sábado, 9 de agosto de 2014

Pela Paz

Lev Tolstói:

“Quando ouço dizer que em qualquer uma das guerras rebentadas a culpa é exclusivamente de uma das partes, nunca posso aceitá-lo. É possível reconhecermos que uma parte aja pior do que outra, mas uma discussão sobre qual delas age pior nunca será capaz de esclarecer nem a razão mais superficial de estar acontecendo algo tão horroroso, cruel e desumano como a guerra. As respectivas causas, três no total, são evidentes para qualquer pessoa que mantenha os olhos bem abertos: a 1ª  é a distribuição desigual de bens, quando alguns indivíduos roubam os outros; a 2ª  é a existência de militares que são educados e predestinados para matar; a 3ª  é a doutrina religiosa, falsa e, na maior parte das vezes, conscientemente enganosa, que está sendo impingida às novas gerações.”
(De uma carta para G. Volkonski, datada de 4 de dezembro de 1899)

Tolstói foi um dos maiores pacifistas na história russa. Foi a participação na guerra que o mudou. Ele esteve na defesa de Sebastopol, durante a guerra da Crimeia de 1853 e 1856, bem como na campanha militar de subjugação dos povos do Cáucaso. Graças a sua experiência pessoal, chegou à negação absoluta de qualquer assassinato e, como consequência, até da Igreja e do Estado, além de muitos dos institutos sociais existentes naquela altura.

Fiódor Dostoiévski:
“Em certos casos, se não em quase todos, excluindo, talvez, apenas as guerras civis, qualquer guerra é um processo através do qual (precisamente com o mínimo derramamento de sangue, a mínima mágoa e os mínimos esforços) se consegue a paz internacional e são elaborados relacionamentos mais ou menos normais entre as nações. (…) O que mais está enfurecendo e exasperando o homem é a paz, sobretudo quando é prolongada, e não a guerra. (…) Uma guerra provocada por uma causa benévola, pela libertação dos oprimidos, por uma ideia desinteressada ou santa – uma guerra destas apenas está limpando o ar social, poluído pelos miasmas acumulados, e cura as almas, acabando com as vergonhosas covardias e preguiças, dá e esclarece uma ideia, à realização da qual é destinada uma ou outra nação. Uma guerra destas está fortalecendo todas as almas com o espírito de autossacrifício, além de o ânimo de toda a nação ser fortificado através da consciência solidária e a união de todos os cidadãos integrados numa nação.”

(“Diário de um Escritor”, 1876 – Abril, capítulo 1.º, p. III: O Sangue Derramado Salva?)

Em 1877, a Rússia declarou guerra à Turquia. Além das razões políticas, essa guerra tinha uma ideia profunda: na Rússia, foi e é vista como uma ajuda fraternal aos povos búlgaro e sérvio, subjugados pelos turcos. No ano anterior à guerra e no primeiro ano da mesma, Dostoiévski publicou artigos de uma coletânea intitulada “Diário de um Escritor”, em que refletiu muito sobre a guerra, bem como sobre a política europeia em geral.

Estas obras de Dostoiévski como publicista, de um século e meio atrás, têm semelhanças impressionantes com as análises políticas que hoje em dia se encontram na internet: o mesmo ardor, rispidez na apreciação, inclinação para previsões e prognósticos. Ainda antes do início das ações bélicas, Dostoiévski falou sobre a possibilidade de uma guerra surgir sem declaração oficial, com participação de formações voluntárias, o que nos lembra a situação atual no sudeste da Ucrânia.

