domingo, 28 de junho de 2015

ACERCA DOS PARTIDOS E DOS SISTEMAS PARTIDÁRIOS


Dimas Enéas Soares Ferreira*


A crise que se instaurou no Congresso Nacional brasileiro nos últimos meses vem comprovar aquilo que muitos já vinham alertando, ou seja, o sistema partidário e eleitoral brasileiro está refletindo suas enormes distorções e imperfeições na forma de crises cíclicas que colocam, cada vez mais, a imagem do Parlamento num patamar de grande descrédito perante a opinião pública. Os partidos políticos, por sua vez, demonstram não representar os verdadeiros interesses em jogo no interior da sociedade brasileira e precisam ser reformados com urgência. Daí a pertinência de se retomar as análises feitas por importantes cientistas políticos europeus e americanos a respeito das principais abordagens sobre os partidos e os sistemas partidários.
Duverger (1967), quando expôs suas idéias, ainda na década de 1950, abriu uma nova perspectiva na discussão a respeito dos sistemas partidários e eleitorais, bem como do nascimento, consolidação e queda dos partidos políticos. Contudo, hoje, após tantas mudanças no cenário político-partidário e nos resultados do jogo eleitoral dos países ocidentais desenvolvidos, suas idéias já se encontram relativamente superadas, ainda que tenham tido grande importância para a ciência política, pois foi o fundador da linha de pensamento político que centra a atenção nas regras de funcionamento dos sistemas partidários e eleitorais como principal elemento definidor dos resultados político-institucionais, principalmente quando se trata da disputa eleitoral.
Sartori (1976), também segue na mesma linha, remontando sua análise a respeito dos sistemas partidários à história das idéias e à semântica.[i] Ele descreve como a palavra “partido” se firmou historicamente e toda a dificuldade em torno dessa afirmação que, na realidade, faz parte da evolução democrática das sociedades liberais do Ocidente. Primeiramente, ele procura diferenciar facção de partido, mostrando como os interesses específicos das facções se contrapõem ao bem comum que, em tese, é o objetivo final dos partidos. Como Voltaire escreveu “un parti séditieux dans un état”.[ii]
Grandes pensadores políticos, como Maquiavel, Locke e Rousseau, sempre centraram sua discussão no conflito entre os interesses específicos e o bem comum, despreocupando-se com as regras do jogo político. Para Locke, os indivíduos eram aqueles “homens livres”, logo, uma minoria da população. Eram pessoas com interesses comuns, daí as classes sociais, ou seja, eram grupos de pessoas com interesses em comum e que divergiam entre si. Já para Rousseau, a sociedade deveria ser homogênea, sem esses conflitos de interesses, que deveriam ser resolvidos através de uma democracia direta, impossível numa sociedade de massas.

A facção busca interesses específicos, ainda que isso leve à cisão e a ruptura da ordem institucional, já o partido busca sempre o bem comum buscando a unidade e preservação das instituições políticas, seja ele qual for.[iii] De Maquiavel até a independência dos EUA, os partidos sempre foram mal vistos. A própria constituição americana de 1787 não previa a existência de partidos, tratava apenas da instituição dos poderes do Estado – Executivo, Legislativo e Judiciário. Um dos axiomas do pensamento liberal americano é que o bem comum é o equilíbrio dos interesses específicos, e o que ele deve impedir é que um interesse tiranize o outro. Assim, havia o receio de que o voto da maioria da população mais pobre pudesse impedir a satisfação dos interesses dos mais ricos e poderosos, por isso, não acreditavam em partidos.

A primeira definição de partido entende que se trata de um grupo de homens vinculados a um princípio comum e voltados para a satisfação do bem comum. Assim, teoricamente o partido constitui-se de homens que se unem para a promoção, pelo seu esforço conjunto, do interesse nacional com base em algum princípio com o qual concordam. Esses homens devem governar para todos e não apenas para aqueles que o elegeram.[iv]

Os partidos, ainda que tenham surgido a contragosto do Estado e dos governos, surgiram principalmente por necessidade, já que algumas funções que deveriam ser cumpridas e exercidas dentro de uma ordem institucional estatal só poderiam ser cumpridas por eles, transformando-os, portanto, em instituições políticas com a função de “expressão”, ou seja, deveriam servir de canal dialógico do povo em direção ao governo. Dessa forma, os partidos transformaram as demandas do povo em atitudes junto ao governo. Trata-se de um canal de baixo para cima (povo ® governo), ainda que, em geral, os partidos surjam, de cima para baixo. Então, a partir do século XIX, os partidos começaram a surgir nas democracias ocidentais, principalmente exercendo essas funções dialógicas.

Já Downs (1999), acredita que não há bem comum e que o sistema político visa apenas o poder e seus benefícios, logo, a função do partido não é expressar as demandas da sociedade, mas apenas ser um instrumento para se conquistar o poder. Aldrich (1995), também procura explicar o surgimento dos partidos, em especial nos EUA. Ele crê que os partidos nasceram com outras funções como a ocupação dos cargos públicos, a mobilização do eleitor e a atuação dentro do governo.

Os partidos podem ter duas origens, quais sejam: aqueles que surgiram dentro dos parlamentos, por meio de grupos que já existiam muito antes dos próprios partidos, chamados de partidos de elite, e aqueles extra-Parlamento ou partidos de massa, ou seja, são aqueles formados a partir da convergência de grupos sociais em defesa de interesses coletivos. Já os partidos de elite, nada mais são do que grupos de parlamentares que tinham comitês eleitorais que funcionavam apenas em épocas de eleição. Ambos podem ser considerados como partidos políticos modernos podendo ser descritos, sem grande exagero, como filhos da Primeira e da Segunda Revolução Industrial, respectivamente (DUVERGER, 1967).

Já Sartori (1976), diz que na Inglaterra dos séculos XVIII e XIX, o sistema partidário seguiu um modelo ininterrupto e linear convivendo desde cedo com um governo responsável representado pela monarquia constitucional e com os grupos parlamentares que, aos poucos, constituíram-se enquanto partidos no Parlamento. Assim, o monarca tinha que, permanentemente, prestar contas ao parlamento sobre seu governo. Nessas condições surgiram os partidos, isto é, numa ilha isolada do restante do continente europeu, sob a revolução industrial e com uma sociedade homogênea. Em 1832, com a reforma eleitoral inglesa, começou a ocorrer alterações no sistema político. Com a expansão do direito ao voto, os grupos parlamentares passaram, então, a buscar votos e foram se tornando partidos eleitorais ou grupos parlamentares com comitês eleitorais.

O certo é que a expansão dos partidos foi contínua e os mesmos foram se fortalecendo com a continuidade das eleições. O governo, a partir de então, tornou-se um governo sensível, principalmente porque o voto passou a pressupor atitudes práticas no sentido de atender às reivindicações sociais. Daí, a função de expressão dos partidos às demandas reivindicatórias da população. Dessa forma, os partidos podem ser entendidos como canais de expressão da sociedade junto ao governo.

Pode-se também dizer que os partidos políticos pertencem, em primeiro lugar e, principalmente, aos meios de representação, sendo um instrumento ou uma agência de representação do povo, expressando suas demandas e/ou reivindicações. O governo, por sua vez, torna-se partidário, pois é o partido que passa a governar. Assim, esse processo de consolidação tornou os partidos em partidos de massa, sendo que a queda das barreiras eleitorais[v] levou ao surgimento de partidos de cunho trabalhista, comunista, socialista etc.

A questão chave para se definir um partido político está nas suas origens. Sendo assim, existem partidos que surgiram no Parlamento, chamados de partidos de elite. São descentralizados e seus parlamentares possuem grande autonomia diante do partido, sendo cada um dono de um comitê eleitoral próprio. Há também aqueles partidos extra-Parlamento, classificados como partidos de massa. Estes possuem objetivos maiores do que simplesmente alcançar o poder, pois pretendem transformar toda a estrutura social (DUVERGER, 1967) como, por exemplo, o Partido Socialista Francês que objetivava não só levar a classe trabalhadora ao poder, mas também criar uma sociedade socialista. Nesse sentido, o Parlamento era apenas a via para a revolução. Trata-se de partidos que possuem uma estrutura permanente, funcionando não só em períodos de eleição, o que lhes força a ter, portanto, sua própria burocracia. Processo que vai de encontro ao racionalismo weberiano e à sua teoria da gaiola de ferro.

No contexto europeu, onde a sociedade era extremamente estratificada, hierarquizada e os trabalhadores demoraram muito a serem integrados na sociedade e no sistema político, nasceram vários partidos de massa. Diferentemente dos EUA, onde o processo de inserção das massas trabalhadoras se deu mais rapidamente, daí não existirem por lá partidos socialistas ou de massa.[vi] A definição de um partido pode ser dada pela sua origem, como partido burguês ou partido operário. Pode se dar também pelos seus fins e objetivos, como partido socialista ou partido liberal. Mas, a melhor definição é aquela, centrada na forma de se angariar os votos e ganhar eleições, o que distingue um partido político de um sindicato ou de uma associação, ou seja, ele se caracteriza principalmente pelo fato de existir, prioritariamente, para ganhar eleições.[vii]
Então, o que é mais importante? A origem do partido, como defende Sartori (1976), ou o ciclo eleitoral, como defende Downs (1999)? Pode-se dizer que, independente da origem do partido, dentro do ciclo eleitoral o que interessa é o voto, tanto para partidos de elite como para os partidos de massa. Para os pensadores políticos americanos, os partidos de massa tendem a se aproximar dos partidos de elite dentro da competição eleitoral e não o contrário. Em contrapartida, os partidos de elite perceberam que deveriam se organizar como os partidos de massa para poder competir pelos votos dos eleitores, com maior eficiência.  Enfim, existem diversas abordagens ou “approachs” para explicar o desenvolvimento, a evolução e a consolidação dos partidos políticos, sendo que as mais conhecidas são a institucional, a sociológica e a da escolha racional.

A abordagem institucional defende que, após a queda do Antigo Regime, após a Revolução Industrial e após a emancipação das colônias européias na América, apareceram no cenário político europeu os partidos políticos modernos. Mas, que partidos surgiram? Eram quantos partidos? E quais eram as regras do jogo político-institucional? Para responder a esses questionamentos é preciso entender que as regras institucionalizadas tiveram enorme influência sobre a formação dos partidos, como o voto obrigatório ou facultativo, ou se havia ou não fidelidade partidária. Logo, as regras institucionais geram comportamentos partidários e eleitorais diferenciados. O partido, como ator político, joga de acordo com as regras, o que significa que as disputas em torno destas regras são, muitas vezes, mais importantes que as próprias eleições. Se o partido ganha a batalha pelas regras, ele deverá, então, ganhar a disputa eleitoral.

Há uma variável muito importante na definição dos sistemas partidários, qual seja: o sistema eleitoral, que é uma variável independente dentro do processo político, enquanto o sistema partidário, ao contrário, é uma variável dependente. Por exemplo, os sistemas eleitorais distritais e majoritários que se diferenciam dos sistemas proporcionais. Como conseqüência dessa distinção entre os dois sistemas é possível identificar que, se a função do sistema eleitoral é transformar os votos em cadeiras parlamentares, no sistema distrital, que vigora no mundo anglo-saxão, divide-se o país em pequenos distritos e se estabelece que os eleitores destes distritos só podem votar em candidatos do seu próprio distrito.[viii] Já no caso de eleições proporcionais para o Parlamento, define-se, previamente, o número de parlamentares que serão eleitos por um distrito bem mais amplo geograficamente, ficando o eleitor livre para dar seu voto a qualquer um candidato (DUVERGER, 1967). O sistema distrital também favorece a formação de maioria por um partido no Parlamento, ainda que, muitas vezes, ele pode não produzir essa maioria, como já ocorreu na Inglaterra várias vezes, por exemplo.
A regra do voto distrital para eleições majoritárias pode se diferenciar em subtipos, como o distrital puro, quando se tem o mesmo número de eleitos pelos vários distritos, sendo que o eleito é o mais votado, mesmo não alcançando a maioria dos votos. No modelo de voto distrital de maioria simples, o mais votado, com a maioria simples dos votos, é o eleito. E, por fim, no distrital de maioria absoluta ocorre um segundo turno com os dois candidatos mais votados.

No sistema proporcional, se divide o país em distritos e os eleitores votam em quem quiserem dentro dos seus respectivos distritos, sendo que as cadeiras do parlamento são divididas proporcionalmente ao número de eleitores de cada distrito e ao número de votos de cada partido. Dependendo do sistema eleitoral, vota-se em partidos (lista fechada) ou em candidatos (lista aberta).

