domingo, 30 de outubro de 2016
Graciliano Ramos
sábado, 27 de agosto de 2016
E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico
senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo,
cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas,
acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio
da vida.
.
— Machado de Assis, no livro “Quincas Borba”. São Paulo: Ática, 1998
O ‘massacre esquecido’: o genocídio de gregos e assírios.
O genocídio refere-se ao massacre em massa dos caldeus,
assírios e da população síria do Império Otomano durante a Primeira Guerra
Mundial. A população assíria da Mesopotâmia (de Tur Abdin, Hakkari, Van, Siirt,
regiões do atual sudeste da Turquia e da região noroeste do Irã, Úrmia) foram
deportadas e massacradas pelas forças turco-otomanas entre 1914 e 1920. As
estimativas sobre o número total de mortos variam. Relatórios contemporâneos
colocam o número em 270 mil, embora as estimativas recentes revisam o número
para 500 a 750 mil vítimas, representando cerca de 70% da população assíria do
período
Quase três milhões de cristãos assírios, armênios e gregos
foram assassinados pelos turcos otomanos islâmicos durante a Primeira Guerra
Mundial por causa de sua etnia e fé.
O genocídio assírio ocorreu no contexto semelhante e no
mesmo período de tempo do Genocídio armênio e do Genocídio Grego.
O genocídio dos gregos pônticos aconteceu nas províncias do
sudeste do Mar Negro, no Império Turco-Otomano durante o século XX pela
administração dos "Jovens Turcos". Tem sido argumentado que os
assassinatos continuaram durante o movimento nacional turco, liderado por
Mustafa Kemal Atatürk
Tudo isto aconteceu principalmente em meio a um momento em
que o Exército da Turquia derrotava os gregos na região durante a guerra dos
dois países e o processo turco de independência. Cidades como Gallipoli e
outras à beira do mar Egeu foram fortes alvos de perseguições, principalmente
focadas nos gregos pônticos (Oeste) e anatólios (mais a sul).
Segundo várias fontes, o número oficial de gregos mortos na
Anatólia foi de 300.000 para 360.000 homens, mulheres e crianças. Alguns dos
sobreviventes e refugiados, especialmente aqueles das províncias orientais,
refugiaram-se no vizinho Império Russo.
A Turquia, nega a veracidade histórica do genocídio armênio
e do genocídio assírio. Da mesma forma o genocídio armênio.
Fonte:
Arnold J. Toynbee, The Western question in Greece and Turkey: a study in the
contact of civilisations, Boston : Houghton Mifflin, 1922, p. 312.
"HÁ UMA PROFUNDA RUPTURA EM CURSO
André Singer
O julgamento de Dilma Rousseff, cujo início efetivo teve
lugar nesta quinta (25), no Senado, é mais importante pelo que oculta do que pelo
que revela. A observância meticulosa dos dispositivos legais do processo faz
parecer que tudo funciona de modo normal. Mas, por baixo da capa de legalidade,
está em curso um atentado, que pode ser mortal, ao espírito da Constituição de
1988.
Os que têm paciência de acompanhar os debates entre a defesa
e a acusação percebem que o tema de fundo é a política econômica desenvolvida
pela presidente afastada no seu primeiro mandato. Os questionados decretos de
suplementação orçamentária e pagamento do Plano Safra pelo Banco do Brasil,
ambos de 2015, são meros pretextos para trazer à tona aquilo que realmente
incomoda: os gastos de 2014.
Ocorre que tal conduta foi referendada nas urnas. Dilma
acabou reeleita porque, apesar dos pesares, manteve o emprego e a renda dos
trabalhadores, e isso não teria acontecido caso houvesse feitos os cortes que a
ortodoxia econômica propunha. O fato de ter depois realizado o ajuste recessivo
exigido, quando prometera não fazê-lo, é grave, mas não justifica o
impeachment.
Se justificasse, Sarney precisaria ter sido afastado em 1987
e FHC em 1999. Respeitada a soberania popular, caberia ao eleitorado julgar, em
2018, o destino das forças políticas envolvidas no processo, tal como aconteceu
em 1989 e 2002. Convém lembrar que, nos dois casos, a situação perdeu.
Mas, em decorrência da crise econômica, da Lava Jato e da
presença de Eduardo Cunha à frente da Câmara, abriu-se uma tripla janela de
oportunidade. Michel Temer enxergou a chance de chegar ao poder. Os partidos
conservadores vislumbraram a possibilidade de arruinar o PT, talvez para
sempre. Os capitais viram a oportunidade de fazer um acerto de contas com os
avanços sociais previstos desde 1988 e postos em prática, no ritmo homeopático
conhecido, pelo lulismo.
Por isso, a provável condenação de Dilma representa muito
mais do que a perda de dois anos de estadia no Alvorada pela atual mandatária.
Significa um golpe profundo contra a alma cidadã da Carta constitucional
vigente. A maior demonstração está na PEC 241, que cria o teto para os gastos
do Estado. Nas palavras do seu mentor, o ministro Henrique Meirelles, a 241 é
nada mais nada menos que "a primeira mudança estrutural na questão da
despesa pública desde a Constituição de 1988".
Até que ponto o conservador espírito de 2016 conseguirá
desfazer o que foi acumulado em torno de 1988 só a luta real dirá. Mas convém a
sociedade brasileira tomar consciência de que, por baixo dos formalismos
senatoriais, há uma violenta ruptura em curso nestes dias."
A imprensa brasileira, está estacionada no século XIX
inconsolável até hoje com a abolição. Não se recuperou do trauma da derrota
para os abolicionistas. Aquele quadro patriarcal que aparece na foto oficial de
Temer e seus homens brancos, ricos, corruptos da confraria dos bodes velhos, se
parace com o do grupo que se opôs aos clube republicano que centralizava as
grandes questões nacionais do século XIX, entre elas, a abolição. Isso me veio
a cabeça depois de ler o artigo pró-golpe de Demetrios Magnoli hoje na Folha.
Todos sabem que entre os brasileiros, Demetrios é o escravocrata o mais
revoltado com a abolição e, "no campo das ideias", vive convocando
gente através de seus livros, patrocinados pelos "Instituto
Millenium" da Globo, para a recriação das senzalas.
Carlos Henrique Machado Freitas
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Carlos Henrique Machado Freitas
Nos iremos, me iré con los que aman
Silvina Ocampo
Nos iremos, me iré con los que aman,
dejaré mis jardines y mi perro
aunque parezca dura como el hierro
cuando los vientos vagabundos braman.
Nos iremos, tu voz, tu amor me llaman:
dejaré el son plateado del cencerro
aunque llegue a las luces del desierto
por ti, porque tus frases me reclaman.
Buscaré el mar por ti, por tus hechizos,
me echaré bajo el ala de la vela,
después que el barro zarpe cuando vuela
la sombra del adiós. Como en los fríos
lloraré la cabeza entre tu mano
lo que me diste y me negaste en vano.
MÁS POEMAS DE SILVINA OCAMPO
Biblioteca Digital Ciudad Seva
El presidente del jurado
Charles Dickens
Han pasado ya algunos años desde que se cometió en
Inglaterra un asesinato que atrajo poderosamente la atención pública. En
nuestro país se oye hablar con bastante frecuencia de asesinos que adquieren
una triste celebridad. Pero yo hubiese enterrado con gusto el recuerdo de aquel
hombre feroz de haber podido sepultarlo tan fácilmente como su cuerpo lo está
en la prisión de Newgate. Advierto, desde luego, que omito deliberadamente
hacer aquí alusión alguna a la personalidad de aquel hombre.
Cuando el asesinato fue descubierto, nadie sospechó -o,
mejor dicho, nadie insinuó públicamente sospecha alguna- del hombre que después
fue procesado. Por la circunstancia antes expresada, los periódicos no
pudieron, naturalmente, publicar en aquellos días descripciones del criminal.
Es esencial que se recuerde este hecho.
Al abrir, durante el desayuno, mi periódico matutino, que
contenía el relato del descubrimiento del crimen, lo encontré muy interesante y
lo leí con atención. Volví, incluso, a leerlo otra vez, o quizá dos. El
descubrimiento había tenido lugar en un dormitorio. Cuando dejé el diario tuve
la impresión, fugaz, como un relámpago, de que veía pasar ante mis ojos aquella
alcoba. Semejante visión, aunque instantánea, fue clarísima, tanto que hasta
pude observar, con alivio, la ausencia del cuerpo de la víctima en el lecho
mortuorio.
Esta curiosa sensación no se produjo en ningún lugar
misterioso, sino en una de las vulgares habitaciones de Piccadilly en que me
alojaba, próxima a la esquina de St. James Street. Y fue una experiencia nueva
en mi vida.
En aquel instante me hallaba sentado en mi butaca, y la
visión fue acompañada de un estremecimiento tan fuerte, que la desplazó del
lugar en que se encontraba; si bien procede advertir que las patas de la butaca
terminaban en sendas ruedecillas. A continuación me acerqué a una ventana (la
habitación, situada en un segundo piso, tenía dos) a fin de tranquilizarme con
la visión del animado tráfago de Piccadilly.
Era una luminosa mañana de otoño y la calle se extendía ante
mí resplandeciente y animada. Soplaba un fuerte viento. Al asomarme, el viento
acababa de levantar numerosas hojas caídas en el parque, elevándolas y formando
con ellas una columna en espiral. Cuando la columna se derrumbó y las hojas se
dispersaron, vi a dos hombres en el lado opuesto de la calle, caminando de
oeste a este. Iban uno tras otro. El primero miraba con frecuencia hacia atrás,
por encima del hombro. El segundo lo seguía a una distancia de unos treinta
pasos, con la mano derecha levantada amenazadoramente. Al principio, la
singularidad de tal actitud en una avenida tan frecuentada atrajo mi atención,
pero en seguida se desvió hacia otra y más notable particularidad: nadie
reparaba en ellos. Ambos hombres se movían entre los demás peatones con una
suavidad increíble, aun sobre aquel pavimento tan liso, y nadie, según pude
observar, los rozaba, los miraba o les abría paso. Al llegar ante mi ventana
los dos dirigieron su mirada hacia mí. Entonces distinguí sus rostros con toda
claridad y me di cuenta de que podría reconocerlos en cualquier parte; no se
crea por esto que yo aprecié conscientemente nada de extraordinario en sus
rostros, excepto el detalle de que el hombre que iba en primer lugar tenía un
aspecto muy abatido y que la faz de su perseguidor era del mismo tono de la
cera sin refinar.