Aleksandr Blok:
“Não tenho medo de balas. No entanto, a guerra e tudo relacionado com ela é uma brutalidade. Foi o que me tentava apanhar desde o liceu, se manifestando de formas variadas, e, enfim, me apertou a garganta. Ninguém devia sentir o cheiro de um capote de soldado.” 
(O diário, 28 de junho de 1916)

Na fase inicial da Primeira Guerra Mundial, os russos a encaravam com o entusiasmo, os literatos requintados se alistavam no Exército ou estavam escrevendo poemas cheios de patriotismo mais sincero. Aleksandr Blok, representante mais notável do “Século de Prata” da poesia russa, tinha uma posição à parte, sentindo uma repugnância à guerra, por perceber que ela sempre levava a uma explosão social. Após a revolução de 1917, o poeta faz tentativas amarguradas de se adaptar à nova realidade “brutal”, procurando nela uma fonte saudável e purificante. Os tais esforços o levaram ao extremo desespero e à morte prematura.

Boris Paternak:

“Deveríamos enaltecer e espiritualizar nossa atualidade, para darmos mais valor a todos dias que vivemos, para evitarmos desperdiçá-los ou perdê-los em vão, para a vida se tornar tão atraente, espiritual e cheia de inspirada beleza que não reste nenhuma vontade devastadora de assassínio ou suicídio. Não sei nem posso imaginar outro meio de resistirmos à guerra.”

(Cartas, 10º volume)

Durante a época do poder soviético, a propaganda usava o slogan oficioso de “luta pela paz”. Os escritores destacados participavam frequentemente das iniciativas organizadas sob este lema. Um escritor podia exprimir seus pensamentos sobre a guerra, sem ênfase demonstrativa ou floreados ideológicos obrigatórios, apenas mediante o diário ou a correspondência particular.

Na citação acima ouvimos entonações tolstoianas, e não é por acaso. Seu romance “Doutor Jivago”, que contribuiu para Boris Pasternak ganhar Prêmio Nobel de Literatura, às vezes faz eco a “Guerra e Paz” de Tolstói. Numa outra carta, encontramos a opinião oposta de Pasternak:

“A guerra exerceu uma ação infinitamente libertadora sobre meu estado geral, saúde, capacidade de trabalho e percepção de destino”. Em prol da verdade se diga que Pasternak não participou nem da Primeira, nem da Segunda Guerra. A sua maneira de encarar a luta armada foi inspirada pelas emoções e pelo temperamento poético, em vez da experiência própria. 

Aleksandr Soljenítsin:
“Nenhuma guerra é solução. A guerra é a morte. O horror da guerra consiste não no avanço das tropas, nem nos incêndios, nem nos bombardeios. Antes de mais, a guerra é horrorosa porque entrega tudo que há de raciocinativo ao poder legal da inépcia (…) Aliás, sem guerra também lá estamos nós.”

(Romance “O Primeiro Círculo”, 1958)
Soljenítsin, ex-oficial do Exército, mandado para a prisão da linha de frente da batalha, sendo depois colocado num campo de concentração estalinista, profere a sentença bem clara contra a guerra em que participa o Estado totalitário, apesar de se tratar de uma resistência e contraposição ao agressor: “Qualquer situação bélica serve apenas para justificar uma tirania interna, fortalecendo-a.”


Mikhail Butov é escritor,  laureado com o Prêmio Booker Russo

Israele preferisce il sangue alle fragole

Gideon Levy

—  redazione, 7.8.2014. Haaretz. 


Duro articolo sulle ragioni di Hamas e la necessità di ascoltarle

“Quelli di Hamas sono tutti ‘bestie’? Ammet­tiamo pure che sia vero, ma tanto lì stanno e lì restano, e lo pensa anche Israele. Quindi, per­ché non ascol­tarli?», ha scritto qual­che giorno fa Gideon Levy, noto edi­to­ria­li­sta del quo­ti­diano israe­liano Haa­retz, a com­mento del rifiuto cate­go­rico del governo Neta­nyahu di pren­dere in con­si­de­ra­zione le richie­ste pre­sen­tate da Hamas per andare a un ces­sate il fuoco per­ma­nente. «Dopo che abbiamo detto tutto ciò che c’è da dire sul conto di Hamas – esorta Levy — che è inte­gra­li­sta, che è cru­dele, che non rico­no­sce Israele, che spara sui civili, che nasconde muni­zioni den­tro le scuole e gli ospe­dali, che non ha fatto niente per pro­teg­gere la popo­la­zione di Gaza, dopo che è stato detto tutto que­sto, e a ragione, dovremmo fer­marci un attimo e ascol­tare Hamas. Potrebbe per­fino esserci con­sen­tito met­terci nei suoi panni e forse addi­rit­tura apprez­zare l’audacia e la capa­cità di resi­stenza di que­sto nostro acer­rimo nemico, in cir­co­stanze durissime».