Duverger (1967), em sua primeira lei sobre os sistemas partidários, a “Lei de Bronze da Política”, parte da premissa de que a tendência natural da sociedade é o dualismo, o que conduz ao bipartidarismo. Para ele, o sistema de maioria simples leva a um sistema de dois partidos. Isso porque vai se ter sempre uma situação e uma oposição, sendo que a tentativa de se criar um terceiro partido é muito difícil, como, por exemplo, os trabalhistas e os conservadores na Inglaterra, e os democratas e republicanos nos EUA. Esse sistema tem dois efeitos sobre os partidos menores, quais sejam: primeiramente, mesmo que os partidos pequenos tenham votos em todos os distritos, dificilmente ganham a eleição em algum distrito, logo, o sistema funciona como uma barreira a estes partidos. Em segundo lugar, tem o efeito psicológico sobre o eleitor que tende a votar sempre em partidos que tenham a expectativa de vencer as eleições, é o “voto útil”, daí então o bipartidarismo.

Na sua Segunda Lei sobre os sistemas partidários, Duverger (1967) defende que onde se adota a representação proporcional tende-se ao multipartidarismo. Isso porque as cadeiras no parlamento são distribuídas entre todos os partidos proporcionalmente ao número de votos de cada um. Os eleitores dos partidos pequenos, então, têm a perspectiva do crescimento da representatividade do partido[ix]. Entretanto, essas teses de Duverger, foram questionadas, já que existem outros aspectos do arranjo institucional que influenciam no sistema partidário. De qualquer maneira, fica claro que o sistema de voto distrital favorece a formação de um sistema bipartidário e, por outro lado, o sistema proporcional favorece a formação de um sistema multipartidário.

A segunda abordagem a respeito dos partidos políticos é a sociológica. Segundo Lipset & Rokkan (1967), que fazem essa sociológica da origem do sistema político-partidário, com base no modelo europeu, partem do ponto de vista de que essa discussão deve se dar a partir do contexto social, isto é, deve passar pelas instituições e se encerrar nos principais atores do processo, quais sejam: os partidos políticos. Já Aldrich (1995), considera que a origem do sistema político-partidário se dá a partir dos atores, passando então pelas instituições e se encerrando no contexto social. Na verdade é só uma questão de pontos de partida diferenciados para a mesma abordagem.

Lipset & Rokkan (1967), buscam entender o sistema partidário europeu e sua força. Para eles, os partidos são fortes porque estão extremamente enraizados na sociedade. Trata-se de um sistema partidário ancorado nas clivagens sociais, por isso, são duradouros e sólidos. Logo, acreditam que a origem dos partidos está nas diversas clivagens presentes na sociedade européia, como o conflito capital-trabalho ou a questão nacionalista e religiosa, por exemplo. Em alguns países da Europa o sistema partidário é praticamente o mesmo de 1890 a 1980, sobrevivendo inclusive aos períodos da Primeira e Segunda Guerra Mundiais. Já a partir dos anos de 1990 esse sistema partidário europeu entrou em crise e tem se alterado, cada vez mais, perdendo seus componentes ideológicos, principalmente porque têm adotado políticas totalmente diversas daquelas que defendiam nas suas origens. Um exemplo desse fenômeno é o Labor Party que, inicialmente era ardoroso defensor do Welfare State social-democrata e, hoje, adota políticas, cada vez mais liberais.

Essas alterações têm mostrado que o que antes era caro aos partidos europeus, ou seja, suas concepções ideológicas e seus projetos, atualmente tornou-se passível de ser negociado. Antes da crise do modelo social-democrata, as clivagens que envolviam interesses eram mais facilmente barganhadas. Um bom exemplo dessa negociação de interesses é o que envolve os salários. Já as clivagens em torno da ideologia e dos valores eram mais rígidas e difíceis de se negociar, como, por exemplo, as concepções políticas, a religião, a língua etc.

Outro tipo de interesse que define as clivagens da sociedade européia é o nacionalismo, que surgiu na Europa a partir do momento em que as elites nacionais não conseguiram mais impor seus interesses e valores. Ele submeteu os interesses ainda herdados da estrutura feudal e da Igreja. Num primeiro momento, entre os séculos XVI e XVII, houve a formação dos Estados nacionais. Já, num segundo momento, que se deu entre os séculos XVIII e XIX, ocorreram as revoluções liberais. Dessa revolução nacional, onde se deu o processo de afirmação dos Estados, originaram-se duas clivagens sociais: centro/periferia, como as elites canadenses versus as elites quebequianas ou, como as elites nacionais espanholas versus os bascos e, ainda, Estado/Igreja, através da disputa pelo monopólio da educação.

A revolução industrial deu origem a duas outras clivagens, quais sejam: (i) campo/cidade, como a disputa sobre as taxas de produtos agrícolas e subsídios entre donos de terras, camponeses, burguesia e operariado. Trata-se, portanto, de uma clivagem do tipo territorial e; (ii) capital/ trabalho, onde se opõem empresários e trabalhadores. Trata-se, neste caso, de uma clivagem do tipo funcional.

A clivagem capital/trabalho se manifestou em todos os estados europeus, visto que todos eles possuem partidos socialistas e/ou trabalhistas. Os EUA, por sua vez, não tiveram essa clivagem na constituição de seu sistema partidário e essa ausência da clivagem capital/trabalho se explica porque a sociedade americana era aberta, com grandes possibilidades de mobilidade social ascendente por meio de grandes oportunidades de emprego, negócios e terras. O cenário europeu é bem diferente, pois sua sociedade era mais fechada, pela própria herança feudal marcada pela presença da nobreza e pela importância dada aos títulos nobiliárquicos. Lipset & Rokkan (1967), buscam as origens sociológicas para explicar os sistemas partidários europeus no século XVIII. Já as clivagens centro/periferia, Estado/Igreja e campo/cidade não se manifestaram em todos os estados europeus.[x]

Para que os partidos se originassem foi necessário que a sociedade superasse quatro grandes barreiras, quais sejam: (i) a legitimação do protesto que envolve o limite de aceitação da elite aos protestos e à oposição política;[xi] (ii) a incorporação do protesto, isto é, quem pode protestar e até que ponto a elite incorpora o protesto? Como, por exemplo, o direito de voto que, primeiramente, era só para os homens, tornando-se, posteriormente, universal; (iii) a representação política dos que protestam, ou seja, entre aqueles que protestam, quem pode ter representatividade política partidária e parlamentar? Nesse sentido, o voto majoritário, o voto proporcional e as cláusulas de barreira são instrumentos que regulam o direito à representatividade política; e (iv) o sistema de governo, que define quais os limites dos poderes da maioria. Assim, os partidos políticos surgiram das clivagens sociais, mas precisaram superar essas barreiras institucionais que lhes foram impostas. Por isso, os sistemas partidários europeus não são iguais, tanto por refletir clivagens sociais diferenciadas, como também pelo nível de dificuldade de superar as barreiras. Como na França, onde o voto era, no começo do século XX, distrital com dois turnos, dificultando a vitória do Partido Socialista ou, na Inglaterra, onde o sistema era distrital de maioria simples e também dificultava a ascensão do Labor Party que tinha que disputar eleições com liberais e conservadores. A possibilidade que o Labor Party encontrou para crescer foi, então, aproveitando-se do conflito entre liberais e conservadores. Já na Bélgica, os partidos de elite estão ligados a clivagens religiosas e o conflito entre eles era tão feroz que possibilitou a ascensão do Partido Socialista. Assim, o sistema eleitoral não é uma barreira impossível de ser superada, mas sim os obstáculos de cunho social e institucional.

Se Duverger (1967) entende que o sistema eleitoral também contribui para o surgimento dos partidos, Lipset & Rokkan (1967) afirmam que os partidos se originam antes do estabelecimento do sistema eleitoral. Então, que razões realmente explicam o surgimento dos partidos?  Primeiramente, podemos dizer que o surgimento dos partidos políticos depende da capacidade ou não dos atores políticos (elite, trabalhadores, camponeses etc) de assimilarem o processo político, bem como das grandes clivagens sociais que se manifestaram de maneiras diferentes em cada um dos estados europeus, como centro/periferia, Estado/Igreja e campo/cidade, transformarem-se em instituições político-partidárias.

A clivagem capital/trabalho se fez presente em todos os estados europeus. Portanto, não se pode distinguir os sistemas partidários europeus por essa clivagem, pois ela é unificadora. Pode-se sim, distinguí-los a partir das três outras clivagens. A clivagem capital/trabalho pode, apenas, distinguir os padrões e as características dos partidos socialistas e trabalhistas europeus, ou seja, se são mais moderados ou mais radicais e, se são mais coesos ou não. É uma clivagem que se manifesta desde a Revolução Industrial em princípios do século XIX.[xii] Os governos perceberam que o custo de reprimir os movimentos trabalhistas poderia ser a revolução, como aconteceu com a França (1870), com a Alemanha (1912) e com a Rússia (1917), já o custo de tolerá-los era menor, ou seja, gerava, no máximo, o nascimento de partidos trabalhistas inseridos no sistema político-partidário. Nos EUA, ao contrário, as clivagens não se manifestaram ou se expressaram no seu sistema partidário.[xiii]

Outra conclusão de Lipset & Rokkan (1967), é que o sistema partidário europeu esteve, durante muito tempo, congelado. Isso se deu por causa da força das clivagens, gerando um sistema partidário estável com partidos que conseguiram superar as revoluções, as guerras e as crises. Eles sobreviveram às inúmeras barreiras institucionais e conjunturais porque tinham lastro social. Mas a partir da década de 1970, iniciou-se um processo de degelo do sistema partidário europeu com uma enorme migração de eleitores de um espectro ideológico para outro.

Por fim, a terceira e última abordagem a respeito dos partidos políticos é a da escolha racional. Segundo Downs (1999), a análise dos sistemas partidários deve partir de um modelo que não seja uma simples descrição do mundo real. Isso, porque ele parte da premissa de que todo homem é primordialmente egoísta, assim sendo, acredita que na política se deve usar a lógica econômica do comportamento racional, através, primeiramente, da análise dos fins, isto é, o objetivo maior é ganhar eleições, em seguida, da análise dos meios para se alcançar os fins, qual seja, os partidos políticos e, finalmente, a análise da racionalização dos meios para se alcançar os fins.

Para se entender a realidade deve-se simplificá-la, logo, a teoria da escolha racional tem grande utilidade, pois busca explicar a realidade pressupondo que os interesses pessoais se sobrepõem aos interesses coletivos. Esse comportamento racional exige informações para que se possa escolher o melhor dos meios para se alcançar os fins. A racionalidade, portanto, depende dos objetivos finais.

A partir dessa abordagem da escolha racional pode-se definir um partido político como uma coalizão de homens que busca controlar o governo através das eleições, e esse controle da máquina pública governamental é importante porque permite ao partido ter acesso à renda, prestígio e poder. Os partidos, assim, formulam políticas para chegar ao poder, fazendo da política um meio e do poder, o fim. Logo, o partido não busca o poder para formular e implementar uma política, pois, nesse caso, o poder seria o meio, e a política, os fins. Assim sendo, pode-se deduzir que os cargos públicos são, numa sociedade capitalista, subproduto dos interesses privados. Enfim, os partidos buscam os votos e, para isso, precisam formular políticas. Políticas essas, que não são para atender demandas sociais, mas para se conseguir votos e, se para conseguir votos, as políticas devem procurar atender algumas demandas específicas da sociedade, então os partidos podem adotá-las, mas apenas como meio de se ganhar eleições (DOWNS, 1999).

Nessa abordagem da escolha racional não há uma preocupação com o fato de os partidos serem um reflexo das clivagens sociais, porque se acredita que os mesmos estão mais interessados em, através dos votos, ganhar eleições e chegar ao poder para obter renda, prestígio e poder. Logo, define-se o partido a partir do seu objetivo, isto porque, se entende que o eleitor não votaria sob o ponto de vista de que seu voto tem um valor infinitesimal, mas que o voto depende, fundamentalmente, do custo e do benefício que irá produzir para o eleitor.

Aldrich (1995), articula de maneira mais clara os três fatores que explicam os sistemas partidários, quais sejam: atores sociais, instituições e o contexto político-econômico. Ele busca definir os partidos políticos a partir dos meios, defendendo que os mesmos criaram-se dentro da democracia e que ela só existe com os partidos. Outros estudiosos do tema entendem que a democracia é impraticável sem os partidos e defendem que todas as democracias existentes em repúblicas liberais contemporâneas e em nações democráticas possuem partidos políticos. Para todos eles, para ser uma democracia verdadeira é preciso que qualquer líder de nação concilie os interesses públicos com as suas aspirações políticas e isso, só é possível através dos partidos políticos, ao menos em geral.

