum, o
desespero dos três grupos convergiu e procuraram passar a falsa impressão de um
país instável e em crise, tentando derrubar a ordem vigente da coalizão
Lulo-Dilmista. Por mais que tentem inventar uma imaginária e terrível crise
existencial, moral, política, social e econômica, a realidade é bem outra.
Dilma, o PT e os seus aliados e simpatizantes seguram bem pelo menos 40% do
eleitorado e permanecem regularmente na frente como favoritos à reeleição, o
que os coloca com a força hegemônica mais viável na corrida presidencial de
2014.
Dilma e o PT deveriam aproveitar os protestos para avançarem
nacionalmente na política do transporte coletivo urbano, encamparem e
estatizarem o sistema coletivo de transportes urbanos das poucas famílias
privadas empresariais do setor, criarem metrôs no sistema chinês. Dilma e o PT
devem pensar grande e com qualidade para investirem em um real projeto de
ampliação da educação de qualidade pública e gratuita, muito além da
fraquíssima e limitadíssima política de cotas, se quiserem reverter o aumento
do analfabetismo e quiserem dar um salto nacional efetivo de qualidade na
educação. Continuar avançando na criação e ampliação de políticas sociais
urbanas e rurais. Uma política nacional de saneamento e a erradicação completa
de trabalho infantil estão no horizonte das possibilidades. Políticas nacionais
de segurança e direitos humanos para a ampliação da segurança pública. Outro
poderoso neo aliado estratégico do governo federal é o agronegócio, o salvador
da lavoura e das exportações nos últimos anos. A agricultura familiar e o
agronegócio devem ser estimulados conjuntamente a colonizar novas áreas no
Centro-Oeste e na Amazônia, implementando 500.000 pequenos agricultores e
sem-terra no Pará, somente com a construção da nova rodovia PA-167 e com a construção
das novas usinas hidrelétricas na Amazônia. Lembremos que os brasileiros são os
descendentes diretos dos arrojados bandeirantes, negros e tupis, que realizaram
a unificação política da placa Centro-Atlântico-Amazônica, a metade da América
do Sul, ocupada bravamente pela nossa gente e língua. Os produtores rurais
querem estabilidade, apoio à produção e distribuição de suas megassafras em
expansão.
A maioria do eleitorado brasileiro tem a plena consciência
que a vida melhorou nos últimos dez anos e que Dilma e o PT são os mais
capacitados para continuarem a enfrentar os problemas para os próximos quatro
anos. Com políticas ousadas e determinadas no transporte urbano coletivo, na
educação, na ciência, na tecnologia, na infraestrutura e na agropecuária, um
segundo governo 2015-2018 estará garantido com sucessos bem acima da média do
período 2011-2014."
Ricardo Costa de Oliveira
domingo, 22 de setembro de 2013
Síndrome de paralisia hiperativa
Sérgio Braga
o fato político mais
significativo da semana, no meu modesto entender, não foi um arroubo retórico,
mas uma ausência: a de qualquer menção a "julgamento do mensalão" ou
"indignação contra a corrupção endêmica" no programa de lançamento da
candidatura Aécio Neves pelo PSDB, muitíssimo bem feito por sinal. Já vi
politólogos dizerem que o candidato não tem condições sequer de chegar no
segundo turno, o que acho um ledo e ivo engano como dizia o saudoso Ivan Lessa.
Trata-se de dos um políticos mais talentosos que temos e que sabe onde quer
chegar e como, e não um poste sem sal como José Serra e outros tucanos. Não
deve de nenhuma maneira ser subestimado, como vi alguns politólogos mais
eufóricos fazendo por aí, pelo menos antes de junho...
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