Invece, nota il gior­na­li­sta, «Israele pre­fe­ri­sce tap­parsi le orec­chie davanti alle richie­ste della con­tro­parte, anche quando que­ste richie­ste sono giu­ste e cor­ri­spon­dono agli inte­ressi sul lungo periodo di Israele stesso. Israele pre­fe­ri­sce col­pire Hamas senza pietà e senza alcun altro scopo che la ven­detta. Sta­volta è par­ti­co­lar­mente chiaro: Israele dice di non voler rove­sciare Hamas (per­fino Israele capi­sce che se lo fa si ritro­verà sulla porta di casa la Soma­lia, altro che Hamas), ma non è dispo­ni­bile ad ascol­tare le sue richieste…».

La set­ti­mana scorsa, ricorda Levy, «sono state pub­bli­cate, a nome di Hamas e della Jihad isla­mica, dieci con­di­zioni per un ces­sate il fuoco che sarebbe durato dieci anni. Pos­siamo anche dubi­tare che le richie­ste arri­vas­sero dav­vero da quelle due orga­niz­za­zioni, ma comun­que erano una buona base per un accordo. Tra di esse non ce n’era nean­che una che fosse priva di fon­da­mento… Hamas e la Jihad isla­mica chie­dono libertà per Gaza. C’è forse una richie­sta più com­pren­si­bile e lecita?…».

«Leg­gete l’elenco delle richie­ste – esorta il gior­na­li­sta di Haa­retz — e giu­di­cate one­sta­mente se tra di loro ce ne sia anche una sola ingiu­sta: ritiro dell’esercito israe­liano e auto­riz­za­zione dei col­ti­va­tori a lavo­rare le loro terre fino al muro di sicu­rezza; scar­ce­ra­zione di tutti i pri­gio­nieri rila­sciati in cam­bio della libe­ra­zione di Gilad Sha­lit e poi arre­stati; fine dell’assedio e aper­tura dei vali­chi; aper­tura di un porto e di un aero­porto sotto gestione Onu; amplia­mento della zona di pesca; super­vi­sione inter­na­zio­nale del valico di Rafah; impe­gno da parte di Israele a man­te­nere un ces­sate il fuoco decen­nale e chiu­sura dello spa­zio aereo di Gaza ai veli­voli israe­liani; con­ces­sione ai resi­denti di Gaza di per­messi per visi­tare Geru­sa­lemme e pre­gare nella moschea Al Aqsa; impe­gno da parte di Israele a non inter­fe­rire con le deci­sioni poli­ti­che interne dei pale­sti­nesi, vedi la crea­zione di un governo di unità nazio­nale; infine, aper­tura della zona indu­striale di Gaza… La verità (amara) è che tutti se ne fre­gano di Gaza quando non spara mis­sili con­tro Israele. Guar­date la sorte toc­cata a quel diri­gente pale­sti­nese che ne aveva abba­stanza delle vio­lenze, Abu Mazen: Israele ha fatto tutto quanto in suo potere per distrug­gerlo. E qual è la tri­ste con­clu­sione? “Fun­ziona solo la forza”».