Os líderes eleitos, por receberem o poder político do povo, devem primeiro prestar contas ao povo, sendo, portanto, responsivos e accountables. Cada político eleito deve ser responsável por suas ações pessoais perante aqueles que o elegeram e/ou reelegeram, mas as ações políticas do seu governo acabam sendo determinadas pelas ações coletivas de muitos indivíduos que ocupam os cargos públicos. Dessa forma, nenhum político deve tomar decisões só pelas casas parlamentares, [xiv] mas pelas decisões coletivas de suas bases (DOWNS, 1999). Logo, o único caminho existente para assumir responsabilidades públicas é através dos partidos políticos, e essa responsabilidade exige que sejam partidos políticos coesos. Da mesma forma que, a única forma de se competir nas eleições é através da responsabilidade.

Nos EUA, muitos acadêmicos, analistas, políticos e membros do governo, põem a culpa das doenças políticas contemporâneas nos governos aparentemente incapazes de resolver problemas críticos e à falta de fé, apatia e/ou alienação dos próprios políticos, que talvez seja a maior falha dos dois maiores partidos americanos. Percebe-se que os membros do Congresso estão muito mais preocupados com sua própria reeleição ainda que, às vezes, também pensem no bem público. O presidente, por sua vez, se preocupa com sua própria popularidade, gastando pouco tempo para liderar a nação e quando ele o faz, o Congresso acha impossível convencer a maioria da necessidade de se votar os projetos do Executivo (ALDRICH, 1995).

Os partidos majoritários – Republicano e Democrata –, então, passaram a aprovar suas próprias iniciativas ou formaram compromissos de trabalho com o Congresso. Partidos divididos e sob o controle do governo são regra, nos EUA, desde 1952 ou, pelo menos, desde 1968, com controle unificado das eleições, onde os candidatos são centralizados, transformando e manipulando politicamente, personalidades e imagens, especialmente por meio do uso intenso do marketing. Por outro lado, as plataformas partidárias são pouco discutidas nas convenções, para que sejam aprovadas rapidamente e os líderes partidários esperam, sem controvérsias, a atenção da mídia, desejando que a convenção possa se direcionar apenas aos negócios mais importantes. A última censura a esses partidos resultou no enfraquecimento do maior partido americano, qual seja, o Republicano que, somente no final dos anos 1990 retornou ao poder com a eleição do presidente Bush, vindo logo após a perder novamente para os democratas que elegeram Bill Clinton. Estes, só deixaram a Casa Branca e perderam a maioria no Capitólio[xv] porque os republicanos lançaram mão de uma manobra eleitoral marcada por fraudes na contabilização dos votos, manipulação da mídia televisiva, divulgando nas vésperas do pleito resultados falsos de pesquisas eleitorais, em especial, através da FOX-NEWS[xvi] e o uso do Poder Judiciário como forma de cercear o direito ao voto, principalmente da enorme população de negros e latinos da Flórida. O resultado disso tudo foi o descrédito à democracia norte-americana perante a opinião pública mundial, colocando seu sistema político sob suspeição de ser realmente capaz de absorver e refletir as grandes demandas da sociedade.

NOTAS

[i] Partire ou “partido”, termo que prestou-se a um uso mais impreciso e obscuro. “Partido” transmite, basicamente, a idéia de parte, e parte não é, em si, uma palavra depreciativa (SARTORI, 1976).
[ii] “Um partido sedioso num Estado”.
[iii] Claro que aqui estamos falando de partidos políticos que aceitam as regras do jogo político-institucional e disputando esse jogo segundo essas regras. Existem, contudo, partidos que defendem a revolução como forma de alcançar o poder e, por isso, não participam do jogo político que acreditam possuir regras que favorecem àqueles grupos ligados às elites políticas e econômicas, por isso, defendem a ruptura da ordem político-institucional vigente.
[iv] Nesse sentido, o ex-Presidente Collor governou só para uma facção ou grupo de interesses (privados), o mesmo se deu com o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso que, entretanto, soube articular uma coalizão de partidos que lhe serviu, por dois mandatos, como base de sustentação parlamentar, o que Collor não soube fazer. Já o Presidente Lula, apesar de buscar governar para todos, tem enfrentado sérias crises relacionadas à dificuldade de setores de seu próprio partido (PT) que não aceitam que seu governo adote uma política diferente daquela pregada pelo partido ao longo de mais de 20 anos e, também, de não conseguir implementar uma verdadeira coalizão partidária que lhe dê a sustentação necessária dentro do Parlamento.
[v] Barreiras do tipo econômicas (voto censitário), hereditárias (parte das cadeiras no Parlamento destinadas à nobreza sem necessidade de eleição, passando-se a vaga hereditariamente para o seu herdeiro ou sucessor, como perdurou na Inglaterra até meados dos anos 1990) e de gênero (exclusão das mulheres).
[vi] O Partido Comunista dos EUA é um dos maiores do mundo, contudo, não tem força eleitoral suficiente para conquistar cadeiras no Parlamento, ficando restrito à participação em alguns setores sociais ligados ao proletariado.
[vii] Pode-se dizer que os mais de trinta partidos políticos brasileiros existem, prioritariamente, para isso, inclusive os de massa como o PT e o PC do B.
[viii] No caso do Brasil, os estados são os distritos eleitorais.
[ix] O Partido dos Trabalhadores (PT), no Brasil, evoluiu de 16 para 35 cadeiras, entre sua primeira e sua segunda participação nas eleições proporcionais para o Congresso Nacional, depois para 50 cadeiras em sua terceira participação, 60 na quarta e, finalmente, hoje, possui 90 cadeiras.
[x] Os partidos de elite também passam pela estrutura social, mas nascem da própria elite. Por isso, o que mais interessa nessa análise a respeito da origem dos partidos, são aqueles considerados de massa.
xi O grau de legitimação do protesto era bem maior, por exemplo, diante do rei inglês do que diante do Czar russo.

[xii] Como o Movimento Cartista em 1830, na Inglaterra.
[xiii] No caso brasileiro, talvez somente o Partido Comunista Brasileiro e o Partido dos Trabalhadores sejam fruto de uma clivagem social, isto é, capital/trabalho.
[xiv] O Parlamento pode ser bicameral, como no Brasil e nos EUA, ou pode ser unicameral como na Espanha.
[xv] Denominação dada ao Parlamento ou Congresso Norte-americano.
[xvi] Canal de TV norte-americano que tem como Diretor responsável pelo jornalismo político um primo do presidente George W. Bush (MOORE, 2002).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALDRICH, John H.. Why Parties? The origin and transformation of political parties in America. University of Chicago Press. 1995.
DOWNS, Anthony. Uma Teoria Econômica da Democracia.Edusp. 1999.
DUVERGER, Maurice. Os Partidos Políticos. Ed. Guanabara. 1967.
LIPSET, Seymour and ROKKAN, Stein. Clivage Structure, Party Systems, and Voter Alignments, in Lipset and Rokkan (org.), Party Sistem and Voter Alignment. The Free Press. 1967.
MOORE, Michael. September Eleven – Farenheit. Filme documentário. 2002.
SARTORI, Giovanni. Partidos e Sistemas Partidários. UNB. 1976.
WEBER, Max. Ciência e Política: duas vocações. São Paulo, Cultrix. 1972.
__________. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Tradução de Pietro Nassetti. São Paulo, Editora Martin Claret. 2003.
  
RESUMO: A origem, consolidação e queda dos partidos políticos é analisada a partir de três grandes abordagens: a institucional, a sociológica e a da escolha racional. Através destas três linhas analíticas a respeito dos partidos, como instituições políticas fundamentais à democracia moderna, é possível identificar os elementos que constituem a formação dos grandes partidos de massa, bem como os fatores que explicam suas crises identitárias e, conseqüente seu enfraquecimento dentro da arena política e eleitoral.

ABSTRACT: The origin, consolidation and fall of the political parties is analyzed starting from three great abordages: the institutional, the sociological and the one of the rational choice. Through these three analytic lines regarding the parties, as fundamental political institutions to the modern democracy, is possible to identify the elements that constitute the formation of the great mass parties, as well as the factors that explain its identity crises and, consequent weakening inside of the political and electoral arena.

PALAVRAS-CHAVE: Partidos políticos, eleições, sistemas partidários, política, instituições políticas.


Na crise terminal em que se encontra a Grécia, a Alemanha age como guardiã dos interesses dos banqueiros e empurra o país grego para o abismo.
Habermas lembra num artigo no El País desse domingo que "a Alemanha deve o impulso inicial para sua decolagem econômica, do qual ainda se alimenta hoje, à generosidade dos países credores que no Tratado de Londres, de 1954, perdoaram mais ou menos a metade de suas dívidas".

Os alemães esqueceram a lição da história em que foram beneficiados. Impossível se recuperar de uma crise brutal sem o mínimo de generosidade.

Cesar Sanson

sábado, 27 de junho de 2015

D'us

Otto Leopoldo Winck.Hoje não tenho tanta certeza se Deus existe. (E mesmo esta questão não é tão simples assim. Que Deus? Um Deus pessoal, tripessoal, distinto do mundo, igual ao mundo?). Mas sei o seguinte: se Deus existe, ele é amor. Portanto nenhuma intolerância ou ódio podem ser pregados em seu nome.

Chico Lopes Eu sou agnóstico: acho que Ele existe, mas não tá nem aí. Minha crença mística é na Mãe. A religião sempre me atraiu mais pelos símbolos femininos (as muitas imagens de Maria) do que pelos masculinos. O Deus do Velho Testamento é um pai furioso, vingativo e injusto. O do Novo é doce, procura se parecer aos homens (e seu calvário é este). O apóstolo João disse isso literalmente: "Deus é amor". Mas o Deus do Velho é o que reina no Brasil, atualmente. Essa gente só destila ódio.

Otto Leopoldo Winck É verdade, Chico. A masculinização da imagem de Deus é um dos problemas. E mesmo assim, Chico, não há só uma imagem de Deus no Antigo Testamento. Existe o Deus do Pentateuco, severo, rigorista, e o Deus dos profetas, sobretudo o de Isaías, que se aproxima do Deus do Novo testamento: "Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti." Isaías 49:15. Veja aí como Deus é comparado aí a uma mãe!

Alcebíades Cid Pereira Prometeu acorrentado por amor ao homem..Deuses vingativos.
Jesus resumiu os dez mandamentos em dois:Amar a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo...Os religiosos o crucificaram por isso.

João Vitor Deus é bondade, é amor, é fraternidade, é empatia. Pra mim, Deus está representado nessas particularidades da vida. Segundo a crença da variante de Umbanda que eu sigo, Deus teve diversas facetas pelo mundo e em diversos momentos só que as pessoas são burras demais pra reconhecer e acabam crucificando eles (só Jesus foi literalmente).

Otto Leopoldo Winck Santo Agostinho tinha muitos problemas (seu maniqueísmo, seu platonismo...) mas sintetizou este mandamento de Jesus de modo genial: "Ama e fazes o que queres..."

Jorge Luiz Fonseca Acabou consolidando a bobagem do purgatório(dizem as más línguas que para livrar a cara da mãe que era pecadora). Mas mil vezes ele do que outros. Não sabia que vc tinha feito teologia. Agora vc que estudou realmente o assunto pode elucidá-lo melhor.

Otto Leopoldo Winck Altas discussões teológicas já cedo, rs. Hoje o dia começou bem!


sábado, 30 de maio de 2015

Dialogo com Guimarães Rosa

"... nós, os homens do sertão, somos fabulistas por natureza. Está no nosso sangue narrar estórias; já no berço recebemos esse dom para toda a vida. Desde pequenos, estamos constantemente escutando as narrativas multicoloridas dos velhos, os contos e lendas, e também nos criamos em um mundo que às vezes pode se assemelhar a uma lenda cruel. Deste modo a gente se habitua, e narra estórias que corre por nossas veias e penetra em nosso corpo, em nossa alma, porque o sertão é a alma de seus homens (...) Eu trazia sempre os ouvidos atentos, escutava todo o que podia e comecei a transformar em lenda o ambiente que me rodeava, porque este, em sua essência, era e continua sendo uma lenda."
- João Guimarães Rosa, em entrevista a Günter Lorenz - "Dialogo com Guimarães Rosa".
saibam que tudo aqui é falso:
a minha pele, a ruptura do corte
a minha fala, a perda de limites
a minha casa, um antro de vazios.
minha poesia, o rasgo da censura!"
RR

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Depoimento de policial civil pra Ismael de Freitas

 Depoimento de policial civil pra Ismael de Freitas - via Cláudio DeNipoti:


"Ele (o Beto Richa) tá acabando com as polícias, principalmente a PM. Eu compro caneta, grampo de grampeador, pacotes plásticos entre outras coisas pra poder trabalhar, coisas que o Estado tinha que dar. As viaturas estão podres e a bandidagem anda de carrão. Isso sem falar a exploração nas escalas de serviço que não respeitam o período de descanso previsto em lei. Na PC tem polícias sem escola e sem armas trabalhando com presos. Minha arma é própria. Comprei porque faço plantão e volta e meia a carceragem fica lotada. Lido com preso direto. E se a gente reclama, ameaçam de mandar pra outra cidade. E na TV só propaganda bonita."