Soy soltero y toda mi servidumbre se limita a un criado y su
mujer. Trabajo en la filial de un banco, como jefe de un negociado, y debo
agregar que desearía sinceramente que mis deberes fuesen tan leves como
generalmente se supone. Lo digo porque esos deberes me retenían en la ciudad
aquel otoño, a pesar de hallarme muy necesitado de reposo y de un cambio de
ambiente. No es que estuviese enfermo, pero no me encontraba bien. El lector se
hará cargo de mi estado si le digo que me sentía cansado, deprimido por la
sensación de llevar una vida monótona y “ligeramente dispéptico”. Mi médico,
hombre de mucho prestigio profesional, me aseguró, a requerimiento mío, que
éste era mi verdadero estado de salud en aquella época; que no padecía ninguna
enfermedad ni grave depresión, y yo cito sus palabras al pie de la letra.
A medida que las circunstancias del asesinato iban
intrigando gradualmente al público, yo procuraba alejarlas de mi cerebro tanto
como era posible alejar un objeto del interés y comentarios generales. Supe que
se había dictado un veredicto previo de asesinato con premeditación y alevosía
contra el presunto criminal, y que éste había sido conducido a Newgate para que
estuviese presente cuando se dictara sentencia definitiva. Me enteré,
igualmente, de que el proceso quedaba aplazado para una de las próximas
audiencias de la Sala Central de lo Criminal, fundándose en algún precepto de
la Ley y en la necesidad de dejar tiempo al abogado para preparar la defensa.
Es posible también que yo me enterase, aunque creo que no, de la fecha exacta o
aproximada en que debía celebrarse la vista de la causa.
Mi salón, dormitorio y tocador se encuentran en el mismo
piso. La última de dichas habitaciones sólo tiene entrada por el dormitorio.
Cierto que tiene también una puerta que da a la escalera, pero, en el tiempo
que nos ocupa, hacía años ya que mi baño la obstruía, por tanto la habíamos
inutilizado, cubriéndola de arpillera claveteada.
Una noche, a hora bastante avanzada, estaba yo en mi alcoba,
dando instrucciones al criado antes de acostarme; la puerta que comunicaba con
el cuarto de baño que daba frente a mí, en aquel momento estaba cerrada. Mi
criado daba la espalda a la puerta. Y he aquí que, de repente, vi abrirse
aquella puerta y aparecer a un hombre que reconocí en el acto y que me hizo una
misteriosa señal. Era el segundo de los dos que caminaban aquel día en
Piccadilly, el que tenía la cara del color de la cera sin refinar.
Hecho aquel signo, la figura retrocedió y cerró la puerta de
nuevo. Rápidamente me acerqué a la puerta del tocador, la abrí y miré. Yo tenía
en la mano una vela encendida. No esperaba encontrar a nadie allí, y, en
efecto, no encontré a nadie.
Comprendiendo que mi criado estaba sorprendido, me volví
hacia él y le dije:
-¿Creería usted, Derrick, que a pesar de encontrarme en la
plenitud de mis facultades he imaginado ver…?
Al hablar, apoyé mi mano en su hombro. Con un repentino
sobresalto, él exclamó:
-¡Oh, Dios mío, sí! Ha visto usted a un muerto que le hacía
señales.
No creo que Juan Derrick, devoto y honrado servidor mío
durante más de veinte años, hubiese captado la situación antes de que yo lo
tocase. Su reacción, cuando apoyé mi mano sobre él, fue tan súbita, que albergo
la firme certeza de que la provocó aquel contacto.
Pedí a Derrick que me trajese coñac, le ofrecí una copa y yo
tomé otra. No le dije ni una palabra sobre lo que me había sucedido
anteriormente. Me sentía seguro de no haber visto nunca aquel rostro fantasma,
salvo la mañana de Piccadilly.
Pasé la noche muy inquieto, aunque sintiendo cierta
certidumbre, difícil de explicar, de que la aparición no volvería. Al apuntar
el día caí en un pesado sueño, del que me despertó Derrick cuando entró en mi
habitación con una papel en la mano.
Aquel papel había motivado una ligera discusión entre su
portador y mi sirviente. Era una citación para concurrir como jurado a una
próxima sesión de la Audiencia. Yo nunca había sido requerido como jurado, y
Juan Derrick lo sabía. Él opinaba -aun hoy no sé a punto fijo si con razón o
no- que era costumbre nombrar jurados a personas de menor categoría que yo y no
quiso, en consecuencia, aceptar la citación. El hombre que la llevaba tomó la
negativa de mi criado con mucha frialdad. Dijo que mi asistencia o no
asistencia al tribunal le tenía sin cuidado, y que su cometido se limitaba a
entregar la citación.
Durante un par de días estuve indeciso entre asistir o no.
No sentí, en verdad, la menor influencia misteriosa en ningún sentido. Estoy
tan absolutamente seguro de esto como de todo lo que estoy narrando. Por
último, resolví asistir, ya que de este modo rompería la monotonía de mi vida.
La mañana de la cita resultó ser una muy cruda del mes de
noviembre. En Piccadilly había una densa niebla que se oscurecía por momentos
hasta adquirir una negrura opresiva.
Cuando llegué al Palacio de Justicia, encontré los pasillos
y escaleras que conducían a la sala del tribunal iluminados por luces de gas.
La sala estaba alumbrada de igual modo. Creo sinceramente que hasta que los
ujieres no me condujeron a ella y vi la concurrencia que se apiñaba allí, no
recordé que la vista del proceso por el mencionado asesinato se celebraba aquel
día. Incluso me parece que hasta que, no sin considerables dificultades por el
mucho gentío, fui introducido en la sala de lo criminal, ignoré si se me citaba
a ésta o a otra. Pero lo que ahora señalo no debe considerarse como un aserto
positivo, porque este extremo no está suficientemente aclarado en mi mente.
Me senté en el lugar de los jurados y, mientras esperaba,
contemplé la sala a través del espeso vapor mixto de niebla y vaho de
respiraciones que constituía su atmósfera. Observé la negra bruma que se
cernía, como sombrío cortinón, más allá de las ventanas, y escuché el rumor de
las ruedas de los vehículos sobre la paja o el serrín que alfombraba el
pavimento de la calle. Oí también el murmullo de la concurrencia, sobre el que
a veces se elevaba alguna palabra más fuerte, alguna exclamación en voz alta,
algún agudo silbido. Poco después entraron los magistrados, que eran dos, y
ocuparon sus asientos. Se acalló el rumor en la sala, y se dio la orden de
hacer comparecer al acusado. En el mismo instante en que se presentó lo
reconocí como el primero de los dos hombres que yo viera caminando por
Piccadilly.
Si mi nombre hubiese sido pronunciado en aquel instante,
creo que no hubiese tenido ánimos para responder. Pero como lo mencionaron en
sexto u octavo lugar, me encontré con fuerzas para contestar: “¡Presente!”
Y ahora, lector, fíjese en lo que sigue. Apenas hube ocupado
mi lugar, el preso, que nos estaba mirando a todos con fijeza, pero sin dar
muestras de interés particular, experimentó una agitación violenta e hizo una
señal a su abogado. Tan manifiesto era el deseo del acusado de que me
sustituyesen, que ello provocó una pausa, en el curso de la cual el defensor,
apoyando la mano en la barra, cuchicheó con su defendido, moviendo la cabeza.
Supe luego -por el propio abogado- que las primeras y presurosas palabras del
acusado habían sido éstas: “Haga sustituir a ese hombre como sea”. Pero, al no
alegar razón alguna para ello, y habiendo de reconocer que no me conocía ni
había oído mi nombre hasta que lo pronunciaron en la sala, no fue atendido su
deseo.
Como no deseo avivar la memoria de la gente respecto a aquel
asesino, y también porque no es indispensable para mi relato narrar al detalle
los incidentes del largo proceso, me limitaré a citar las particularidades que
nos acontecieron a los jurados y a mí durante los diez días, con sus noches, en
que estuvimos juntos. Mencionaré, sobre todo, las curiosas experiencias
personales que atravesé. Es en este aspecto, y no acerca del asesino, sobre lo
que quiero despertar el interés del lector.
Me designaron presidente del jurado. En la segunda mañana
del proceso, después de invertir más de dos horas en examinar las piezas de
convicción -yo podía saber el transcurso del tiempo porque oía la campana del
reloj de una iglesia-, habiéndoseme ocurrido dirigir la mirada a mis compañeros
de jurado, encontré una inexplicable dificultad en contarlos. Los enumeré
varias veces y siempre con la misma dificultad. En resumen, contaba uno de más.
Toqué suavemente al más próximo a mí y le cuchicheé:
-Hágame el favor de contarnos.
Él, aunque pareció sorprendido por la petición, volvió la
cabeza y nos contó a todos.
-¡Pero si somos trece! -exclamó-. No, no es posible. Uno,
dos… Somos doce.
A través de mis cálculos de aquel día saqué en limpio que
éramos siempre doce si se nos enumeraba individualmente, pero que siempre salía
uno de más si nos considerábamos en conjunto. Éramos doce, pero alguien se nos
agregaba con insistencia, y yo, en mi fuero interno, sabía de quién se trataba.
Nos
alojaron en la London Taverns. Dormíamos todos en un amplio aposento, en
lechos individuales, y estábamos constantemente atendidos y vigilados por un
funcionario. No veo razón alguna para omitir el verdadero nombre de aquel
funcionario. Era un hombre inteligente, amabilísimo, cortés y muy respetado.
Tenía una agradable apariencia, bellos ojos, patillas envidiablemente negras y
voz agradable y bien timbrada. Se llamaba Harker.
Nos acostamos en nuestros lechos respectivos. El de Harker
estaba colocado transversalmente ante la puerta. La segunda noche, como no
sentía deseos de dormir y vi que Harker permanecía sentado en su cama, me
acerqué a él, me senté a su lado y le ofrecí un poco de rapé. Su mano rozó la
mía al tocar la tabaquera y en el acto le agitó un estremecimiento y exclamó:
-¿Qué es eso?
Siguiendo la dirección de su mirada divisé a quien esperaba
ver: el segundo de los hombres de Piccadilly. Me incorporé, anduve unos cuantos
pasos, me paré y miré a Harker. Éste, que ya no sentía la menor turbación, me
dijo con toda naturalidad, riendo:
-Me había parecido por un momento que había un jurado de
más, aunque sin cama. Pero es un efecto de la luz de la luna.
Sin hacer revelación alguna al señor Harker, me limité a
proponerle que diéramos una paseíto de un extremo a otro de la habitación.
Mientras andábamos procuré vigilar los movimientos de la misteriosa figura.
Ésta se detenía por unos instantes a la cabecera de cada uno de mis once
compañeros de jurado, acercándose mucho a la almohada. Seguía siempre el lado
derecho de cada cama, y cruzaba ante los pies para dirigirse a la siguiente.