«Con­tra­ria­mente a ciò che tenta di spac­ciare la pro­pa­ganda israe­liana — scrive Levy — i mis­sili (di Hamas) non sono mica pio­vuti dal cielo senza motivo. Basta tor­nare indie­tro di qual­che mese: rot­tura delle trat­ta­tive da parte di Israele; guerra con­tro Hamas in Cisgior­da­nia in seguito all’assassinio dei tre stu­denti di un semi­na­rio rab­bi­nico – è dub­bio che lo abbia pia­ni­fi­cato Hamas – e arre­sto di 500 suoi atti­vi­sti con false accuse; blocco dei paga­menti degli sti­pendi ai lavo­ra­tori di Hamas a Gaza e oppo­si­zione di Israele al governo di unità nazio­nale, che forse avrebbe potuto ricon­durre Hamas entro l’agone poli­tico. Chiun­que pensi che Hamas avrebbe potuto incas­sare senza bat­ter ciglio, pro­ba­bil­mente sof­fre di arro­ganza, auto­com­pia­ci­mento e cecità.…Un porto a Gaza, così che possa espor­tare le sue ottime fra­gole? Agli israe­liani suona come un’eresia. Qui, ancora una volta, si pre­fe­ri­sce il san­gue (pale­sti­nese) alle fra­gole (palestinesi)».
Gideon levy

(tra­du­zione di Marina Astro­logo

domingo, 22 de junho de 2014

Bases derrotam deputados estaduais

Ricardo Costa de Oliveira _________Bases derrotam deputados estaduais. Requião ganhou a convenção do PMDB para sair candidato (319-250 votos), com um belo discurso social e com um fator decisivo: o voto municipalista do PMDB, que derrotou os deputados estaduais pró-PSDB. Requião convenceu as lideranças locais do partido a apoiarem a sua candidatura e a futuramente se lançarem candidatos a vereador e prefeitos nos 399 municípios do estado, ao invés de serem sócios menores no desgastado e ruim governo Richa, do PSDB. 11 dos 13 deputados estaduais do PMDB apoiavam a coligação com o PSDB de Beto Richa. Quem também ganhou foi Dilma, bem avaliada nos municípios pobres e pequenos do interior, com as políticas federais e que passou a contar com dois fortes palanques no Paraná. As famílias Rocha Loures, Marcelo Almeida (tradicionais famílias do PIB paranaense), Anibelli (há décadas na Assembleia), Cleiton Crisóstomo da Silva e o deputado federal municipalista Parzianello “Frangão” estiveram na linha de frente pró-requianista. E o Curismo, perdeu ? Ora, o Curismo sempre apoiará a situação vencedora, como fizeram nos governos passados. Segue o baile familiar, mas Requião foi muito melhor do que Richa e o voto de oposição estadual se amplifica muito com a dupla Gleisi e Requião.

Ana Carolina Caldas______.Eu achei bem bom Requião vir para disputa. Na minha humilde opinião ele conseguiu avançar na educação. Na cultura, não. Concentrou maior parte dos recursos no MON e não avançou nas políticas culturais. TVE ? Ele fazia a programação Requião, o que não é bom. Mas por outro lado, foi o Governador que apoiou as ações de debates e conferências estaduais do povo da comunicação. Ele teve atitudes constrangedoras com secretários, porém todas as segundas-feiras nós ficávamos sabendo quem eram os secretários e o que eles estavam fazendo ( com a Escola do Governo televisionada). Ele é maluco, mas sincero. E assim vai. Por enquanto achei bom ter vindo para disputa. Vamos ouvir o que Requião 2014 tem a dizer...

Ulisses Galetto___________ Não sou louco de resumir um homem pelos seus erros, mas que eles são um indício, isso são. Além de se julgar dono do Estado, o que é péssimo (vide exemplos trágicos do século XX, só pra limitar a pesquisa ), ele não dá a mínima pra Cultura. Mas nesse quesito, os dois outros candidatos também não ficam muito pra trás, né? E por favor, não me peçam exemplos que eu dou.