Lara Sfair

domingo, 26 de abril de 2015

Roubar aposentados

Roubar aposentados em caixas ou em saída de bancos é algo que ouvimos nos jornais com certa frequência, mas um governador de Estado roubar todos de uma vez e tentar com seus comparsas legalizar o roubo não e tão comum. Pois e isso que Richa/PSDB quer fazer esta semana no Paraná. Pra garantir o crime perfeito manda colocar todo o efetivo da polícia no centro cívico nesta segunda, pois assim poderia roubar com tranquilidade o dinheiro da aposentadoria dos servidores do estado. Na primeira tentativa de cometer seu crime não conseguiu e agora vai tentar novamente. Se neste estado a lei fosse para todos ele (governador) poderia ser preso e condenado, assim como os que roubam aposentados em caixas ou nas saídas de banco. Como sabemos que a lei nem sempre é pra todos resta a mobilização e disposição de luta dos servidores pra impedir mais uma vez esse crime!


Augusto Franco 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

O Julgamento do Exu Koba

Wilson Nogueira A terrorista que atirou em Lênin , o fez a mando de Stálin ? A saúde debilitada de lênin favoreceu seu derrame.Stálin é culpado do derrame de Lênin ?Os trotskistas, como todos os intelectuais, possuem uma imaginação muito fértil.Provas existem ou é delação premiada psicografada do além ?

João Sassi Eu não entendi o que o camarada aí quis dizer; imaginação fértil é contra-indicado? Melhor é aceitar o mundo como ele é, sem ousadia ou desejo de mudança?

Não sou nenhum stalinista , foi só uma provocação aos meus amigos trotskistas dando o direito de defesa ao espírito do exu Koba.Para descontrair um pouco, afinal existe tanto desrespeito, insultos e sectarismos na web que as pessoas esqueceram um pouco do humor

Cynara Menezes vai para koba! hahahah

Wilson Nogueira Fiz uma ironia inclusive com o procedimento de Stálin quanto sua famosa autocritica e senso de justiça. João , desejo de Mudança ( só se for mudar os kulaks pra outro mundo ), mudança quinquenal de burocratas que colocassem o pescoço acima dos ombros de Stálin ( toda sombra que não fosse a dele era suspeita, depois de um tempo a própria sombra confessou que participara de um complot para assassiná-lo .rss)

João Sassi É fato, Wilson; está por nascer ser mais paranoico...

Mauricio Exenberger Stálin não liderou a revolução. Só tomou o poder depois...

Wilson Nogueira Ele foi fruto do seu meio. Diriam que naquelas circunstancias foi o mal necessário.(pensando como um russo).Ele nasceu do sal da terra , criou-se nas duras condições da russificação e no ódio da aristocracia as classes "selvagens"-moujiks.Ele foi chorado por milhões > Emoção por ele ter morrido?! um Estado policial personalista quase autocrático como os dos czares.
Filho de sapateiro e lavadeira , georgiano (um povo tido como sendo de assassinos e salteadores pelo senso comum russo da época ) criado na ortodoxia de um colégio interno religioso russificante.Não é uma questão de perdoar sua tonelada de cadáveres desnecessários e sim entender seu perfil.

Pedro Junior Trotski bem que poderia ter aceito a ser secretário geral, não imaginava que a revolução teria esse destino cruel...

Cynara Menezes à luz da psicanálise, um sujeito problemático com mania de perseguição. traços de psicopatia claros

Wilson Nogueira Um fruto do meio também.O estado patológico pode ser construído Cynara ?
Acha que outras nacionalidades do império russo não eram de fato perseguidas ?Espancadas , humilhadas. O ódio pode ser ensinado socialmente e absorvido em sua psyque ?

Cynara Menezes me parece que tinha problemas desde a infância. em relação aos demais, me parecia um pouco complexado com sua formação

Wilson Nogueira Não devemos descontextualizar. Não convivemos com ele , temos suas biografias como base , inclusive para diagnósticos.Repito, nada disso diminui sua mania em resolver questões práticas com a eliminação autocrática de obstáculos .Considerar a empatia, e outros traços de humanidade como fraquezas e exitações diante da tarefa de construir o Estado que ele acreditava ser  o preconizado pelos revolucionários que eliminaram do feudalismo czarista e sua multidão de servos maltrapilhos e famintos agora convertidos em cidadão de um país industrial, sem classes e forte .Se num país com as características da Rússia de finais do século xix , uma pessoa pertencente a uma minoria étnica obrigada a ter uma religião que não é a sua, a ser proibido de falar no seu idioma fora de sua casa, seja preso para" averiguação" toda a semana, ser tratado como cão (espancado e humilhado ) por qualquer funcionário público russo .

Cynara Menezes padura: trotski era um político, stalin um psicopata. concordo http://socialistamorena.com.br/leonardo-padura-trotski.../
Socialista Morena » Leonardo Padura: “Trotski era um político, Stalin era um...
SOCIALISTAMORENA.COM.BR

Wilson Nogueira Ele aprende a Ler , escondido tem acesso a Marx, Engels e Conhece Lênin. Faz para a revolução o trabalho de assaltar os bancos, assassinar funcionários imperiais da okhrana ou não, se destaca no que faz, mas é visto como escória pelos intelectuais que eram mencheviques e mudaram a casaca tornando-se bolsheviques (como o intelectual Bronstein ).Esse homem de ação por não ficar gastando saliva e por não ter pulado de um barco para outro, sempre com Lenin , não quando por oportunismo politico decidiu, não seguir Lenin, mas estar com o líder da revolução como se também tivesse a mesma estatura. Stálin nunca Fez sombra a Lenin , Trotski contudo sim parecia disputar-lhe. Não lhe parece . Ass : Advogado do diabo ...

 Uma pessoa que tenha passado o que Stalin passou e ter cooperado com a revolução da forma como cooperou, ter agido com o tirocinio e usado a arrogância de Bronstein, Kamenev e Zinoviev que praticamente deram ao insignificante Koba o cargo de............... a partir daí , eles caíram um a um. Culpa de Stálin ?

Cynara Menezes sim, é verdade, wilson. ao mesmo tempo que ele era complexado, tanto lenin quanto trotski tinham preconceito com ele por não ser intelectual. tanto que no texto trotski faz questão de chamá-lo provinciano. no entanto, stalin era muito inteligente. impressionou inclusive o escritor hg wells. o que não muda minha opinião sobre ele como um líder totalitário e sanguinário http://www.newstatesman.com/.../h-g-wells-it-seems-me-i...
In 1934, Wells arrived in Moscow to meet a group of...
NEWSTATESMAN.COM
H G Wells: “It seems to me that I am more to the Left than you, Mr Stalin”
In 1934, Wells arrived in Moscow to meet a group of...
NEWSTATESMAN.COM

Wilson Nogueira Subestimaram o ignorante georgiano. A culpa não é de Stálin que do além (muito mais quente do que na Rússia) manda agradecimentos ao camarada Trotski e aos leais companheiros intelectuais Kamenev e Zinoviev. Ele usou essa percepção que tinham dele ao mesmo tempo que reforçava sua imagem de pessoa leal a toda prova ,e pronto para executar (e sujar as mãos ) a serviço do partido e a seu Único Líder Lênin. Todo soldado raso aceita a mais dura disciplina e respeita a hierarquia por que tem no horizonte a si como marechal.Isso é sim a imagem de um ditador edificando um estado totalitário a sua imagem dentro do sistema de capitalismo de Estado.

Pronto exorcizei o Exu vermelho.Obrigado pela sugestão de livros páginas e revistas.E grato pela paciência diante das minhas provocações de camarada.E pelo respeito e civilidade que demonstraram acima de tudo. Brinquei de advogado de São Koba num julgamento que jamais defesa tiveram Trótski,Zinoviev, Kamenev... e tantos outros expurgados menos famosos.Quando usei o nome Bronstein , ao invés da alcunha de Trótski referi-me a uma certa acusação de que seria anti-semita. (Será ? O criminoso util Beria também não teria origem judaica ?,seu anti-semitismo acentuara na sua senilidade?no fim de sua vida). Coitado do velho Koba dizem caluniosos que preparava um pógrom quando o capeta o chamara para Secretario Geral.

Boa Noite

sábado, 7 de março de 2015

Por Samuel Pinheiro Guimarães

Da Carta Maior

O custo total das campanhas da última eleição foi de 5 bilhões de reais. A consagração legal do financiamento privado consagrará o sistema de corrupção.

Há um clamor público, uma revolta de todas as classes da sociedade, contra as revelações de corrupção.
Quando terá começado a corrupção? Quem são os culpados? É um fenômeno exclusivamente brasileiro ou do mundo subdesenvolvido ou humano em geral? A quem interessa? Ocorre apenas no setor público? Será uma característica inata da sociedade brasileira? 
Os incidentes de corrupção que a operação Lava Jato vêm desvendando e que vazam para a imprensa, sem provas e a conta gotas, por quem deveria preservar o sigilo das investigações e a reputação dos acusados (mas não culpados por que não foram julgados) estariam relacionados com o financiamento de campanhas eleitorais.
O sistema de financiamento de campanhas eleitorais está vinculado à representação de interesses econômicos no Legislativo e no Executivo. O caso do Judiciário é um tema a parte, ainda que de grande interesse.
O candidato Aécio Neves gastou em sua campanha eleitoral, de acordo com as declarações ao TSE, cerca de 201 milhões de reais. A candidata Dilma Rousseff gastou cerca de 318 milhões de reais. O custo total das campanhas para presidente, governador, senador e deputado foi de cinco bilhões de reais.
De onde vieram esses recursos? Certamente (ou muito raramente) não vieram da fortuna pessoal dos candidatos, mas sim de doações, principal ou quase exclusivamente, de grandes empresas privadas.
O custo das campanhas é em extremo elevado devido aos custos de produção e de veiculação de programas de televisão, das viagens que se fazem necessárias devido à extensão territorial do país, dos custos de material de propaganda e de sua distribuição.
O objetivo dos que defendem o financiamento privado das campanhas eleitorais está vinculado à principal característica da sociedade brasileira que é a concentração de renda e de riqueza.
A concentração de renda é, em geral, estimada a partir dos rendimentos do trabalho conforme declarados à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE.
Os rendimentos do capital, isto é os lucros, os juros, os aluguéis, são subdeclarados na PNAD e a Secretaria da Receita Federal não publica esses dados de acordo com a sua distribuição por faixa da população, ainda que sem quebra de privacidade dos declarantes do Imposto de Renda.
A estimativa é de que os rendimentos do trabalho correspondam a cerca de 48% da renda nacional.
O salário mínimo é de 788 reais, o salário médio do trabalhador brasileiro é inferior a 2.300 reais por mês e 90% dos brasileiros ganham até cinco salários mínimos por mês.
São 13,7 milhões de famílias que recebem o Bolsa Família. Isto significa que cerca de 50 milhões de brasileiros tem rendimento mensal inferior a 77 reais. Por outro lado, há, no Brasil, cerca de 46 bilionários e 10.300 multimilionários, estes com patrimônios pessoais superiores a 23 milhões de reais.
Muitos são os mecanismos de concentração de renda e de riqueza.
Entre esses mecanismos estão às taxas de juros, o sistema tributário, os créditos do Estado a empresas e o sistema de aluguéis.
Quanto mais elevadas às taxas de juros “autorizadas” ou permitidas pelas autoridades monetárias maior a transferência de riqueza de devedores, que são a enorme maioria da população, para os credores privados, detentores do capital, e do Estado para os seus credores. 
O sistema tributário pode ser regressivo ou progressivo. O sistema se diz regressivo quando a maior parte dos impostos arrecadados provêm da maioria da população, sem distinção de seu nível de renda (imposto sobre o consumo, por exemplo) e se diz progressivo quando os indivíduos detentores de maior riqueza ou de mais alto nível de renda pagam mais impostos mesmo em proporção a sua riqueza ou renda. É fato que um sistema regressivo de tributação concentra renda e riqueza. As isenções de impostos, as restituições e as desonerações para empresas ou indivíduos  acentuam a concentração de renda.
Os créditos fornecidos pelo Estado privilegiam em geral as maiores empresas e, portanto, seus proprietários que são os indivíduos mais ricos da sociedade.
A leniência do Estado para com a evasão de tributos ou com seu não pagamento (por exemplo, pela não criminalização da evasão, pelo parcelamento e perdão das dívidas tributárias) também concentra renda e riqueza. São brasileiros os proprietários de 530 bilhões de dólares depositados em paraísos fiscais.
A concentração de renda e de riqueza em mãos de uma ínfima minoria da população brasileira tem importantes efeitos sobre o sistema democrático e sobre os episódios de corrupção.
Os indivíduos detentores de riqueza e renda tem interesse em preservar os mecanismos de concentração e interesse em que não surjam instrumentos legais (leis ou programas) que desconcentrem riqueza e renda.
Ora, as normas (as leis) que definem a estrutura e o mecanismo de riqueza, propriedade e renda (legislação trabalhista, tributária, monetária, da propriedade rural e urbana, etc.) são elaboradas no Legislativo, eventualmente no Executivo e cada vez mais no Judiciário.
Em um país de grande concentração de riqueza e renda, de elevado grau de urbanização, de grande penetração dos meios de comunicação, de sistema democrático e eleitoral relativamente livre de fraudes, seria natural que a enorme maioria da população (que é pobre ou no máximo remediada) elegesse a maioria dos representantes no Congresso, que deveriam ser como ela pobres e remediados e, portanto, legisladores dispostos a redistribuir a riqueza e a renda ou pelo menos a minorar os mecanismos de concentração.
Não é isto o que ocorre.
A ínfima minoria milionária e bilionária tem, assim, de procurar instrumentos para influir no processo político para evitar esse tipo de legislação e de ação redistributiva no Executivo. Essas, quando ocorrem, são taxadas de comunistas, socialistas, nacionalistas, e hoje em dia de bolivarianas.
O primeiro e mais importante desses instrumentos é o financiamento privado (empresarial) das campanhas eleitorais.
O segundo instrumento é o controle dos Partidos para que estes escolham como seus candidatos indivíduos que sejam favoráveis à sua visão (isto é, daquela minoria) da sociedade, ainda que não sejam eles mesmos, do ponto de vista pessoal, detentores de riqueza e renda elevadas.
O terceiro instrumento é o controle dos meios de comunicação para convencer a população das deficiências do Estado, do caráter corrupto dos candidatos dos Partidos e das políticas populares (isto é, daqueles comprometidos com programas de reforma social que leva à desconcentração de riqueza e renda). 
O quarto instrumento é a campanha permanente dos meios de comunicação de desmoralização da atividade política, do Estado e dos políticos para manter a maioria do povo afastada da política. Uma das formas de manter o povo afastado da política seria a aprovação do voto facultativo como se este fosse apenas um direito e não um dever. 
A campanha pela reforma política deve se concentrar no tema central do financiamento empresarial das campanhas, que é a verdadeira fonte de corrupção e de controle oligárquico, não democrático, da sociedade por aqueles que concentram o poder econômico e controlam os meios de comunicação.
Os representantes das forças conservadoras no Congresso Nacional já se empenham para votar o projeto que consagra o financiamento privado, isto é, empresarial, das campanhas eleitorais.