Por los movimientos de su cabeza parecía que se limitaba a mirar, pensativo, a
cada uno de los que descansaban. No reparó en mí ni en mi lecho, que era el más
próximo al rayo de luz lunar que penetraba por una ventana alta. Aquella figura
desapareció como por una escalera aérea. Por la mañana, al desayunar, resultó
que todos habían soñado con la víctima del crimen, excepto Harker y yo.
Acabé por quedar convencido de que el segundo de los hombres
que yo viera en Piccadilly -si podía aplicársele la expresión “hombre”- era el
asesinado, persuasión que tuve mediante su testimonio directo. Pero esto
sucedió de una manera para la cual yo no estaba preparado.
El quinto día de la vista, cuando iba a cerrarse el capítulo
de cargos, fue mostrada una miniatura del asesinado que se había echado de
menos en el lugar del crimen, encontrándose después en un lugar recóndito donde
el asesino había estado practicando una fosa. Una vez identificada por los testigos,
fue pasada al tribunal y examinada por el jurado. Mientras un funcionario
vestido con una toga negra nos la iba entregando a todos, la figura del hombre
que yo viera en segundo lugar en Piccadilly surgió impetuosamente de entre la
multitud, asió la miniatura de manos del funcionario, la puso en las mías y,
antes de que yo viera la miniatura, que iba en un dije, me dijo, en tono bajo y
profundo:
-Yo era entonces más joven y la sangre no había desaparecido
de mi rostro como ahora.
Luego la aparición se situó entre mi persona y la del
siguiente jurado a quien yo había de entregar la miniatura, y a continuación
entre éste y el otro jurado, y así sucesivamente hasta que el objeto volvió a
mi poder. Ninguno, salvo yo, reparó en la aparición.
Cuando nos sentábamos a la mesa y, en general, siempre que
nos encerrábamos juntos bajo la custodia del señor Harker, los componentes del
jurado discutíamos mucho acerca del asunto que nos ocupaba. El quinto día,
terminado el capítulo de cargos y teniendo, por lo tanto, este lado de la
cuestión completamente claro ante nosotros, nuestra discusión se hizo más
reflexiva y seria.
Figuraba entre nosotros cierto sacristán -el hombre más
obtuso que he visto en mi vida- que oponía a las más claras evidencias las más
absurdas objeciones, apoyado por dos hombres de poco carácter que le conocían
por frecuentar su misma parroquia. Por cierto que aquellas gentes pertenecían a
un distrito tan castigado por las fiebres epidémicas, que más bien debían haber
solicitado un proceso contra ellas como causantes de quinientos asesinatos, por
lo menos. Cuando aquellos testarudos se hallaban en la cúspide de su
elocuencia, que fue hacia medianoche, y todos nos disponíamos a abandonarlos e
irnos a la cama, volvía a ver al hombre asesinado. Se detuvo detrás de ellos y
me hizo una señal. Al acercarme a aquellos hombres e intervenir en su
conversación, lo perdí de vista. Éste fue el principio de una serie
interminable de apariciones, limitadas por entonces al vasto aposento en que el
jurado se hallaba reunido. En cuanto varios se agrupaban para hablar, yo veía
surgir entre ellos la cabeza del asesinado. Siempre que los comentarios lo
desfavorecían, me hacía imperiosos e irresistibles signos para que lo
defendiera.
Téngase en cuenta que desde el quinto día, cuando se exhibió
la miniatura, yo no había vuelto a ver la aparición en la sala del juicio. Tres
novedades se produjeron en esta situación tan pronto como entramos en el
tribunal para oír el alegato de la defensa. En primer lugar mencionaré juntos
dos de ellos. La figura permanecía continuamente en la sala y no me miraba
nunca; dedicaba su atención a la persona que estaba hablando en el momento. El
asesinato se había cometido mediante el degüello de la víctima, y en el curso
de la defensa se insinuó la posibilidad de que se tratase no de un crimen, sino
de suicidio. En aquel instante, la aparición, colocándose ante los mismos ojos
del defensor, y situando la garganta en la horrible postura en que fuera
descubierta, comenzó a accionar ante la tráquea, ora con la mano derecha, ora
con la izquierda, como para sugerir al abogado la imposibilidad de que semejante
herida pudiese ser causada por la víctima. La segunda novedad consistió en que,
habiendo comparecido como testigo de descargo una mujer respetable, que afirmó
que el asesino era el mejor de los hombres, la aparición se plantó ante ella,
mirándola al rostro, y señaló con el brazo extendido la mala catadura del
asesino.
Pero fue la tercera de las aludidas novedades la que
consiguió emocionarme con más intensidad. No trato de teorizar sobre ello: me
limito a someterlo a la consideración del lector. Aunque la aparición no era
vista por la persona a quien se dirigía, no es menos cierto que tal persona
sufría invariablemente algún estremecimiento o desasosiego súbito. Me parecía
que a aquel ser le estuviera vedado, por leyes desconocidas, hacerse visible,
pero por el contrario podía influir sobre sus mentes. Así, por ejemplo, cuando
el defensor expuso la hipótesis de una muerte voluntaria y la aparición se
situó ante él realizando aquel lúgubre simulacro de degüello, es innegable que
el defensor se alteró, perdió por unos instantes el hilo de su hábil discurso,
se puso extremadamente pálido y hasta hubo de secarse la frente con un pañuelo.
Y cuando la aparición se colocó ante la respetable testigo de descargo, los
ojos de ésta siguieron, sin duda alguna, la dirección indicada por el fantasma
y se fijaron, con evidente duda y titubeo, en el rostro del acusado. Bastarán,
para que el lector se haga cargo completo de todo, dos detalles más. El octavo
día de las sesiones, tras una pausa que hacía diariamente a primera hora de la
tarde para descansar y tomar algún alimento, yo regresé a la sala con los demás
jurados poco antes que los jueces. Al instalarme en mi asiento y mirar en
torno, no distinguí la aparición, hasta que, alzando los ojos hacia la tribuna,
vi al espectro inclinarse por encima de una mujer de atractivo aspecto, como
para asegurarse de si los magistrados estaban ya en sus sitiales o no.
Inmediatamente, la mujer lanzó un grito, se desmayó y hubo que sacarla de la
sala. Algo análogo sucedió con el respetable y prudente juez instructor que
había incoado el proceso. Cuando la causa estuvo concluida y él comenzaba a
ordenar los autos correspondientes, el hombre asesinado, entrando por la puerta
de los jueces, se acercó al pupitre y por encima de su hombro miró los papeles
que hojeaba el magistrado. En el rostro del magistrado se produjo un cambio, su
mano se detuvo, su cuerpo se estremeció con el peculiar temblor que yo conocía
tan bien, y al fin hubo de murmurar:
-Perdónenme unos momentos, señores. Este aire tan viciado me
ha producido cierta opresión…
No se repuso hasta después de beber un vaso de agua.
A través de la monotonía de seis de aquellos interminables
días, siempre los mismos jurados y jueces en el estrado, el mismo asesino en el
banquillo, los mismos letrados en la barra, las mismas preguntas y respuestas
elevándose hacia el techo de la sala, el mismo raspar de la pluma del juez, los
mismos ujieres entrando y saliendo, las mismas luces encendidas a la misma hora
cuando el día había sido relativamente claro, la misma cortina de niebla fuera
de la ventana cuando había bruma, la misma lluvia batiente y goteante cuando
llovía, las mismas huellas de los pies de los celadores y del acusado sobre el
serrín, las mismas llaves abriendo y cerrando las mismas pesadas puertas; a
través, repito, de aquella fatigosa monotonía que me llevaba a sentirme
presidente de jurado desde una época remotísima, y me recordaba el episodio de
Piccadilly como si se hubiera producido en tiempos contemporáneos a los de
Babilonia, la figura del hombre asesinado no perdió ni un ápice de nitidez ante
mis ojos. No debo omitir tampoco el hecho de que la aparición que designo con
la expresión “el hombre asesinado” no fijó ni una sola vez la vista en el
criminal. Yo me preguntaba repetidamente: “¿Por qué no lo mira?” Pero no lo
miró.
Tampoco me miró a mí, desde el día en que se mostró la
miniatura, hasta los últimos minutos de la vista, ya conclusa del todo la
causa. Nos retiramos a estudiarla a las diez menos siete minutos de la noche. El
estúpido sacristán y sus dos amigos nos originaron tantas complicaciones, que
hubimos de volver dos veces a la sala para pedir que se nos releyesen los
extractos de las notas del juez instructor. Ninguno de nosotros, y creo que
nadie en la sala, tenía la menor duda sobre aquellos pasajes, pero el testarudo
triunvirato, que no se proponía más que obstruir, discutía sobre ellos sólo por
esta razón. Al fin prevaleció el criterio de los demás y el jurado volvió a la
sala a las doce y diez.
Esta vez el muerto permanecía de cara al jurado en el
extremo opuesto de la sala. Cuando me senté, sus ojos se fijaron en mí con gran
detenimiento. El examen pareció dejarlo satisfecho, porque a continuación
extendió lentamente, primero sobre su cabeza y luego sobre toda su figura, un
amplio velo gris que llevaba al brazo por primera vez.
Cuando yo emití nuestro veredicto de culpabilidad, el velo
se dibujó, todo desapareció ante mis ojos, y el lugar que ocupaba el hombre
asesinado quedó vacío.
El asesino, interrogado por el juez, como de costumbre,
acerca de si tenía algo que alegar antes de que se pronunciase la sentencia,
murmuró algunas confusas palabras que los periódicos del día siguiente
calificaron de “breves frases titubeantes, incoherentes y casi ininteligibles, en
las que pareció entenderse que se lamentaba de no haber sido condenado con
justicia, ya que el presidente del jurado estaba predispuesto contra él”. Pero
la extraordinaria declaración que el acusado hizo en realidad fue ésta:
-Señoría: me constaba que yo era hombre perdido desde que vi
sentarse en su puesto al presidente del jurado. Me constaba, Señoría, que no
permitiría que saliese libre, porque, antes de que me detuviesen, él, no sé
cómo, penetró una noche en mi habitación, se acercó a mi cama, me despertó y me
pasó una cuerda alrededor del cuello.
FIN
Biblioteca Digital Ciudad Seva
El futuro
Julio Cortázar
Y sé muy bien que no estarás.
No estarás en la calle
en el murmullo que brota de la noche
de los postes de alumbrado,
ni en el gesto de elegir el menú,
ni en la sonrisa que alivia los completos en los subtes
ni en los libros prestados,
ni en el hasta mañana.
No estarás en mis sueños,
en el destino original de mis palabras,
ni en una cifra telefónica estarás,
o en el color de un par de guantes
o una blusa.
Me enojaré
amor mío
sin que sea por ti,
y compraré bombones
pero no para ti,
me pararé en la esquina
a la que no vendrás
y diré las cosas que sé decir
y comeré las cosas que sé comer
y soñaré los sueños que se sueñan.
Y se muy bien que no estarás
ni aquí dentro de la cárcel donde te retengo,
ni allí afuera
en ese río de calles y de puentes.
No estarás para nada,
no serás mi recuerdo
y cuando piense en ti
pensaré un pensamiento
que oscuramente trata de acordarse de ti.
Biblioteca Digital Ciudad Seva
Al sueño
John Keats
Suave embalsamador de la rígida medianoche,
que cierras con cuidadosos dedos
nuestros ojos que ansían ocultarse de la luz,
envueltos en la penumbra de un olvido celestial;
oh dulcísimo sueño, si así te place, cierra,
en medio de tu canto, mis ojos anhelantes,
o aguarda el ‘Así sea’, hasta que tu amapola
derrame sobre mi lecho los dones de tu arrullo.
Líbrame, pues, o el día que se fue volverá
a alumbrar mi almohada, engendrando aflicciones;
de la conciencia líbrame, que impone, inquisitiva,
su voluntad en lo oscuro, hurgando como un topo;
gira bien, con la llave, los cierres engrasados,
y sella así la urna silenciosa de mi espíritu.
Biblioteca Digital Ciudad Seva
Caros, qual a consequência da ausência dos senadores, juízes
do caso, durante a produção probatória relativa ao pedido de impedimento da
presidente eleita? Se o "quorum" foi atendido, aberto o ato, as
pessoas que se ausentaram podem votar? E aqueles que afirmaram a presença e
saíram, praticaram algum crime? Se alguns senadores já estão convencidos,
alguns tendo, inclusive, declarado como vão votar, antes mesmo da produção
probatória, eles podem participar do julgamento? À luz da principiologia
constitucional (imparcialidade, contraditório, ampla defesa, etc.) e demais
princípios e regras (dentre eles, o que exige o contato direto do julgador com
a prova), o que fazer? Ainda é possível falar em respeito ao devido processo
legal ou mesmo em democracia diante das circunstâncias desse julgamento?
Rubens Casara
segunda-feira, 14 de março de 2016
domingo, 6 de dezembro de 2015
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photo by tatiana karpechenko
"(...) gosto dos epitáfios; eles são, entre a gente
civilizada, uma expressão daquele pio e secreto egoísmo que induz o homem a
arrancar à morte um farrapo ao menos da sombra que passou."
- Machado de Assis, em "'Memórias Póstumas de Brás
Cubas' - capítulo CLI".
http://www.elfikurten.com.br/…/machado-de-assis-o-bruxo-do-…
domingo, 19 de julho de 2015
O militarismo nipônico assim como seu desarmamento em 45 é
obra externa. As corporações industriais japonesas e suas sócias estadunidenses
veem no esforço armamentista créditos, financiamentos e encomendas estatais .
Os políticos ultra nacionalistas uma oportunidade de reaver regiões contestadas
e expor os músculos para retomar o prestigio (duvidoso ) do outrora
expansionismo imperial japonês .Nada na politica japonesa profundamente
filtradora e elitista é convergente com os reais anseios do povo japonês.Que o
digam os moradores de Hiroshima e Nagasáki.
Wilson Roberto Nogueira
domingo, 28 de junho de 2015
Toda mudança, se for mudança mesmo, é um parto. E todo parto
é precedido de dores atrozes. O mundo novo não nascerá sem dores ou convulsões
dramáticas. A essas dores se chama revolução. É dolorosa mas necessária porque
o "velhote inimigo que morreu ontem" nunca vai ceder o seu lugar sem
luta.
Otto Leopoldo Winck
"Só vou avisar: não é por que apoio a diversidade
sexual que fui cooptado pelo imperialismo. Pelo contrário, sei muito bem que os
Estados Unidos fazem isso para tirar o foco de seus crimes na Síria, no Iraque,
no Afeganistão e das provocações contra a Rússia e a China. Sei também que o
mesmo imperialismo libera o casamento gay com uma mão e com a outra mão
financia o Estado Islâmico a matarem gays. Mas depois de uma semana medieval
com Malafaias, Felicianos, Bolsonaros e Cunhas torrando a paciência, sinto-me
plenamente vingado. O Brasil não será colônia dos Estados Unidos e nem será um
país feudal obscurantista. O Brasil é e será um país soberano e livre de
preconceitos."
Thomas de Toledo
ACERCA DOS PARTIDOS E DOS SISTEMAS PARTIDÁRIOS
Dimas Enéas Soares Ferreira*
A crise que se instaurou no Congresso Nacional brasileiro
nos últimos meses vem comprovar aquilo que muitos já vinham alertando, ou seja,
o sistema partidário e eleitoral brasileiro está refletindo suas enormes
distorções e imperfeições na forma de crises cíclicas que colocam, cada vez
mais, a imagem do Parlamento num patamar de grande descrédito perante a opinião
pública. Os partidos políticos, por sua vez, demonstram não representar os
verdadeiros interesses em jogo no interior da sociedade brasileira e precisam
ser reformados com urgência. Daí a pertinência de se retomar as análises feitas
por importantes cientistas políticos europeus e americanos a respeito das
principais abordagens sobre os partidos e os sistemas partidários.
Duverger (1967), quando expôs suas idéias, ainda na década
de 1950, abriu uma nova perspectiva na discussão a respeito dos sistemas
partidários e eleitorais, bem como do nascimento, consolidação e queda dos
partidos políticos. Contudo, hoje, após tantas mudanças no cenário
político-partidário e nos resultados do jogo eleitoral dos países ocidentais
desenvolvidos, suas idéias já se encontram relativamente superadas, ainda que
tenham tido grande importância para a ciência política, pois foi o fundador da
linha de pensamento político que centra a atenção nas regras de funcionamento
dos sistemas partidários e eleitorais como principal elemento definidor dos
resultados político-institucionais, principalmente quando se trata da disputa
eleitoral.
Sartori (1976), também segue na mesma linha, remontando sua
análise a respeito dos sistemas partidários à história das idéias e à
semântica.[i] Ele descreve como a palavra “partido” se firmou historicamente e
toda a dificuldade em torno dessa afirmação que, na realidade, faz parte da
evolução democrática das sociedades liberais do Ocidente. Primeiramente, ele procura
diferenciar facção de partido, mostrando como os interesses específicos das
facções se contrapõem ao bem comum que, em tese, é o objetivo final dos
partidos. Como Voltaire escreveu “un parti séditieux dans un état”.[ii]
Grandes pensadores políticos, como Maquiavel, Locke e
Rousseau, sempre centraram sua discussão no conflito entre os interesses
específicos e o bem comum, despreocupando-se com as regras do jogo político.
Para Locke, os indivíduos eram aqueles “homens livres”, logo, uma minoria da
população. Eram pessoas com interesses comuns, daí as classes sociais, ou seja,
eram grupos de pessoas com interesses em comum e que divergiam entre si. Já
para Rousseau, a sociedade deveria ser homogênea, sem esses conflitos de
interesses, que deveriam ser resolvidos através de uma democracia direta,
impossível numa sociedade de massas.
A facção busca interesses específicos, ainda que isso leve à
cisão e a ruptura da ordem institucional, já o partido busca sempre o bem comum
buscando a unidade e preservação das instituições políticas, seja ele qual
for.[iii] De Maquiavel até a independência dos EUA, os partidos sempre foram
mal vistos. A própria constituição americana de 1787 não previa a existência de
partidos, tratava apenas da instituição dos poderes do Estado – Executivo,
Legislativo e Judiciário. Um dos axiomas do pensamento liberal americano é que
o bem comum é o equilíbrio dos interesses específicos, e o que ele deve impedir
é que um interesse tiranize o outro. Assim, havia o receio de que o voto da maioria
da população mais pobre pudesse impedir a satisfação dos interesses dos mais
ricos e poderosos, por isso, não acreditavam em partidos.
A primeira definição de partido entende que se trata de um
grupo de homens vinculados a um princípio comum e voltados para a satisfação do
bem comum. Assim, teoricamente o partido constitui-se de homens que se unem
para a promoção, pelo seu esforço conjunto, do interesse nacional com base em
algum princípio com o qual concordam. Esses homens devem governar para todos e
não apenas para aqueles que o elegeram.[iv]
Os partidos, ainda que tenham surgido a contragosto do
Estado e dos governos, surgiram principalmente por necessidade, já que algumas
funções que deveriam ser cumpridas e exercidas dentro de uma ordem institucional
estatal só poderiam ser cumpridas por eles, transformando-os, portanto, em
instituições políticas com a função de “expressão”, ou seja, deveriam servir de
canal dialógico do povo em direção ao governo. Dessa forma, os partidos
transformaram as demandas do povo em atitudes junto ao governo. Trata-se de um
canal de baixo para cima (povo ® governo), ainda que, em geral, os partidos
surjam, de cima para baixo. Então, a partir do século XIX, os partidos
começaram a surgir nas democracias ocidentais, principalmente exercendo essas
funções dialógicas.
Já Downs (1999), acredita que não há bem comum e que o
sistema político visa apenas o poder e seus benefícios, logo, a função do
partido não é expressar as demandas da sociedade, mas apenas ser um instrumento
para se conquistar o poder. Aldrich (1995), também procura explicar o
surgimento dos partidos, em especial nos EUA. Ele crê que os partidos nasceram
com outras funções como a ocupação dos cargos públicos, a mobilização do
eleitor e a atuação dentro do governo.
Os partidos podem ter duas origens, quais sejam: aqueles que
surgiram dentro dos parlamentos, por meio de grupos que já existiam muito antes
dos próprios partidos, chamados de partidos de elite, e aqueles
extra-Parlamento ou partidos de massa, ou seja, são aqueles formados a partir
da convergência de grupos sociais em defesa de interesses coletivos. Já os
partidos de elite, nada mais são do que grupos de parlamentares que tinham
comitês eleitorais que funcionavam apenas em épocas de eleição. Ambos podem ser
considerados como partidos políticos modernos podendo ser descritos, sem grande
exagero, como filhos da Primeira e da Segunda Revolução Industrial,
respectivamente (DUVERGER, 1967).