A consagração legal do financiamento privado consagrará o sistema fundamental de corrupção do processo político que tem como objetivo impedir a desconcentração de riqueza e renda que torna o Brasil um dos países mais injustos do mundo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Mal passado um mês da tragédia parisiense que mobilizou a consciência e o afeto da quase totalidade do mundo, a imprensa começa a afastar-se do assunto. Isso parece natural uma vez que todo acontecimento jornalístico (a notícia, na verdade) obedece a curvas variáveis de interesse tanto por parte do público leitor quanto do próprio arbítrio editorial. O “natural” deve-se a que “notícia é aquilo que será menos interessante amanhã do que hoje” (André Gide), ou seja, a imprensa vive de fatos datados e com duração variável.
É arriscado tentar fugir à marcação temporal por meio do aprofundamento reflexivo. O risco é incorrer na pecha da banalidade e da desinformação, como atesta a fala do personagem Martin Chuzzlewitt no longo ataque de Charles Dickens (em 1844) à imprensa norte-americana:
“Atualmente do que precisamos são de fatos; nunca ensineis a estas moças e a estes rapazes senão fatos. Na vida, só temos necessidade de fatos. Não implanteis outra coisa em seu espírito: arrancai deles tudo quanto não se parecer com fatos; só por meio de fatos podeis formar a inteligência do animal racional”.
Mas esse risco não é apenas jornalístico, tanto que, na elaboração de sistemas de pensamento acadêmicos, pode-se opor a força dos fatos às generalidades. Assim acontece com a filosofia de Michel Foucault, tal como descrita pelo historiador Paul Veyne, que o conheceu de perto. Afirmando que Foucault não acreditava em nenhuma idéia geral, mas na verdade dos fatos, Veyne sublinha:
“O que nos faz sofrer, o que nos causa indignação, isso existe. Por outro lado, o sentido da história, a vocação da humanidade, o universalismo... Todas as grandes ideias não são realidades. Auschwitz é um fato, assim como a inocência de Dreyfus. Os crimes do stalinismo, o colonialismo, as alas de alta segurança nas prisões, o tratamento infligido aos loucos pelo sistema de asilos são fatos. Foucault não somente crê neles como os combate”. (Folha de S.Paulo, caderno “Mais”, 30/3/2008).
Como bem se sabe, o jornalismo incorpora o senso comum sobre os fatos, mas principalmente um senso moldado pelo positivismo, doutrina cujo auge coincide com a ascensão prestigiosa da imprensa burguesa. A elaboração histórica da ideia de “objetividade jornalística” – segundo a qual o jornalismo informativo deveria funcionar como uma espécie de espelho do mundo real – é também uma doutrina de caráter profissional-industrial.
(Muniz Sodré é jornalista e escritor, professor titular (aposentado) da Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Leia mais:


Carlos Ruggi

A censura aos professores da educação básica


29/01/2015



Há um mantra no debate educacional do Brasil de que toda a sociedade deve participar dessa discussão. Clamam por todo tipo de opinião para superarmos os problemas da educação. Vou defender neste texto que esse tipo de ideia é o grande obstáculo para as soluções necessárias, pois acaba por eliminar do debate o principal ator: o professor da educação básica.

A variedade de instituições, órgãos e profissionais que participam do debate para a melhoria da educação brasileira é única no mundo. Participam o Banco Mundial, Unicef, ONGs, empresas, empreendedores, pastores, padres, socialites, banqueiros, professores universitários etc. Muita gente querendo dar seu pitaco. É neste “grande debate” que o professor secundarista perde a vez, já que ele é muito desvalorizado por toda a sociedade, não só pelos políticos. Essa desvalorização pode ser vista na ausência dos professores secundaristas na mídia. Peço ao leitor para tentar lembrar ou pesquisar algum colunista de jornal ou revista de grande circulação que seja professor de escola pública. Eu não conheço. Alguém lembra se algum professor da educação básica já ocupou o centro do programa Roda Viva, da TV Cultura? Nunca vi sequer participarem da bancada. Em reportagens sobre educação, dificilmente um professor da educação básica é ouvido para dar opinião e apresentar propostas. Na imensa maioria das vezes, só é ouvido para relatar violências e coisas do tipo. A apresentação de propostas só é concedida para membros de ONGs, celebridades, professores universitários, políticos, psicólogos e os ditos especialistas.

O resultado dessa espécie de censura é o desconhecimento das demandas necessárias para resolver os problemas da educação básica. Isso porque quem dita as ações educacionais não sabe nada ou quase nada do que acontece na escola e em suas salas de aula. Desconhecem, por exemplo, que a escola pública brasileira é administrada para diminuir ao máximo o trabalho de pedagogos, diretores e funcionários de secretarias de educação. E a melhor maneira de se fazer isso é jogar todas as responsabilidades para o professor. Se o aluno tira nota ruim, é mais fácil culpar o professor do que conversar com o aluno e seus pais. Imagine se os pedagogos tivessem de conversar com mais de 50% dos alunos e pais sobre notas ruins. Haja reuniões! É bem mais fácil o professor dar provas mais fáceis. Se o aluno comete indisciplinas em sala de aula, é mais fácil pressionar o professor para suportar o comportamento do aluno do que tentar discipliná-lo. Pois o diretor vai ter de marcar reunião com os pais do aluno, que podem ser muito desrespeitosos. Isso dá trabalho. Como dá trabalho também suspender alunos com indisciplinas graves. Dizem que a secretaria pode “pegar no pé”. Em todas essas situações, o ensino é deixado de lado para dar lugar a outros interesses. Aí, podem contratar os melhores professores do mundo que não darão jeito. Podem comprar tablets, diminuir as disciplinas, implantar métodos de ensino revolucionários que não vai adiantar.

É preciso que o professor secundarista seja o condutor maior da educação básica brasileira. O autor da aula é o professor. Ele é o quem mais tem contato com o aluno no tratamento do conteúdo apresentado. Assim, é ele que tem mais propriedade para apontar as dificuldades de aprendizado dos alunos e propor as medidas adequadas para garantir o aprendizado do conteúdo. Mas o que se vê são outros profissionais e cidadãos ditando as ações educacionais. E, na maior parte das vezes, falam sobre o que não sabem (conteúdo) e sobre o que não veem (atividades dos alunos).


Antes de mais nada, é preciso permitir que o professor exija que o estudante estude. Se o professor não pode cobrar leitura, exercícios e disciplina, não consegue expor conteúdos e orientar os alunos. Nessa situação, o professor não exerce sua função e o estudante não exerce a dele. Vejam que nem sua função básica a educação brasileira consegue executar. A sociedade quer colocar banco de couro em carro sem chassi. E termina por conseguir duas coisas: permitir todo tipo de maus-tratos para com o professor dentro da escola, com professores sendo sistematicamente desrespeitados e agredidos verbalmente pelos alunos, como também cotidianamente assediados moralmente por pedagogos e diretores; e deformar o intelecto e a moral dos alunos. Os alunos saem da escola analfabetos funcionais e marginais das regras e leis da sociedade.

THIAGO MELO, PROFESSOR DE FILOSOFIA DA REDE ESTADUAL DE ENSINO

Arbitrariedades e aparelhamento político nas escolas públicas


Publicado em 20/11/2014 | THIAGO MELO
  
A administração pública brasileira possui, na prática, duas diretrizes fundamentais: facilitar a vida de quem manda e reeleger quem está no poder. Essas duas diretrizes moldam uma administração que coloca os interesses particulares acima do bem comum. É notório que as ações políticas são feitas com vistas aos ganhos eleitorais que elas podem trazer, e não ao interesse público. O que não é muito notado é que as ações na administração pública são realizadas com vistas a facilitar o trabalho daqueles que mandam, e não com interesse institucional. A prorrogação súbita do mandato de diretores das escolas estaduais paranaenses e a proposta de acabar com o limite de reeleições escolares parecem ilustrar bem o funcionamento da administração pública brasileira.

No último dia 4 de novembro, a Assembleia Legislativa do Paraná prorrogou em um ano o mandato dos atuais diretores das escolas estaduais. Essa ação possui duas arbitrariedades. Em primeiro lugar, não foi considerada a posição da categoria (professores, pedagogos, funcionários e diretores), representada pelo sindicato dos professores. Foi levado em conta o pedido dos diretores que querem se perpetuar no poder das escolas. O interesse de uns foi colocado acima do interesse da categoria como um todo. Em segundo lugar, não foi respeitada qualquer carência para a vigência da nova regra. A prorrogação ocorreu com o processo eleitoral das escolas em andamento e de forma imediata, beneficiando apenas uma pequena parte de pessoas. Essas duas situações ilustram bem o problema das arbitrariedades: os interesses particulares são impostos em detrimento dos interesses coletivos. E é justamente para evitar arbitrariedades que existe carência para a vigência de novas leis e regras, e existe a democracia.

Vale lembrar que os deputados adiaram a votação sobre o fim da reeleição da Mesa Executiva da Assembleia Legislativa. Cabe a pergunta: por que não adiaram também a votação sobre a prorrogação dos diretores escolares, já que o processo eleitoral das escolas estava em andamento? Além do mais, caso fosse votado o fim da reeleição da Mesa Executiva, a nova regra só iria valer a partir da nova gestão. Outra pergunta: por que neste caso vai ser respeitada a carência, mas no caso dos diretores escolares a implementação foi imediata?