Já Sartori (1976), diz que na Inglaterra dos séculos XVIII e
XIX, o sistema partidário seguiu um modelo ininterrupto e linear convivendo
desde cedo com um governo responsável representado pela monarquia
constitucional e com os grupos parlamentares que, aos poucos, constituíram-se
enquanto partidos no Parlamento. Assim, o monarca tinha que, permanentemente,
prestar contas ao parlamento sobre seu governo. Nessas condições surgiram os
partidos, isto é, numa ilha isolada do restante do continente europeu, sob a
revolução industrial e com uma sociedade homogênea. Em 1832, com a reforma
eleitoral inglesa, começou a ocorrer alterações no sistema político. Com a
expansão do direito ao voto, os grupos parlamentares passaram, então, a buscar
votos e foram se tornando partidos eleitorais ou grupos parlamentares com
comitês eleitorais.
O certo é que a expansão dos partidos foi contínua e os
mesmos foram se fortalecendo com a continuidade das eleições. O governo, a
partir de então, tornou-se um governo sensível, principalmente porque o voto
passou a pressupor atitudes práticas no sentido de atender às reivindicações
sociais. Daí, a função de expressão dos partidos às demandas reivindicatórias
da população. Dessa forma, os partidos podem ser entendidos como canais de
expressão da sociedade junto ao governo.
Pode-se também dizer que os partidos políticos pertencem, em
primeiro lugar e, principalmente, aos meios de representação, sendo um
instrumento ou uma agência de representação do povo, expressando suas demandas
e/ou reivindicações. O governo, por sua vez, torna-se partidário, pois é o
partido que passa a governar. Assim, esse processo de consolidação tornou os
partidos em partidos de massa, sendo que a queda das barreiras eleitorais[v]
levou ao surgimento de partidos de cunho trabalhista, comunista, socialista
etc.
A questão chave para se definir um partido político está nas
suas origens. Sendo assim, existem partidos que surgiram no Parlamento,
chamados de partidos de elite. São descentralizados e seus parlamentares
possuem grande autonomia diante do partido, sendo cada um dono de um comitê
eleitoral próprio. Há também aqueles partidos extra-Parlamento, classificados
como partidos de massa. Estes possuem objetivos maiores do que simplesmente
alcançar o poder, pois pretendem transformar toda a estrutura social (DUVERGER,
1967) como, por exemplo, o Partido Socialista Francês que objetivava não só
levar a classe trabalhadora ao poder, mas também criar uma sociedade
socialista. Nesse sentido, o Parlamento era apenas a via para a revolução.
Trata-se de partidos que possuem uma estrutura permanente, funcionando não só
em períodos de eleição, o que lhes força a ter, portanto, sua própria
burocracia. Processo que vai de encontro ao racionalismo weberiano e à sua
teoria da gaiola de ferro.
No contexto europeu, onde a sociedade era extremamente
estratificada, hierarquizada e os trabalhadores demoraram muito a serem
integrados na sociedade e no sistema político, nasceram vários partidos de
massa. Diferentemente dos EUA, onde o processo de inserção das massas
trabalhadoras se deu mais rapidamente, daí não existirem por lá partidos
socialistas ou de massa.[vi] A definição de um partido pode ser dada pela sua
origem, como partido burguês ou partido operário. Pode se dar também pelos seus
fins e objetivos, como partido socialista ou partido liberal. Mas, a melhor
definição é aquela, centrada na forma de se angariar os votos e ganhar
eleições, o que distingue um partido político de um sindicato ou de uma
associação, ou seja, ele se caracteriza principalmente pelo fato de existir,
prioritariamente, para ganhar eleições.[vii]
Então, o que é mais importante? A origem do partido, como
defende Sartori (1976), ou o ciclo eleitoral, como defende Downs (1999)?
Pode-se dizer que, independente da origem do partido, dentro do ciclo eleitoral
o que interessa é o voto, tanto para partidos de elite como para os partidos de
massa. Para os pensadores políticos americanos, os partidos de massa tendem a
se aproximar dos partidos de elite dentro da competição eleitoral e não o
contrário. Em contrapartida, os partidos de elite perceberam que deveriam se
organizar como os partidos de massa para poder competir pelos votos dos
eleitores, com maior eficiência. Enfim,
existem diversas abordagens ou “approachs” para explicar o desenvolvimento, a
evolução e a consolidação dos partidos políticos, sendo que as mais conhecidas
são a institucional, a sociológica e a da escolha racional.
A abordagem institucional defende que, após a queda do
Antigo Regime, após a Revolução Industrial e após a emancipação das colônias
européias na América, apareceram no cenário político europeu os partidos
políticos modernos. Mas, que partidos surgiram? Eram quantos partidos? E quais
eram as regras do jogo político-institucional? Para responder a esses
questionamentos é preciso entender que as regras institucionalizadas tiveram
enorme influência sobre a formação dos partidos, como o voto obrigatório ou
facultativo, ou se havia ou não fidelidade partidária. Logo, as regras
institucionais geram comportamentos partidários e eleitorais diferenciados. O
partido, como ator político, joga de acordo com as regras, o que significa que
as disputas em torno destas regras são, muitas vezes, mais importantes que as
próprias eleições. Se o partido ganha a batalha pelas regras, ele deverá,
então, ganhar a disputa eleitoral.
Há uma variável muito importante na definição dos sistemas
partidários, qual seja: o sistema eleitoral, que é uma variável independente
dentro do processo político, enquanto o sistema partidário, ao contrário, é uma
variável dependente. Por exemplo, os sistemas eleitorais distritais e
majoritários que se diferenciam dos sistemas proporcionais. Como conseqüência
dessa distinção entre os dois sistemas é possível identificar que, se a função
do sistema eleitoral é transformar os votos em cadeiras parlamentares, no
sistema distrital, que vigora no mundo anglo-saxão, divide-se o país em
pequenos distritos e se estabelece que os eleitores destes distritos só podem
votar em candidatos do seu próprio distrito.[viii] Já no caso de eleições
proporcionais para o Parlamento, define-se, previamente, o número de
parlamentares que serão eleitos por um distrito bem mais amplo geograficamente,
ficando o eleitor livre para dar seu voto a qualquer um candidato (DUVERGER,
1967). O sistema distrital também favorece a formação de maioria por um partido
no Parlamento, ainda que, muitas vezes, ele pode não produzir essa maioria,
como já ocorreu na Inglaterra várias vezes, por exemplo.
A regra do voto distrital para eleições majoritárias pode se
diferenciar em subtipos, como o distrital puro, quando se tem o mesmo número de
eleitos pelos vários distritos, sendo que o eleito é o mais votado, mesmo não
alcançando a maioria dos votos. No modelo de voto distrital de maioria simples,
o mais votado, com a maioria simples dos votos, é o eleito. E, por fim, no
distrital de maioria absoluta ocorre um segundo turno com os dois candidatos
mais votados.
No sistema proporcional, se divide o país em distritos e os
eleitores votam em quem quiserem dentro dos seus respectivos distritos, sendo
que as cadeiras do parlamento são divididas proporcionalmente ao número de
eleitores de cada distrito e ao número de votos de cada partido. Dependendo do
sistema eleitoral, vota-se em partidos (lista fechada) ou em candidatos (lista
aberta).
Duverger (1967), em sua primeira lei sobre os sistemas
partidários, a “Lei de Bronze da Política”, parte da premissa de que a
tendência natural da sociedade é o dualismo, o que conduz ao bipartidarismo.
Para ele, o sistema de maioria simples leva a um sistema de dois partidos. Isso
porque vai se ter sempre uma situação e uma oposição, sendo que a tentativa de
se criar um terceiro partido é muito difícil, como, por exemplo, os
trabalhistas e os conservadores na Inglaterra, e os democratas e republicanos
nos EUA. Esse sistema tem dois efeitos sobre os partidos menores, quais sejam:
primeiramente, mesmo que os partidos pequenos tenham votos em todos os
distritos, dificilmente ganham a eleição em algum distrito, logo, o sistema
funciona como uma barreira a estes partidos. Em segundo lugar, tem o efeito
psicológico sobre o eleitor que tende a votar sempre em partidos que tenham a
expectativa de vencer as eleições, é o “voto útil”, daí então o bipartidarismo.
Na sua Segunda Lei sobre os sistemas partidários, Duverger
(1967) defende que onde se adota a representação proporcional tende-se ao
multipartidarismo. Isso porque as cadeiras no parlamento são distribuídas entre
todos os partidos proporcionalmente ao número de votos de cada um. Os eleitores
dos partidos pequenos, então, têm a perspectiva do crescimento da
representatividade do partido[ix]. Entretanto, essas teses de Duverger, foram
questionadas, já que existem outros aspectos do arranjo institucional que
influenciam no sistema partidário. De qualquer maneira, fica claro que o
sistema de voto distrital favorece a formação de um sistema bipartidário e, por
outro lado, o sistema proporcional favorece a formação de um sistema
multipartidário.
A segunda abordagem a respeito dos partidos políticos é a
sociológica. Segundo Lipset & Rokkan (1967), que fazem essa sociológica da
origem do sistema político-partidário, com base no modelo europeu, partem do
ponto de vista de que essa discussão deve se dar a partir do contexto social,
isto é, deve passar pelas instituições e se encerrar nos principais atores do
processo, quais sejam: os partidos políticos. Já Aldrich (1995), considera que
a origem do sistema político-partidário se dá a partir dos atores, passando
então pelas instituições e se encerrando no contexto social. Na verdade é só
uma questão de pontos de partida diferenciados para a mesma abordagem.
Lipset & Rokkan (1967), buscam entender o sistema
partidário europeu e sua força. Para eles, os partidos são fortes porque estão
extremamente enraizados na sociedade. Trata-se de um sistema partidário
ancorado nas clivagens sociais, por isso, são duradouros e sólidos. Logo,
acreditam que a origem dos partidos está nas diversas clivagens presentes na
sociedade européia, como o conflito capital-trabalho ou a questão nacionalista
e religiosa, por exemplo. Em alguns países da Europa o sistema partidário é
praticamente o mesmo de 1890 a 1980, sobrevivendo inclusive aos períodos da
Primeira e Segunda Guerra Mundiais. Já a partir dos anos de 1990 esse sistema
partidário europeu entrou em crise e tem se alterado, cada vez mais, perdendo
seus componentes ideológicos, principalmente porque têm adotado políticas
totalmente diversas daquelas que defendiam nas suas origens. Um exemplo desse fenômeno
é o Labor Party que, inicialmente era ardoroso defensor do Welfare State
social-democrata e, hoje, adota políticas, cada vez mais liberais.
Essas alterações têm mostrado que o que antes era caro aos
partidos europeus, ou seja, suas concepções ideológicas e seus projetos,
atualmente tornou-se passível de ser negociado. Antes da crise do modelo
social-democrata, as clivagens que envolviam interesses eram mais facilmente
barganhadas. Um bom exemplo dessa negociação de interesses é o que envolve os
salários. Já as clivagens em torno da ideologia e dos valores eram mais rígidas
e difíceis de se negociar, como, por exemplo, as concepções políticas, a
religião, a língua etc.
Outro tipo de interesse que define as clivagens da sociedade
européia é o nacionalismo, que surgiu na Europa a partir do momento em que as
elites nacionais não conseguiram mais impor seus interesses e valores. Ele
submeteu os interesses ainda herdados da estrutura feudal e da Igreja. Num
primeiro momento, entre os séculos XVI e XVII, houve a formação dos Estados
nacionais. Já, num segundo momento, que se deu entre os séculos XVIII e XIX,
ocorreram as revoluções liberais. Dessa revolução nacional, onde se deu o
processo de afirmação dos Estados, originaram-se duas clivagens sociais: centro/periferia,
como as elites canadenses versus as elites quebequianas ou, como as elites
nacionais espanholas versus os bascos e, ainda, Estado/Igreja, através da
disputa pelo monopólio da educação.
A revolução industrial deu origem a duas outras clivagens,
quais sejam: (i) campo/cidade, como a disputa sobre as taxas de produtos
agrícolas e subsídios entre donos de terras, camponeses, burguesia e
operariado. Trata-se, portanto, de uma clivagem do tipo territorial e; (ii)
capital/ trabalho, onde se opõem empresários e trabalhadores. Trata-se, neste
caso, de uma clivagem do tipo funcional.
A clivagem capital/trabalho se manifestou em todos os
estados europeus, visto que todos eles possuem partidos socialistas e/ou
trabalhistas. Os EUA, por sua vez, não tiveram essa clivagem na constituição de
seu sistema partidário e essa ausência da clivagem capital/trabalho se explica
porque a sociedade americana era aberta, com grandes possibilidades de
mobilidade social ascendente por meio de grandes oportunidades de emprego,
negócios e terras. O cenário europeu é bem diferente, pois sua sociedade era
mais fechada, pela própria herança feudal marcada pela presença da nobreza e
pela importância dada aos títulos nobiliárquicos. Lipset & Rokkan (1967),
buscam as origens sociológicas para explicar os sistemas partidários europeus
no século XVIII. Já as clivagens centro/periferia, Estado/Igreja e campo/cidade
não se manifestaram em todos os estados europeus.[x]
Para que os partidos se originassem foi necessário que a
sociedade superasse quatro grandes barreiras, quais sejam: (i) a legitimação do
protesto que envolve o limite de aceitação da elite aos protestos e à oposição
política;[xi] (ii) a incorporação do protesto, isto é, quem pode protestar e
até que ponto a elite incorpora o protesto? Como, por exemplo, o direito de
voto que, primeiramente, era só para os homens, tornando-se, posteriormente,
universal; (iii) a representação política dos que protestam, ou seja, entre
aqueles que protestam, quem pode ter representatividade política partidária e
parlamentar? Nesse sentido, o voto majoritário, o voto proporcional e as
cláusulas de barreira são instrumentos que regulam o direito à
representatividade política; e (iv) o sistema de governo, que define quais os
limites dos poderes da maioria. Assim, os partidos políticos surgiram das
clivagens sociais, mas precisaram superar essas barreiras institucionais que
lhes foram impostas. Por isso, os sistemas partidários europeus não são iguais,
tanto por refletir clivagens sociais diferenciadas, como também pelo nível de
dificuldade de superar as barreiras. Como na França, onde o voto era, no começo
do século XX, distrital com dois turnos, dificultando a vitória do Partido
Socialista ou, na Inglaterra, onde o sistema era distrital de maioria simples e
também dificultava a ascensão do Labor Party que tinha que disputar eleições
com liberais e conservadores. A possibilidade que o Labor Party encontrou para
crescer foi, então, aproveitando-se do conflito entre liberais e conservadores.
Já na Bélgica, os partidos de elite estão ligados a clivagens religiosas e o
conflito entre eles era tão feroz que possibilitou a ascensão do Partido
Socialista. Assim, o sistema eleitoral não é uma barreira impossível de ser
superada, mas sim os obstáculos de cunho social e institucional.
Se Duverger (1967) entende que o sistema eleitoral também
contribui para o surgimento dos partidos, Lipset & Rokkan (1967) afirmam
que os partidos se originam antes do estabelecimento do sistema eleitoral.
Então, que razões realmente explicam o surgimento dos partidos? Primeiramente, podemos dizer que o surgimento
dos partidos políticos depende da capacidade ou não dos atores políticos
(elite, trabalhadores, camponeses etc) de assimilarem o processo político, bem
como das grandes clivagens sociais que se manifestaram de maneiras diferentes
em cada um dos estados europeus, como centro/periferia, Estado/Igreja e
campo/cidade, transformarem-se em instituições político-partidárias.
A clivagem capital/trabalho se fez presente em todos os
estados europeus. Portanto, não se pode distinguir os sistemas partidários
europeus por essa clivagem, pois ela é unificadora. Pode-se sim, distinguí-los
a partir das três outras clivagens. A clivagem capital/trabalho pode, apenas,
distinguir os padrões e as características dos partidos socialistas e
trabalhistas europeus, ou seja, se são mais moderados ou mais radicais e, se
são mais coesos ou não. É uma clivagem que se manifesta desde a Revolução Industrial
em princípios do século XIX.[xii] Os governos perceberam que o custo de
reprimir os movimentos trabalhistas poderia ser a revolução, como aconteceu com
a França (1870), com a Alemanha (1912) e com a Rússia (1917), já o custo de
tolerá-los era menor, ou seja, gerava, no máximo, o nascimento de partidos
trabalhistas inseridos no sistema político-partidário. Nos EUA, ao contrário,
as clivagens não se manifestaram ou se expressaram no seu sistema
partidário.[xiii]
Outra conclusão de Lipset & Rokkan (1967), é que o
sistema partidário europeu esteve, durante muito tempo, congelado. Isso se deu
por causa da força das clivagens, gerando um sistema partidário estável com
partidos que conseguiram superar as revoluções, as guerras e as crises. Eles
sobreviveram às inúmeras barreiras institucionais e conjunturais porque tinham
lastro social. Mas a partir da década de 1970, iniciou-se um processo de degelo
do sistema partidário europeu com uma enorme migração de eleitores de um
espectro ideológico para outro.
Por fim, a terceira e última abordagem a respeito dos
partidos políticos é a da escolha racional. Segundo Downs (1999), a análise dos
sistemas partidários deve partir de um modelo que não seja uma simples
descrição do mundo real. Isso, porque ele parte da premissa de que todo homem é
primordialmente egoísta, assim sendo, acredita que na política se deve usar a
lógica econômica do comportamento racional, através, primeiramente, da análise
dos fins, isto é, o objetivo maior é ganhar eleições, em seguida, da análise
dos meios para se alcançar os fins, qual seja, os partidos políticos e,
finalmente, a análise da racionalização dos meios para se alcançar os fins.
Para se entender a realidade deve-se simplificá-la, logo, a
teoria da escolha racional tem grande utilidade, pois busca explicar a
realidade pressupondo que os interesses pessoais se sobrepõem aos interesses
coletivos. Esse comportamento racional exige informações para que se possa
escolher o melhor dos meios para se alcançar os fins. A racionalidade, portanto,
depende dos objetivos finais.
A partir dessa abordagem da escolha racional pode-se definir
um partido político como uma coalizão de homens que busca controlar o governo
através das eleições, e esse controle da máquina pública governamental é importante
porque permite ao partido ter acesso à renda, prestígio e poder. Os partidos,
assim, formulam políticas para chegar ao poder, fazendo da política um meio e
do poder, o fim. Logo, o partido não busca o poder para formular e implementar
uma política, pois, nesse caso, o poder seria o meio, e a política, os fins.
Assim sendo, pode-se deduzir que os cargos públicos são, numa sociedade
capitalista, subproduto dos interesses privados. Enfim, os partidos buscam os
votos e, para isso, precisam formular políticas. Políticas essas, que não são
para atender demandas sociais, mas para se conseguir votos e, se para conseguir
votos, as políticas devem procurar atender algumas demandas específicas da
sociedade, então os partidos podem adotá-las, mas apenas como meio de se ganhar
eleições (DOWNS, 1999).
Nessa abordagem da escolha racional não há uma preocupação
com o fato de os partidos serem um reflexo das clivagens sociais, porque se
acredita que os mesmos estão mais interessados em, através dos votos, ganhar
eleições e chegar ao poder para obter renda, prestígio e poder. Logo, define-se
o partido a partir do seu objetivo, isto porque, se entende que o eleitor não
votaria sob o ponto de vista de que seu voto tem um valor infinitesimal, mas
que o voto depende, fundamentalmente, do custo e do benefício que irá produzir
para o eleitor.
Aldrich (1995), articula de maneira mais clara os três
fatores que explicam os sistemas partidários, quais sejam: atores sociais,
instituições e o contexto político-econômico. Ele busca definir os partidos
políticos a partir dos meios, defendendo que os mesmos criaram-se dentro da
democracia e que ela só existe com os partidos. Outros estudiosos do tema
entendem que a democracia é impraticável sem os partidos e defendem que todas
as democracias existentes em repúblicas liberais contemporâneas e em nações
democráticas possuem partidos políticos. Para todos eles, para ser uma
democracia verdadeira é preciso que qualquer líder de nação concilie os
interesses públicos com as suas aspirações políticas e isso, só é possível
através dos partidos políticos, ao menos em geral.
Os líderes eleitos, por receberem o poder político do povo,
devem primeiro prestar contas ao povo, sendo, portanto, responsivos e
accountables. Cada político eleito deve ser responsável por suas ações pessoais
perante aqueles que o elegeram e/ou reelegeram, mas as ações políticas do seu
governo acabam sendo determinadas pelas ações coletivas de muitos indivíduos
que ocupam os cargos públicos. Dessa forma, nenhum político deve tomar decisões
só pelas casas parlamentares, [xiv] mas pelas decisões coletivas de suas bases
(DOWNS, 1999). Logo, o único caminho existente para assumir responsabilidades
públicas é através dos partidos políticos, e essa responsabilidade exige que sejam
partidos políticos coesos. Da mesma forma que, a única forma de se competir nas
eleições é através da responsabilidade.