O deputado estadual Luiz Romanelli disse, em artigo publicado na Gazeta do Povo, que está propondo acabar com o limite de reeleições para diretor escolar e com a atual fórmula de apuração de votos. O deputado justifica as duas propostas alegando que o aspecto fundamental da democracia é o voto. Para ele, o voto de todos tem de ter o mesmo peso e o limite de reeleição não pode impedir o voto a ninguém.

Sobre a mudança na fórmula de apuração de votos, é muito questionável que pessoas em estágio inicial de formação intelectual e que não vão passar muito tempo em uma escola possam decidir os rumos da instituição. Por serem imensa maioria na escola, os alunos sempre vão ser determinantes na votação para diretor. Assim, é muito provável que sejam eleitos os funcionários que coloquem a vontade dos alunos acima dos interesses institucionais da escola, como o ensino. O inspetor que sempre deixa o aluno atrasado entrar, o professor que passa todos de ano sem cobrar o conteúdo necessário, o diretor que não pune a indisciplina do aluno e o pedagogo que sempre defende o aluno que não se esforça terão grandes chances de se eleger. Já aqueles funcionários que exercem sua profissão adequadamente terão pouquíssimas chances. Esse quadro não me parece o da escola de qualidade e democrática de que precisamos.

Quanto ao fim do limite de reeleição para diretores, basta olhar para as escolas onde os diretores estão há mais de dez anos no cargo. Nestas escolas, a maior parte das ações é feita para o bem do diretor. O nome que se dá para isso é aparelhamento político. O diretor trabalha para manter as pessoas com quem possui afinidades eletivas, e não os profissionais mais capacitados. As decisões pedagógicas são tomadas a fim de poupar trabalho para o diretor. Uma delas é a de procurar fazer o professor ceder em alguma medida educacional, já que é mais fácil convencer uma pessoa adulta e educada do que quatro ou cinco alunos indisciplinados. O simples uso de um data show passa a ser de uso restrito da direção, que não quer que ele seja desgastado em sala de aula. Em suma, com um diretor há muito tempo no poder a escola passa a funcionar em função dos interesses desse diretor, que com muita facilidade, em virtude desse aparelhamento, conseguirá ser reeleito. Nesta circunstância, também fica fácil os governos aparelharem politicamente as escolas.

Como podemos ver, esse “impulso democrático” nas escolas públicas pretendido pelos governantes não pode ser mais perigoso. É perigoso porque desvia ainda mais a escola de sua função principal, que é o ensino, perdendo a qualidade. E é perigoso também porque permite que algumas pessoas se considerem infalíveis, ficando acima do bem e do mal. Até onde sei, a democracia serve para inibir tal situação.

Thiago Melo é professor de Filosofia na rede estadual de ensino.

Gazeta do Povo

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O PT é o continuador social da obra civilizatória Pombalina e Varguista, agora com democracia

O PT é o continuador social da obra civilizatória Pombalina e Varguista, agora com democracia. Dilma e Lula continuam a trajetória de sociogênese e construção do Estado Nacional, ampliação da cidadania e extensão dos direitos para a maioria da população. As raízes desse processo são muito antigas. Os brasileiros de origens coloniais portuguesas tiveram o desafio de modernizar e atualizar um dos mais antigos Estados Nacionais do mundo, em uma das maiores ampliações territoriais e populacionais da história. Nós, os que somos os brasileiros descendentes de portugueses coloniais fundadores do Estado do Brasil e de suas povoações, temos a responsabilidade na inclusão social no século XXI de todas as populações remotas, assimiladas e vindas para o nosso Estado. Muitas etapas foram percorridas nos últimos séculos. Getúlio Vargas, a República, os Imperadores Pedro, o Marquês de Caravelas e antes também situamos o Marquês de Pombal, o criador do centro político-estatal (ao transferir a capital política para o Rio de Janeiro) e extinguir as Capitanias Hereditárias, o padronizador da língua nacional e universal, que se torna o português brasileiro, o estimulador da mestiçagem nacional com os índios (Pombal descendia mitocondrialmente de índias pernambucanas), quem aboliu as diferenças entre cristãos velhos e cristãos novos, aboliu a escravatura em Portugal, porém no Brasil ainda se passariam séculos incompletos para a necessária inclusão social dos negros, mas os paradigmas políticos pombalinos foram lançados. Muitos pequenos Estados europeus desapareceram no século XVIII, mas o Brasil, a grande estrela do Império Português, forjou as bases para se tornar um dos maiores Estados do mundo com suas fortes e vigorosas raízes. Estado nacional, cidadania e democracia ainda mais reforçados com o protagonismo político do subalternos.


Rco
FICO AQUI, PENSANDO NAS CONVERSAS ENTRE LEANDRO KONDER E MANOEL DE BARROS, a partir dessa triste semana. Queria ser uma mosquinha fantasma para ouvi-los. FIQUEM BEM. O MUNDO FICA MAIS POBRE SEM VOCÊS.

Aprendimentos

O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura
é o caminho que o homem percorre para se conhecer.
Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim
falou que só sabia que não sabia de nada.
Não tinha as certezas científicas. Mas que aprendera coisas
di-menor com a natureza. Aprendeu que as folhas
das árvores servem para nos ensinar a cair sem
alardes. Disse que fosse ele caracol vegetado
sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente
aprender o idioma que as rãs falam com as águas
e ia conversar com as rãs.
E gostasse mais de ensinar que a exuberância maior está nos insetos
do que nas paisagens. Seu rosto tinha um lado de
ave. Por isso ele podia conhecer todos os pássaros
do mundo pelo coração de seus cantos. Estudara
nos livros demais. Porém aprendia melhor no ver,
no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar.
Chegou por vezes de alcançar o sotaque das origens.
Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno
grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite!
Eu vivi antigamente com Sócrates, Platão, Aristóteles —
esse pessoal.
Eles falavam nas aulas: Quem se aproxima das origens se renova.
Píndaro falava pra mim que usava todos os fósseis linguísticos que
achava para renovar sua poesia. Os mestres pregavam
que o fascínio poético vem das raízes da fala.
Sócrates falava que as expressões mais eróticas
são donzelas. E que a Beleza se explica melhor
por não haver razão nenhuma nela. O que mais eu sei
sobre Sócrates é que ele viveu uma ascese de mosca.


Fonte : Wanirley  Pedroso Guelfi

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

HERANÇA MACABRA

 Ilana Lerner. 

Esse é o ano dos filhos na nossa eleição. Nunca vi uma eleição tão familiar. Se somarmos aí, os netos, sobrinhos e afins, acho que temos uns 50% dos candidatos disputando o feudo. Filho de peixe, peixinho é, é isso? Então não voto em nenhum dos dois, nem no pai, nem no filho.
Qualquer pai que ache que a vida de político é uma coisa a se passar de herança pra seu filho não merece meu voto. Qualquer filho que cresça vendo seu pai na política e queira fazer isso da vida também não.

Politica devia ser vocação, paixão. Conheço poucos, pouquíssimos que tem esse comprometimento. Fazer disso um negócio familiar, não me representa. Nunca pensei ver no Paraná essa tendência coronelista que tanto criticávamos quando ouvíamos as histórias das oligarquias nordestinas (sem preconceito) eternizadas no poder. Famílias que dominam a prefeitura, a câmara, a assembléia, o palácio do governo, isso era uma realidade distante. Não mais.

Obviamente temos exceções e famílias muito sérias na política, mas cá entre nós, são tão menoria que não devem chegar no 1% mesmo contando com a margem de erro para mais. Além disso, a renovação de pessoas na política é importante, revigora, transforma, areja.

Agora, trocar pai por filho, sei não, me parece um caminho perigoso. Infelizmente, vendo a quantidade de filhos e juniors sorridentes nos cavaletes, parece que é uma tendencia que veio pra ficar.

Então cuidado, se a moda pegar, ou no caso eleger, podemos correr o risco de ter uma sociedade estagnada, onde nada muda. Depois dos filhos virão os netos, e por ai vai...


Como diria o Jamil Nakad, chega dos mesmos!

O ethos politico paranaense.

Ivan Justen Santana______________O amigo Julio Garrido postou: "Vejo meus amiguinhos reclamando da vitória do Richa, Dias e Aécio aqui no Paraná, dizendo que o povo é alienado, não é. Gente, historicamente o paranaense é fascista. O segundo maior partido nazista do planeta ficava aqui. Existem imagens dos anos 30 com milhares de pessoas na Praça Tiradentes fazendo a saudação nazista. Durante a segunda guerra tivemos campos de concentração e os que mais sofreram neles foram os japoneses. Em 1964 teve parada militar na XV com grande adesão popular pra receber as tropas paulistas. Nos anos sessenta e setenta o Paraná foi dos estados que mais prendeu e torturou militantes da esquerda."
Achei por bem responder: "Colar um rótulo como esse é alimentar ressentimentos históricos e perder a perspectiva. O Paraná nunca foi um estado com identidade cultural própria dominante, portanto sempre foi presa fácil para tendências de dominação vindas de fora, como por exemplo o fascismo. Mas é também um estado em que surgiram vanguardismos como o Simbolismo, com seu anticlericalismo e internacionalismo, e figuras individuais excêntricas e geniais: Paulo Leminski é um exemplo prototípico mais contemporâneo, entre outros que poderiam ser citados. Nosso "povo" é, sim, alienado, fascista, comunista, esclarecido, politizado, ignorante, etc. O "povo" paranaense ainda não consegue se reconhecer no espelho quando acorda de manhã, e categorizações únicas como a de "fascista" dificilmente vão ajudar para essa autorrevelação."

Ricardo Pedrosa Alves__________________ acho que os dois têm razões aqui e ali, já que há conservadorismo em todo lugar e o autoritarismo das elites é marca talvez nacional, mas o argumento 'tendências de dominação vindas de fora' é dos mais frágeis. assim, simbolismo, leminski etc. são 'tendências internas'; fascismo, racismo etc. são 'tendências externas'? é isso?

Ivan Justen Santana_______________________ O argumento não é esse, pois é mesmo difícil diferenciar o que é "de fora" e o que é "nosso". Tanto fascismo e racismo, quanto simbolismo e vanguardismos, e até mesmo o Paulo Leminski, são e não são "nossos". O ponto aqui é o de reconhecer isso.

Eloise Mara Grein______________ O Paraná é um "melting pot", um caldeirão com mistura de inúmeras etnias. ..o que sai de toda essa mistura não é de fácil catalogação

Ivan Justen Santana_________________________ Qualificando um pouco mais, o "fascismo" em sua forma organizada, tanto a da Europa, quanto a do Integralismo do Plínio Salgado, vieram "de fora" do Paraná. Mas a tendência praticamente "inata" do indivíduo humano, de encampar fascismos, e ir à praça (ou ao campo de futebol) gritar um refrão com um grupo e hostilizar quem não faça parte desse grupo, é possivelmente coisa "nossa". Você flagrou algo interessante no meu discurso, Ricardo: a tendência de considerar o que achamos errado como algo externo, e querer para nós (associar a "nosso", a "tendências internas") valores que reputamos positivos. Eloise: antes fosse um caldeirão em que os ingredientes-etnias se misturassem harmoniosamente: ainda é uma dificuldade a própria admissão dessa identidade cultural múltipla e variada.

Rogério Guiraud____________________________ O Paraná teve realmente picos de vanguardismos especialmente nas Artes, acho que nunca na política, mas deixo isso para os especialistas, porém, todas as vanguardas foram paridas a fórceps e exterminadas a pau... é comum esse processo, porém aqui, como fizeram com o corpo do Bin Laden, tratamos de enterrar o morto rapidamente, para evitar os discursos de velório. Julio Garrido, que vive o meio, apenas usou o Álvaro Dias e o Beto Richa, como argumento... Ele poderia ter citado os fotógrafos, como os que fazem apenas fotos de casamento. O problema da provincia é que temos certeza que pinheiro não se transplanta mas não sabemos que brasileiros de outras vanguardas não provinciais, nunca ouviram falar de farofa de pinhão com carne de porco, mas acham que Curitiba é organizadinha e limpinha! Beto Richa e Álvaro Dias nunca fizeram porra alguma pela nossa cultura e o Barão, no Paço da Liberdade, que o beto privatizou, está assentado, embora de pé, sobre quatro colunetas de fascio, cuidando de quem desce do trem do Shopping ali do fim da rua... O que significará. exatamente isso? Portanto Que Goura, Anaterra Viana e Bernardo Piloto nos redimam na próxima porque desta vez fudeu!


Rita Franco Brunetti_____________________________ Excelente texto Ivan, desvendando os véus do nossa terrinha. Pra mim foi uma aula. Paraná é essa mistura mesmo, raças, crenças... isso é muito bom também! Já que no afã dos resultados políticos chamei o povo de coxinha. Depois dessa seu texto vou compartilhar!!!


Debate ...politica

Sérgio Braga__________________________Com a midias sociais, as noticias hoje em dia se propagam com velocidade espantosa. Minha opinião é que o desempenho dos candidatos no debate final de campanha teve um grande peso no resultado das eleições, inclusive em escala subnacional e nas eleições para o legislativo. O desgaste de antigas fórmulas políticas e a incapacidade de renovação de discurso dos incumbentes, somado à apresentação de um discurso alternativo consistente por um dos desafiantes, serviram como uma espécie de catalizador para o oposicionismo e o conservadorismo latentes de certos setores do eleitorado que há muito ansiava por um norte. Como antecipavam alguns, a luta no segundo turno será dura, com leve vantagem para o desafiante. Nada é irreversível e definitivo, mas sem dúvida esta foi a eleição presidencial mais disputada e incerta desde a redemocratização do país em 1988.

Julio Moliani____________________________ Até poderíamos dizer, que para o executivo este está sendo o pleito mais democrático. Sem querer distorcer sua análise, eu não me conformo com o voto nulo não ser válido. Bato sempre nesta tecla. Nenhum candidato me representa, mas o TSE vai utilizar o meu voto favorecendo (e "legitimando") o candidato da maioria. Particularmente considero o desafiante uma regressão, e a atual situação acomodada com políticas sociais que já deveriam estar aprimoradas, além do código ambiental, terras indígenas, etc. Não que não possa piorar. para mim é uma disputa acirrada entre os usurpadores de todo tipo, que vêm por trás desses candidatos, além de suas ideologias e modelos econômicos ultrapassados.

Valter Rodrigues de Carvalho_________________ Acho que refletiu o clima bem ruim da última semana de campanha da Marina, que fechou com aquele debate onde ela foi ruim e Aécio teve um bom desempenho.

Sérgio Braga___________________________ Julio Moliani: enquanto não mudarem as regras, acho inútil votar nulo salvo em casos excepcionais. Eu pelo menos nunca votei nulo, embora ache a democracia "representativa" capitalista uma engabelação das massas. Creio também que as diferenças entre os projetos do PSDB e PT são nítidas e, apesar das limitações do PT, penso que ele contribuiu bem mais do que o PSDB para a melhoria da qualidade de vida no Brasil, especialmente dos mais pobres. Só votaria no Aécio, a quem considero um excelente político, caso o adversário fosse o pastor Everaldo.




Debate...Politica paranaense

Emerson Urizzi Cervi________________Sabe quem foi o grande derrotado das eleições dessa ano no Paraná?
A Gralha Azul.

A partir de hoje terá que ceder espaço no galho da Araucária para o tucano, pois o Paraná passa a ser, com SP, o grande ninho dos tucanos no Brasil. Isso porque o ninho mineiro se desmanchou em parte.
Como se diz lá no norte do Paraná, o PSDB fez barba (Aécio 49%), cabelo (Beto 55%) e bigode (Álvaro 77%) esse ano na terra de todos os paranaenses...

Priscila Souza______________________ isso seria um reflexo de boa propaganda politica e discurso ou da vontade dos paranaenses mesmo? ainda sem entender...

Emerson Urizzi Cervi________________ Vontade do paranaense antes de tudo, Priscila Souza

Leda Garzuze_______________________ É, o Beto representa o novo. Eu mesma ainda não tinha visto viatura policial sem gasolina, o Ideb do Estado despencar, usar dinheiro de depósito em juízo p/ pagar as contas... Novíssima forma de governar. Tsc, tsc

Rodrigo Horochovski__________________ Curiosamente, foram meia boca nas proporcionais. Leve surpresa com o bom desempenho do PT para deputado federal.

Beth Santos__________________________ Resultado da falta da qualidade de opção geral aqui

Sérgio Braga_________________________ Paraná e São Paulo mais uma vez mostrando que são a vanguarda da sustentabilidade: da para viver tranqüilamente sem água e sem educação.

Emerson Urizzi Cervi___________________ Rodrigo Horochovski, considere que a Yared deu uma vaga a mais para a coligação.

Maria Clara Favetti_____________________ Fujam para as colinas!!!! Socorro!!!

Ênio Guimarães________________________ Venceu no Paraná a falta de opção!!!! Não voto no Maria louca nem por decreto e no PT, NEM A PAU JUVENAL!!! Não foi fácil conviver com o Beto no Governo e eu sei do que falo, pois a Secretaria a que estou vinculado, por força de profissão, sofreu, mas sofreu muito!!! RESUMO DA ÓPERA: "RUIM COMIGO, PIOR SEM MIGO!!! Triste, mas infelizmente, real!!! Abraços meu caro Emerson Urizzi Cervi... esteve, como de costume, irretocável em suas considerações na BAND... Só o telhado é que tem ainda um pouco da última geada que passou por Curitiba.

Emerson Urizzi Cervi____________________ Vish Ênio Guimarães e a previsão é que as geadas continuem por aqui. Abs...

Patricia Schmidt_________________________ Resta saber se vão nos levar mais quatro anos no bico.

Mauro Marcolino Carneiro_________________ As geadas tendem a piorar. O primeiro campo a sentir será a educação com o desmonte do que ainda resta.

John Rocha Loures________________________ O jeito é aderir a política neoliberal camuflada de social democracia ?
Faz muito sentido, enquanto a oposição se ocupava dos pormenores a turma tucana reunia investimento milionário, reafirmando a mega-coligação e estratégias midiáticas. Resta saber se o custo dessa coalizão comprometerá governança como ocorreu em 2010...

Bruno P. W. Rei__________________________ E o Álvaro, hein? Pelo que eu me lembro, o PSDB no Paraná foi fundado por uma turma que saiu do PMDB fugindo dele: José Richa, Euclydes Scalco...

Louise Nazareno__________________________ Exatamente, fugindo do Álvaro e retornando ao Alvaro. Paraná que me entristece!

Emerson Urizzi Cervi_______________________ E olha Bruno P. W. Reis no Paraná os tucanos Alvaro e Beto não dividem o mesmo galho. Ao contrário de outros Estados, são historicamente distantes, desde que em 1990 ao invés do então governador Alvaro Dias apoiar o retorno de José Richa ao governo, preferiu lançar o então ex-prefeito de Curitiba, Roberto Requião - dando início à trajetória política desse último em detrimento da história de José Richa. Desde então, a família Dias e a família Richa são dois tucanos que não se bicam.

Bruno P. W. Reis_________________________ Em 88 Richa já tinha saído pra ajudar a fundar o PSDB, Emerson. Se a memória não me trai, o PSDB nasce de paulistas (fugindo do Quércia), mineiros (fugindo do Newton Cardoso) e paranaenses (fugindo do Alvaro Dias). Os cearenses é que entram depois, já nos anos 90.

Emerson Urizzi Cervi_____________________ sim, sim Richa é um dos fundadores em 1988. em 1990 alvaro ainda não tinha entrado no partido. Mas, regionalmente, até então eles faziam parte do mesmo grupo. José Richa tinha indicado/apoiado a eleição de Alvaro para o governo do Estado.

Rodrigo Horochovski_____________________ Era tudo PMDB




Debate....Partidos

Eneida Desiree Salgado______________ Até que enfim uma razão consistente para atacar o multipartidarismo!

Jorge Eduardo França Mosquera_______ http://www.stf.jus.br/imprensa/pdf/votoerosadi1351.pdf

Sérgio Braga_______________________ De onde você tirou isso, Daniel? Nesse ponto, eu concordo com o Carlos Pereira: quanto maior o número de parceiros e maior a heterogeneidade programática, maior os custos de gerenciamento da coalizão, e mais ela se dá em bases fisiológicas, embora os padrões observados variem em função das opções estratégicas escolhidas pela presidência para lidar com o Congresso.

Dennison de Oliveira________________ Uma das poucas coisas boas que o congresso fez foi a clausula de barreira segundo a qual sobrariam meia duzia de partidos no Brasil - daí veio o STF e acabou com tudo.

Sérgio Braga_______________________ Presidencialismo sem um limite ao número de partidos realmente é complicado, Dennison de Oliveira. E olha que a cláusula que o STF derrubou referia-se apenas ao funcionamento parlamentar dos partidos, e não ao seu funcionamento efetivo. Os partidos com menos de 2% poderiam continuar existindo no parlamento, embora perdessem direito a uma série de regalias; ao contrário do que existe em alguns países europeus.

Eneida Desiree Salgado_______________ Dos sistemas que conheço com cláusula de barreira em estados federais, todos permitem a existência de partidos estaduais.Aqui querem manter o caráter nacional dos partidos (essa falácia, como bem demonstra o pmdb). Aí não dá para ter cláusula de desempenho!

Daniel Marcelino_____________________ Foi uma mera especulação baseada na teoria de oferta e demanda. Se funciona para explicar o equilíbrio dos preços no mercado de qualquer produto, deverá funcionar também no mercado de apoio político. A se testar.


Eneida Desiree Salgado________________ A questão é quantos vão ter o poder de impedir a aprovação de projetos...

domingo, 5 de outubro de 2014

Mara Telles se sentindo decepcionada

Mara Telles 

O Brasil tem uma cultura autoritária que se estende à direita, centro e esquerda. Mas, isso não é algo singular ao Brasil: é uma particularidade da América Latina. Contudo, este quadro não tem se restringido ao continente: também nos países europeus, sempre que há uma crise econômica, os Ilustrados habitantes do Velho Mundo se esquecem dos seus valores democráticos e aderem com gosto à xenofobia. A extrema-direita deita e rola: basta dar uma olhadinha no mapa das eleições legislativas nos países nórdicos - justamente aqueles que compõe o mapa da Pesquisa Mundial de Valores como os mais racionais - , para observarmos o crescimento deste grupo.
Mas, a extrema esquerda também ama um certo ar autoritário: como se a politica fosse um círculo, os extremos se encontram. O povo é um mero detalhe a ser retirado do cenário e do processo decisório. Estou ouvindo uma conversa de dois rapazes muito modernos: a favor do casamento gay, contra a corrupção, a favor do aumento do salário mínimo, pela liberalização da enconha... Os programas inclusivos e as politicas sociais são tratados com escarnio. E, para o Brasil mudar, o povo deveria ser "qualificado". A culpa de tudo estar tão ruim é do povo "sem qualificação". Sempre será.
Ao fim e ao cabo, deveria haver um partido ou um poder decisório que retirasse o poder do povo - este detalhe maldito da democracia!

Oi??? Eu ouvi isso? Só não digo o nome do candidato estampado nos bottons para não causar chiliques e suicídios na minha timeline. Quadros iluminados: tô fora. É por isso que não passam de 1%...

sábado, 4 de outubro de 2014

Debate à esquerda...eleições.

 Dilma cresce nas pesquisas e reúne bases sociais heterogêneas de apoiadores. A grande maioria que vive do seu trabalho e do seu estudo melhorou de vida nos últimos 12 anos. Dilma vence em todas as regiões brasileiras, conta com forte base social no núcleo duro de apoio dos mais pobres e também tem importantes apoios em grupos sociais e intelectuais elitizados. Lula e Dilma vencem primordialmente porque não foram derrubados pelos antigos donos do poder, ou por políticos ex-arenistas. Grupos oligárquicos, ou aliados situacionistas, como o PMDB, o PP e tipos tradicionais como Sarney, Collor de Mello, Renan Calheiros, Jader Barbalho, Francisco Dornelles, Maluf e Reinhold Stephanes garantiram a sustentação da maioria parlamentar do PT. Sem aliados, Lula e Dilma estariam na mesma indigência e irrelevância política que os sem-votos à extrema esquerda estão, para não falar de tipos de esquerda derrubáveis como João Goulart ou Allende. Dilma é seguramente a candidata dos mais pobres e também é candidata muito bem votada nos eleitores com doutorado, a mais elevada faixa de escolaridade. Enquanto Dilma e Lula tiverem o apoio das multidões pobres, negras, pardas e populares da classe trabalhadora, enquanto uma mulher idosa, periférica, rural, descendente de escravas, votar nas mesmas candidaturas do PT, junto com alguns dos segmentos do que Raimundo Faoro denominou de estamento burocrático nacional, composto por homens brancos brasileiros, agora urbanos, descendentes do senhoriato da antiga nobreza da terra, dos "homens bons" do Brasil Colônia e do Império, com renda média-alta e escolaridade elevada, o bloco político hegemônico continuará. Juntos formam a mais vitoriosa aliança política nacional na atual democracia representativa. Assim permanecerá, prosseguirá e se ampliará o projeto nacional-desenvolvimentista de inclusão social dos últimos 12 anos. O PT é o varguismo de 1954 redivivo e ampliado.