Nos EUA, muitos acadêmicos, analistas, políticos e membros
do governo, põem a culpa das doenças políticas contemporâneas nos governos
aparentemente incapazes de resolver problemas críticos e à falta de fé, apatia
e/ou alienação dos próprios políticos, que talvez seja a maior falha dos dois
maiores partidos americanos. Percebe-se que os membros do Congresso estão muito
mais preocupados com sua própria reeleição ainda que, às vezes, também pensem
no bem público. O presidente, por sua vez, se preocupa com sua própria
popularidade, gastando pouco tempo para liderar a nação e quando ele o faz, o
Congresso acha impossível convencer a maioria da necessidade de se votar os
projetos do Executivo (ALDRICH, 1995).
Os partidos majoritários – Republicano e Democrata –, então,
passaram a aprovar suas próprias iniciativas ou formaram compromissos de
trabalho com o Congresso. Partidos divididos e sob o controle do governo são
regra, nos EUA, desde 1952 ou, pelo menos, desde 1968, com controle unificado
das eleições, onde os candidatos são centralizados, transformando e manipulando
politicamente, personalidades e imagens, especialmente por meio do uso intenso
do marketing. Por outro lado, as plataformas partidárias são pouco discutidas
nas convenções, para que sejam aprovadas rapidamente e os líderes partidários
esperam, sem controvérsias, a atenção da mídia, desejando que a convenção possa
se direcionar apenas aos negócios mais importantes. A última censura a esses
partidos resultou no enfraquecimento do maior partido americano, qual seja, o
Republicano que, somente no final dos anos 1990 retornou ao poder com a eleição
do presidente Bush, vindo logo após a perder novamente para os democratas que
elegeram Bill Clinton. Estes, só deixaram a Casa Branca e perderam a maioria no
Capitólio[xv] porque os republicanos lançaram mão de uma manobra eleitoral
marcada por fraudes na contabilização dos votos, manipulação da mídia
televisiva, divulgando nas vésperas do pleito resultados falsos de pesquisas
eleitorais, em especial, através da FOX-NEWS[xvi] e o uso do Poder Judiciário
como forma de cercear o direito ao voto, principalmente da enorme população de
negros e latinos da Flórida. O resultado disso tudo foi o descrédito à
democracia norte-americana perante a opinião pública mundial, colocando seu
sistema político sob suspeição de ser realmente capaz de absorver e refletir as
grandes demandas da sociedade.
NOTAS
[i] Partire ou “partido”, termo que prestou-se a um uso mais
impreciso e obscuro. “Partido” transmite, basicamente, a idéia de parte, e
parte não é, em si, uma palavra depreciativa (SARTORI, 1976).
[ii] “Um partido sedioso num Estado”.
[iii] Claro que aqui estamos falando de partidos políticos
que aceitam as regras do jogo político-institucional e disputando esse jogo
segundo essas regras. Existem, contudo, partidos que defendem a revolução como
forma de alcançar o poder e, por isso, não participam do jogo político que
acreditam possuir regras que favorecem àqueles grupos ligados às elites
políticas e econômicas, por isso, defendem a ruptura da ordem
político-institucional vigente.
[iv] Nesse sentido, o ex-Presidente Collor governou só para
uma facção ou grupo de interesses (privados), o mesmo se deu com o
ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso que, entretanto, soube articular uma
coalizão de partidos que lhe serviu, por dois mandatos, como base de
sustentação parlamentar, o que Collor não soube fazer. Já o Presidente Lula,
apesar de buscar governar para todos, tem enfrentado sérias crises relacionadas
à dificuldade de setores de seu próprio partido (PT) que não aceitam que seu
governo adote uma política diferente daquela pregada pelo partido ao longo de mais
de 20 anos e, também, de não conseguir implementar uma verdadeira coalizão
partidária que lhe dê a sustentação necessária dentro do Parlamento.
[v] Barreiras do tipo econômicas (voto censitário),
hereditárias (parte das cadeiras no Parlamento destinadas à nobreza sem
necessidade de eleição, passando-se a vaga hereditariamente para o seu herdeiro
ou sucessor, como perdurou na Inglaterra até meados dos anos 1990) e de gênero
(exclusão das mulheres).
[vi] O Partido Comunista dos EUA é um dos maiores do mundo,
contudo, não tem força eleitoral suficiente para conquistar cadeiras no
Parlamento, ficando restrito à participação em alguns setores sociais ligados
ao proletariado.
[vii] Pode-se dizer que os mais de trinta partidos políticos
brasileiros existem, prioritariamente, para isso, inclusive os de massa como o
PT e o PC do B.
[viii] No caso do Brasil, os estados são os distritos
eleitorais.
[ix] O Partido dos Trabalhadores (PT), no Brasil, evoluiu de
16 para 35 cadeiras, entre sua primeira e sua segunda participação nas eleições
proporcionais para o Congresso Nacional, depois para 50 cadeiras em sua
terceira participação, 60 na quarta e, finalmente, hoje, possui 90 cadeiras.
[x] Os partidos de elite também passam pela estrutura
social, mas nascem da própria elite. Por isso, o que mais interessa nessa
análise a respeito da origem dos partidos, são aqueles considerados de massa.
xi O grau de legitimação do protesto era bem maior, por
exemplo, diante do rei inglês do que diante do Czar russo.
[xii] Como o Movimento Cartista em 1830, na Inglaterra.
[xiii] No caso brasileiro, talvez somente o Partido
Comunista Brasileiro e o Partido dos Trabalhadores sejam fruto de uma clivagem
social, isto é, capital/trabalho.
[xiv] O Parlamento pode ser bicameral, como no Brasil e nos
EUA, ou pode ser unicameral como na Espanha.
[xv] Denominação dada ao Parlamento ou Congresso
Norte-americano.
[xvi] Canal de TV norte-americano que tem como Diretor
responsável pelo jornalismo político um primo do presidente George W. Bush
(MOORE, 2002).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALDRICH,
John H.. Why Parties? The origin and transformation of political parties in
America. University of Chicago Press. 1995.
DOWNS, Anthony. Uma Teoria Econômica da Democracia.Edusp.
1999.
DUVERGER, Maurice. Os Partidos Políticos. Ed. Guanabara. 1967.
LIPSET,
Seymour and ROKKAN, Stein. Clivage Structure, Party Systems, and Voter
Alignments, in Lipset and Rokkan (org.), Party Sistem and Voter Alignment. The
Free Press. 1967.
MOORE,
Michael. September Eleven – Farenheit. Filme documentário. 2002.
SARTORI, Giovanni. Partidos e Sistemas Partidários. UNB.
1976.
WEBER, Max. Ciência e Política: duas vocações. São Paulo,
Cultrix. 1972.
__________. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.
Tradução de Pietro Nassetti. São Paulo, Editora Martin Claret. 2003.
RESUMO: A origem, consolidação e queda dos partidos
políticos é analisada a partir de três grandes abordagens: a institucional, a
sociológica e a da escolha racional. Através destas três linhas analíticas a respeito
dos partidos, como instituições políticas fundamentais à democracia moderna, é
possível identificar os elementos que constituem a formação dos grandes
partidos de massa, bem como os fatores que explicam suas crises identitárias e,
conseqüente seu enfraquecimento dentro da arena política e eleitoral.
ABSTRACT:
The origin, consolidation and fall of the political parties is analyzed
starting from three great abordages: the institutional, the sociological and
the one of the rational choice. Through these three analytic lines regarding
the parties, as fundamental political institutions to the modern democracy, is
possible to identify the elements that constitute the formation of the great
mass parties, as well as the factors that explain its identity crises and,
consequent weakening inside of the political and electoral arena.
PALAVRAS-CHAVE: Partidos políticos, eleições, sistemas
partidários, política, instituições políticas.
Marcadores:
Dimas Enéas Soares Ferreira
Na crise terminal em que se encontra a Grécia, a Alemanha
age como guardiã dos interesses dos banqueiros e empurra o país grego para o
abismo.
Habermas lembra num artigo no El País desse domingo que
"a Alemanha deve o impulso inicial para sua decolagem econômica, do qual
ainda se alimenta hoje, à generosidade dos países credores que no Tratado de
Londres, de 1954, perdoaram mais ou menos a metade de suas dívidas".
Os alemães esqueceram a lição da história em que foram
beneficiados. Impossível se recuperar de uma crise brutal sem o mínimo de
generosidade.
Cesar Sanson
sábado, 27 de junho de 2015
D'us
Otto Leopoldo Winck.Hoje não tenho tanta certeza se Deus existe. (E mesmo esta
questão não é tão simples assim. Que Deus? Um Deus pessoal, tripessoal,
distinto do mundo, igual ao mundo?). Mas sei o seguinte: se Deus existe, ele é
amor. Portanto nenhuma intolerância ou ódio podem ser pregados em seu nome.
Chico Lopes Eu sou agnóstico: acho que Ele existe, mas não
tá nem aí. Minha crença mística é na Mãe. A religião sempre me atraiu mais
pelos símbolos femininos (as muitas imagens de Maria) do que pelos masculinos.
O Deus do Velho Testamento é um pai furioso, vingativo e injusto. O do Novo é
doce, procura se parecer aos homens (e seu calvário é este). O apóstolo João
disse isso literalmente: "Deus é amor". Mas o Deus do Velho é o que
reina no Brasil, atualmente. Essa gente só destila ódio.
Otto Leopoldo Winck É verdade, Chico. A masculinização da
imagem de Deus é um dos problemas. E mesmo assim, Chico, não há só uma imagem
de Deus no Antigo Testamento. Existe o Deus do Pentateuco, severo, rigorista, e
o Deus dos profetas, sobretudo o de Isaías, que se aproxima do Deus do Novo
testamento: "Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que
cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se
esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti." Isaías 49:15. Veja
aí como Deus é comparado aí a uma mãe!
Alcebíades Cid Pereira Prometeu acorrentado por amor ao
homem..Deuses vingativos.
Jesus resumiu os dez mandamentos em dois:Amar a Deus sobre
todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo...Os religiosos o crucificaram
por isso.
João Vitor Deus é bondade, é amor, é fraternidade, é
empatia. Pra mim, Deus está representado nessas particularidades da vida. Segundo
a crença da variante de Umbanda que eu sigo, Deus teve diversas facetas pelo
mundo e em diversos momentos só que as pessoas são burras demais pra reconhecer
e acabam crucificando eles (só Jesus foi literalmente).
Otto Leopoldo Winck Santo Agostinho tinha muitos problemas
(seu maniqueísmo, seu platonismo...) mas sintetizou este mandamento de Jesus de
modo genial: "Ama e fazes o que queres..."
Jorge Luiz Fonseca Acabou consolidando a bobagem do
purgatório(dizem as más línguas que para livrar a cara da mãe que era
pecadora). Mas mil vezes ele do que outros. Não sabia que vc tinha feito
teologia. Agora vc que estudou realmente o assunto pode elucidá-lo melhor.
Otto Leopoldo Winck Altas discussões teológicas já cedo, rs.
Hoje o dia começou bem!
sábado, 30 de maio de 2015
Dialogo com Guimarães Rosa
"... nós, os homens do sertão, somos fabulistas por natureza. Está no nosso sangue narrar estórias; já no berço recebemos esse dom para toda a vida. Desde pequenos, estamos constantemente escutando as narrativas multicoloridas dos velhos, os contos e lendas, e também nos criamos em um mundo que às vezes pode se assemelhar a uma lenda cruel. Deste modo a gente se habitua, e narra estórias que corre por nossas veias e penetra em nosso corpo, em nossa alma, porque o sertão é a alma de seus homens (...) Eu trazia sempre os ouvidos atentos, escutava todo o que podia e comecei a transformar em lenda o ambiente que me rodeava, porque este, em sua essência, era e continua sendo uma lenda."
- João Guimarães Rosa, em entrevista a Günter Lorenz - "Dialogo com Guimarães Rosa".
saibam que tudo aqui é falso:
a minha pele, a ruptura do corte
a minha fala, a perda de limites
a minha casa, um antro de vazios.
a minha pele, a ruptura do corte
a minha fala, a perda de limites
a minha casa, um antro de vazios.
minha poesia, o rasgo da censura!"
RR
RR
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Depoimento de policial civil pra Ismael de Freitas
Depoimento de policial civil pra Ismael de
Freitas - via Cláudio DeNipoti:
"Ele (o Beto Richa) tá acabando com as polícias,
principalmente a PM. Eu compro caneta, grampo de grampeador, pacotes plásticos
entre outras coisas pra poder trabalhar, coisas que o Estado tinha que dar. As
viaturas estão podres e a bandidagem anda de carrão. Isso sem falar a
exploração nas escalas de serviço que não respeitam o período de descanso
previsto em lei. Na PC tem polícias sem escola e sem armas trabalhando com
presos. Minha arma é própria. Comprei porque faço plantão e volta e meia a
carceragem fica lotada. Lido com preso direto. E se a gente reclama, ameaçam de
mandar pra outra cidade. E na TV só propaganda bonita."
Lara Sfair
domingo, 26 de abril de 2015
Roubar aposentados
Roubar aposentados em caixas ou em saída de bancos é algo
que ouvimos nos jornais com certa frequência, mas um governador de Estado
roubar todos de uma vez e tentar com seus comparsas legalizar o roubo não e tão
comum. Pois e isso que Richa/PSDB quer fazer esta semana no Paraná. Pra
garantir o crime perfeito manda colocar todo o efetivo da polícia no centro
cívico nesta segunda, pois assim poderia roubar com tranquilidade o dinheiro da
aposentadoria dos servidores do estado. Na primeira tentativa de cometer seu
crime não conseguiu e agora vai tentar novamente. Se neste estado a lei fosse
para todos ele (governador) poderia ser preso e condenado, assim como os que
roubam aposentados em caixas ou nas saídas de banco. Como sabemos que a lei nem
sempre é pra todos resta a mobilização e disposição de luta dos servidores pra
impedir mais uma vez esse crime!
Augusto Franco
quarta-feira, 8 de abril de 2015
O Julgamento do Exu Koba
Wilson Nogueira A terrorista que atirou em Lênin , o fez a
mando de Stálin ? A saúde debilitada de lênin favoreceu seu derrame.Stálin é
culpado do derrame de Lênin ?Os trotskistas, como todos os intelectuais,
possuem uma imaginação muito fértil.Provas existem ou é delação premiada
psicografada do além ?
João Sassi Eu não entendi o que o camarada aí quis dizer;
imaginação fértil é contra-indicado? Melhor é aceitar o mundo como ele é, sem
ousadia ou desejo de mudança?
Não sou nenhum stalinista , foi só uma
provocação aos meus amigos trotskistas dando o direito de defesa ao espírito do
exu Koba.Para descontrair um pouco, afinal existe tanto desrespeito, insultos e
sectarismos na web que as pessoas esqueceram um pouco do humor
Cynara Menezes vai para koba! hahahah
Wilson Nogueira Fiz uma ironia inclusive com o procedimento
de Stálin quanto sua famosa autocritica e senso de justiça. João , desejo de Mudança ( só se for mudar
os kulaks pra outro mundo ), mudança quinquenal de burocratas que colocassem o
pescoço acima dos ombros de Stálin ( toda sombra que não fosse a dele era
suspeita, depois de um tempo a própria sombra confessou que participara de um
complot para assassiná-lo .rss)
João Sassi É fato, Wilson; está por nascer ser mais
paranoico...
Mauricio Exenberger Stálin não liderou a revolução. Só tomou
o poder depois...
Wilson Nogueira Ele foi fruto do seu meio. Diriam que
naquelas circunstancias foi o mal necessário.(pensando como um russo).Ele
nasceu do sal da terra , criou-se nas duras condições da russificação e no ódio
da aristocracia as classes "selvagens"-moujiks.Ele foi chorado por
milhões > Emoção por ele ter morrido?! um Estado policial personalista quase
autocrático como os dos czares.
Filho de sapateiro e lavadeira , georgiano
(um povo tido como sendo de assassinos e salteadores pelo senso comum russo da
época ) criado na ortodoxia de um colégio interno religioso russificante.Não é uma questão de perdoar sua tonelada de
cadáveres desnecessários e sim entender seu perfil.
Pedro Junior Trotski bem que poderia ter aceito a ser
secretário geral, não imaginava que a revolução teria esse destino cruel...
Cynara Menezes à luz da psicanálise, um sujeito problemático
com mania de perseguição. traços de psicopatia claros
Wilson Nogueira Um fruto do meio também.O estado patológico pode ser construído
Cynara ?
Acha que outras nacionalidades do império
russo não eram de fato perseguidas ?Espancadas , humilhadas. O ódio pode ser
ensinado socialmente e absorvido em sua psyque ?
Cynara Menezes me parece que tinha problemas desde a
infância. em relação aos demais, me parecia um pouco complexado com sua
formação
Wilson Nogueira Não devemos descontextualizar. Não
convivemos com ele , temos suas biografias como base , inclusive para
diagnósticos.Repito, nada disso diminui sua mania em
resolver questões práticas com a eliminação autocrática de obstáculos
.Considerar a empatia, e outros traços de humanidade como fraquezas e exitações
diante da tarefa de construir o Estado que ele acreditava ser o preconizado pelos revolucionários que eliminaram do feudalismo czarista e sua multidão de servos maltrapilhos e famintos agora convertidos em cidadão de um país industrial, sem classes e forte .Se num país com as características da Rússia
de finais do século xix , uma pessoa pertencente a uma minoria étnica obrigada
a ter uma religião que não é a sua, a ser proibido de falar no seu idioma fora
de sua casa, seja preso para" averiguação" toda a semana, ser tratado
como cão (espancado e humilhado ) por qualquer funcionário público russo .
Cynara Menezes padura: trotski era um político, stalin um
psicopata. concordo http://socialistamorena.com.br/leonardo-padura-trotski.../
Socialista Morena » Leonardo Padura: “Trotski era um
político, Stalin era um...
SOCIALISTAMORENA.COM.BR
Wilson Nogueira Ele aprende a Ler , escondido tem acesso a
Marx, Engels e Conhece Lênin. Faz para a revolução o trabalho de assaltar os
bancos, assassinar funcionários imperiais da okhrana ou não, se destaca no que
faz, mas é visto como escória pelos intelectuais que eram mencheviques e mudaram a casaca tornando-se bolsheviques (como o intelectual Bronstein ).Esse homem de ação por não ficar gastando saliva e por não ter pulado de um barco para outro, sempre com Lenin , não quando por oportunismo politico decidiu, não seguir Lenin, mas estar com o líder da revolução como se também tivesse a mesma estatura. Stálin nunca Fez sombra a Lenin , Trotski contudo sim parecia disputar-lhe. Não lhe parece . Ass : Advogado do diabo ...
Uma pessoa que tenha passado o que Stalin
passou e ter cooperado com a revolução da forma como cooperou, ter agido com o
tirocinio e usado a arrogância de Bronstein, Kamenev e Zinoviev que
praticamente deram ao insignificante Koba o cargo de............... a partir
daí , eles caíram um a um. Culpa de Stálin ?
Cynara Menezes sim, é verdade, wilson. ao mesmo tempo que
ele era complexado, tanto lenin quanto trotski tinham preconceito com ele por
não ser intelectual. tanto que no texto trotski faz questão de chamá-lo
provinciano. no entanto, stalin era muito inteligente. impressionou inclusive o escritor hg wells. o que não muda minha opinião sobre ele como um líder totalitário e sanguinário http://www.newstatesman.com/.../h-g-wells-it-seems-me-i...
In 1934, Wells arrived in Moscow to meet a group of...
NEWSTATESMAN.COM
H G Wells:
“It seems to me that I am more to the Left than you, Mr Stalin”
In 1934,
Wells arrived in Moscow to meet a group of...
NEWSTATESMAN.COM
Wilson Nogueira Subestimaram o ignorante georgiano. A culpa
não é de Stálin que do além (muito mais quente do que na Rússia) manda
agradecimentos ao camarada Trotski e aos leais companheiros intelectuais
Kamenev e Zinoviev. Ele usou essa percepção que tinham dele ao
mesmo tempo que reforçava sua imagem de pessoa leal a toda prova ,e pronto para
executar (e sujar as mãos ) a serviço do partido e a seu Único Líder Lênin. Todo soldado raso aceita a mais dura
disciplina e respeita a hierarquia por que tem no horizonte a si como marechal.Isso é sim a imagem de um ditador edificando
um estado totalitário a sua imagem dentro do sistema de capitalismo de Estado.
Pronto exorcizei o Exu vermelho.Obrigado
pela sugestão de livros páginas e revistas.E grato pela paciência diante das
minhas provocações de camarada.E pelo respeito e civilidade que demonstraram
acima de tudo. Brinquei de advogado de São Koba num
julgamento que jamais defesa tiveram Trótski,Zinoviev, Kamenev... e tantos
outros expurgados menos famosos.Quando usei o nome Bronstein , ao invés da
alcunha de Trótski referi-me a uma certa acusação de que seria anti-semita.
(Será ? O criminoso util Beria também não teria origem judaica ?,seu
anti-semitismo acentuara na sua senilidade?no fim de sua vida). Coitado do
velho Koba dizem caluniosos que preparava um pógrom quando o capeta o chamara
para Secretario Geral.
Boa Noite
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