Ricardo Costa de Oliveira


Luciano Rodrigues de Oliveira_______________________ É lamentável esta visão tentando justificar os conchavos feitos pelo PT para barganhar tempo com foco na propaganda política. Pergunto, onde está a ideologia política apregoada pelo partido? Tudo relegado em nome de um projeto de poder que aparelhou o Estado, as instituições e os Poderes. Não há como justificar o conchavo com políticos que estiveram contra o povo em benefício próprio. E ainda, varrer para baixo do tapete a corrupção alegando que não sabia ! Isto é prova cabal de incompetência ou ma fé !!! Repriso, lamentável...


Ricardo Costa de Oliveira ____________________________A percepção dos eleitores da Dilma é que o Aécio-PSDB e a Marina-PSB conseguem ser muito piores, fazem as mesmas coisas e de maneira muito piorada, com apoios e financiadores ainda piores. As outras candidaturas passam a imagem de "laranjas" e de "nanicas", que crescem para baixo e são consideradas ingênuas e ineficazes. Realpolitik para quem quer defender o seu emprego, o seu salário, os seus direitos e não quer os neoliberais, os setores ainda mais atrasados e ainda mais corruptos comandando de novo o país. Democracia é muitas vezes a escolha do melhor ou do menos pior.


Giancarlo Zeni_________________________________________________ Liberalismo e políticas socioeconômicas de direita só deveriam interessar a quem de fato se beneficia: banqueiros e grandes empresários. A alienação promovida pela grande mídia é tão assustadora que consegue convencer setores da classe média e da classe trabalhadora que a esquerda é uma ameaça ao país. Ora, a melhora é visível, tangível e clara desde a ascensão do PT. Essa história de petralha, cambada, etc., é insuflada por uma elite que quer reter todos os privilégios de classe. Uma senhora de sobrenome em Minas disse claramente que vai votar no Aécio senão "daqui a pouco os pobres vão mandar no país". Eu quero um país justo e igualitário, onde minha ascendência e minha história pregressa não digam que sou melhor que um descendente de escravos, ou pior que um Jorge Paulo Lehmann. As oportunidades precisam ser as mesmas. E tenho certeza de que este é o mesmo Brasil com que Dilma sonha.

Debate à esquerda...eleições

André Castelo Branco Machado_______________________O lacerdismo, mais uma vez, uniu a direita e a ultra-esquerda e tomou conta do debate. Lastimável. Diante a uma realidade internacional muito difícil, os candidatos de oposição conseguiram desfocar a discussão do que farão, caso eleitos, diante a essas dificuldades. Uma pena a Dilma estar muito nervosa e titubear em relação ao programa histórico do PT. Se tivesse mais calma e se reproduzisse a pauta defendida nos congressos do partido, não haveria espaço para esse blá-blá-blá. Espero que a Dilma vença no domingo. Caso contrário, basta se comprometer com as mudanças estruturais que a maioria precisa e a minoria nunca aceitou que se fizesse no país.

Frederico Ronconi__________________________
 http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=38888

Por uma esquerda sem Vaticano Vermelho

E se buscássemos incorporar, às lutas sociais, todos os que o capitalismo descarta? E se isso significasse...

OUTRASPALAVRAS.NET

Ivan Araujo_________________________________________ Meu caro André, o PSOL tem uma proposta que passa necessariamente por concorrer o eleitorado de esquerda com o PT. O partido não tem ambições de ganhar a disputa no momento, motivo pelo qual pode assumir uma postura de franco atirador e marcar uma postura socialista. E dentro dessa opção achei que o PSOL foi bastante feliz, até porque a proposta do partido de maneira alguma passa por corroborar com as políticas do PT (ainda que a Luciana em todos os debates tenha pegado bem mais leve com a Dilma do que com Aécio ou Marina). Exatamente por isso, não estou bem de acordo com a crítica que você deixou ai a postura do PSOL no debate.

André Castelo Branco Machado____________________________ Ivan, basta uma liderança do PSOL cometer um crime de corrupção para a direita esmagar o partido com seu próprio discurso moralista.

Luiz Nobre_____________________________________________ Ivan quanto ao PSOL adoraria que o debate fosse uma discussão mais a esquerda; e até acho que Luciana Genro tem tentado levar para este lado. Mas estive em Macapá e a prefeitura comete atos de extrema direta, neoliberal.
Ivan Araújo O discurso do PSOL foi bem mais que um moralismo, e cito como exemplo do que eu falei os dois momentos em que a Luciana debateu diretamente com a Dilma hoje. No primeiro questionou diretamente as alianças que o partido faz, e no segundo foi feliz por poder tocar na sua maior bandeira, a da taxação de grandes fortunas e aproveitou novamente para questionar os limites que a opção governista do PT tem. Nas duas o objetivo foi exatamente esse, o de disputar com o PT o eleitorado de esquerda, que ainda vota em sua maioria na Dilma. E o fato de incomodar o pessoal do PT está mostrando que a estratégia tem caminhado bem.
Luiz Nobre Ivan não me incomoda; muito pelo contrário por sinal. Mas a prefeitura de Macapá, não segue o discurso.

Jackeline Mattos_______________________________________ Eduarda ,Dilma terá que ter muita calma e melhorar seus argumentos , pois no segundo turno eles irão se unir e vir com tudo pra cima .. não que deem medo , porém as mentiras que possam ser inventadas., se não tiver eleitores de cabeça feita , complica .. enfim .. Dilma neles *-*

Raul Maciel___________________________________________  dizer que a esquerda "faz o jogo da direita" não é governismo demais? entretanto, se comparadas as críticas de PCB-PCO-PSTU ao governo PT, sem dúvida o PSOL falha ao, nos debates, distanciar o discurso eleitoral da sua principal candidatura (Luciana Genro) do discurso ideológico do partido e por isso a crítica ao PT acaba sendo um pouco pobre
(além de acabar parecendo reformista, segundo o Vaticano Vermelho daqueles 3 partidos)

André Castelo Branco Machado____________________________ Dizer que a esquerda faz o jogo da direita é impreciso. Por isso que eu não disse isso. Quando a Luciana ou os demais candidatos da esquerda questionam os problemas reais do povo, insolúveis com o tipo de opção do PT em manter algumas alianças políticas e estruturas econômicas, vejo que estão contribuindo para fazer o jogo da esquerda. Mas quando usam o discurso moralista da direita, como se o governo do PT fosse um mar de corrupção, daí fazem sim o discurso da direita. A Luciana usou a principal intervenção do debate, a primeira, a de maior audiência, para entregar seu cartão de visita. Quando atacaram o Freixo no RJ, tentando jogar seu nome na lama, tenho muito orgulho do PT ter defendido o PSOL. Não nos alinhamos ao lacerdismo carioca que buscava fazer uma critica à direita e caluniosa. Mas a recíproca não é verdadeira. O PSOL se tornou um partido com importantes fundamentos, mas com um discurso de "ética na politica" tão frágil quanto as instituições politicas do país. Se governarem o país um dia, lidarão com a corrupção dentro do seu quadro administrativo e serão bombardeados cada vez que esses crimes forem descobertos, com a tentativa dessa imprensa oposicionista em buscar um nexo do roubo com seus principais dirigentes.

Anisio Garcez Homem_____________________________________ A Luciana Genro ontem deu a senha aos candidatos da direita. E neste sentido ela faz o jogo desta gente, sim. Não há imprecisão nisso. Ela não é uma bobinha que não sabe o que está em questão neste momento. Porque, pensemos bem. Se ela quer confrontar a cúpula do PT diante dos seus eleitores e filiados poderia ter escolhido Aécio ou Marina já na largada e dito: vocês querem fazer reformas trabalhistas, um reforma política conservadora, privatizar e entregar o pré-sal, dar independência ao BC, etc, etc...a candidata Dilma diz que é contra isso, mas se é isso ela tem que avançar para aprovar as 40 h semanais no congresso, comprometer-se com o plebiscito popular pela constituinte,entregar o pré-sal para o controle 100% da Petrobrás, etc.. O PSol apoiaria estas medidas.Assim ela estaria dando a oportunidade de se ligar as aspirações dos que votam no PT para defender seus interesses de classe. Agora, fazer discurso da Veja reproduzindo as calúnias de que o PT é um partido de corruptos...isso no mesmo dia no qual o Gilmar Mendes cassou a decisão do TSE de conceder direito de resposta ao partido pelas acusações caluniosas da turma da Abril... Quem quiser ser ingênuo que seja.
Pedro Silveira manito, digamos que tia Dilma não tá muito interessada na"pauta defendida nos congressos do partido".

Raul Maciel_______________________________ concordo, André, e de fato frustra um pouco vê-la buscar a diferenciação PSOL-PT e PSOL-PSDB falando em mensalões (de ambos), Petrobrás e aeroporto, deveria ir muito além disso

Andre Luis Souza____________________________ Vencer ela vence. Dificilmente a Marina vai conseguir o apoio necessário para vencer. Vai chegar perto, mas é pouco provável que vença. E o Aécio já não tinha chances desde o começo.
O que me preocupa é que a Dilma anda 'titubeando" demais, talvez por nem saber mais qual o objetivo ou a essência do PT...

Ana Cláudia Duvoisin Oliveira______________________________ Votar na Dilma é corroborar com esta política nojenta e corrupta, onde os seus aliados estão Sarney, Renan Calheiros, Collor... ESTOU FORA!


Claudio Ribeiro___________________________________________ Tem gente, André, que é cego. Enquanto não houve reforma política, ninguém governa sem o Senado. Não se trata de buscar aliados, mas assegurar possibilidades de implementar políticas sociais justas. Sinto que a Ana Cláudia Duvoisin Oliveira, que me parece pessoa digna, não ter entendido que ainda vivemos sob a batuta das reformas de Abril de 1977, do General Geisel.
André Castelo Branco Machado Ela é, sem dúvida, uma pessoa digna, Claudio Ribeiro. Ela, como muitos, passou a identificar no PT os problemas do Estado brasileiro, como a corrupção e outros sérios problemas estruturais. Espero que a Dilma encare as reformas necessárias e possa mudar as certezas de muitos, como minha colega Ana Cláudia. Tá na mão do PT nesse quarto mandato, que certamente será o mais importante, caso sejamos eleitos.

Andre Luis Souza__________________________________________ Eu diria que não tem como não identificar o PT com os problemas do país, pelo fato de que o governo do país agora é do PT. E é por isto que eu afirmo, André, que o PT tem que melhorar. Pode fazer muito mais do que faz, mas perde tempo com picuinhas políticas, "ligações perigosas" e políticas não eficientes, muitas originadas de ideias dos mesmos políticos de sempre que agora são "aliados".
Como eu te disse uma vez, ter o PT no governo somente não adianta, se o PT não mudar de verdade os rumos da política no Brasil. Ao invés de defendermos o partido com unhas e dentes, não importando quais são os erros cometidos, para defender o partido temos que defende-lo primeiro dele mesmo!


debate à esquerda ...eleições no Brasil... "poder popular"...

Claudio Daniel_____________ Partidos como o PSTU, PCO e o PCB fazem propaganda do "poder popular" e do "governo dos trabalhadores" como se a tomada do poder fosse acontecer amanhã e a revolução socialista coincidisse com o processo eleitoral. Isto é não apenas falso em termos de teoria marxista-leninista mas também inútil, porque não faz avançar nenhuma proposta concreta de curto prazo, contentando-se com o discurso ideológico vago, distante da realidade imediata dos trabalhadores, que desejam respostas imediatas para questões relativas à saúde, educação, moradia, segurança e transporte. No livro "Esquerdismo, doença infantil do comunismo" Lênin escreve: “A lei fundamental da revolução, confirmada por todas as revoluções, e em particular pelas três revoluções russas do século XX, consiste no seguinte: para a revolução não basta que as massas exploradas e oprimidas tenham consciência da impossibilidade de continuar vivendo como vivem e exijam transformações; para a revolução é necessário que os exploradores não possam continuar vivendo e governando como vivem e governam. Só quando os ‘de baixo’ não querem e os ‘de cima’ não podem continuar vivendo à moda antiga é que a revolução pode triunfar.”



“A revolução é impossível sem uma crise nacional geral (que afete explorados e exploradores). Por conseguinte, para fazer a revolução é preciso conseguir, em primeiro lugar, que a maioria dos operários (ou, em todo caso, a maioria dos operários conscientes, pensantes, politicamente ativos) compreenda a fundo a necessidade da revolução e esteja disposta a sacrificar a vida por ela; em segundo lugar, é preciso que as classes dirigentes atravessem uma crise governamental que atraia à política inclusive as massas mais atrasadas (...), que reduza o governo à impotência e torne possível sua rápida derrubada pelos revolucionários.”Lênin