Nixon Malveira_______ Requiã precisa de tratamento psiquiátrico. Ê como uma arvore frondosa, tal como a figueira. Sob sua sombra nada cresce, sem seu consentimento. lembrem-se de Gustavo Fruet, moacir pereira, Orlando Pessutti e muitos outros que acabaram saindo do PMDB, devido ao trator Roberto Requiáo. Ao mesmo tempo usa métodos truculentos, tipicamente fascistas, com sua tropa de assalto , Doático à frente, para trucidar seus adversários dentro e fora de seu partido. Caso ferreirinha, anti-semitismo em campanhas anteriores, homofobismo e sexismo. Tem pontos importantes tocados sob sua gestáo. ê um cara truculento mas honesto. O PT do Paraná se perdeu ao apoiar a oligarquia .

Ana Carolina Caldas________________ Nixon... Gustavo Fruet não quis ficar no PSDB porque não foi o escolhido. Fruet não quis ficar no PMDB porque não foi o escolhido. Acho que Fruet não é um bom exemplo...Pessuti está no Pmdb e pelo que eu sei votou ontem em Requião..Doático está agora com a turma do PMDB que defendo Beto Richa ( tá no governo, inclusive). De resto, concordo...Mas temos outros exemplos ai nesta eleição de fascismo mascarado....Pode investigar...( então acho que ninguém se salva) 

Ulisses Galetto______________________ Isso Ana. Se a peneira for muito fina, passa muito pouca gente.
 
Louise Nazareno___________________ No governo dele também não se caçava empréstimos de bancos Internacionais para pagar o " feijão com arroz" das políticas públicas, por exemplo, construir posto de saúde e qualificação de professores.

Grace Filipak Torres_________ Beco sem saída. Lá vamos nós pra a TV e Rádio chapa branca de novo, e um pudim nomeado pra Secretário da Cultura... é isso, a saída quase invisível do beco é o voto no menos pior...

Rosa Bittencour_________________ Já estamos de olho nas promoções ponte Rio-Curitiba para votar no Bob Requião,

Flavia Piana_____________ Diante dos outros candidatos, Ana, acho que é o que tem de melhor para o Paraná. Tenho - quase - medo do governo da Gleisi.


"O terrorismo é a guerra do pobre e a guerra é o terrorismo do rico."

"O terrorismo é a guerra do pobre e a guerra é o terrorismo do rico."
Leon Uris (3 de Agosto de 1924 - 21 de Junho de 2003) escritor americano de religião judaica, conhecido pela exaustiva pesquisa histórica com que preparava as suas novelas e romances. O seu livro mais famoso foi o clássico Exodus, que relata, de forma épica, os acontecimentos históricos que antecederam a criação do Estado de Israel, desde o surgimento do sionismo, no final do século XIX, até à independência, em 1948. É um relato, que descreve detalhadamente o horrível sofrimento dos judeus, a inacabável luta, o sonho alimentado por muita fé e coragem e o tratamento recebido pelo povo judeu na Europa no século XIX e XX.
Vi uma adaptação ao cinema de Exodus de Otto Preminger Com um grande elenco:
Paul Newman Eva Marie Saint, Ralph Richardson, Peter Lawford, Lee J. Cobb, Sal Mineo , John Derek ....
E li Mila 18, romance que se passa em Varsóvia, na Polónia ( ocupada pelos alemães ), antes e durante a Segunda Guerra Mundial.
O trabalho de Leon Uris, baseado em eventos reais, cobre a ocupação Nazi da Polónia e as atrocidades desumanas que visavam eliminar sistematicamente o povo judeu da Polónia.
O nome "Mila 18" é tirado do quartel-general de resistência dos combatentes judeus, debaixo da rua Mila 18.
O termo gueto ganha um significado mais claro quando os corajosos líderes judeus lutam não só contra os Nazis, mas também com os exploradores e colaboradores entre eles.

Quando o ghetto é reduzido a escombros, alguns indivíduos corajosos com poucas armas e sem ajuda externa, assumem o comando de defesa do ghetto, formando uma exército improvisado e tomando,assim, uma posição .
mariana soveral

Os ricos estão sendo afastados da política, afirma pesquisador



Para o cientista político Leôncio Martins Rodrigues há um processo de "popularização da classe política" no Brasil, tendência que tem afastado do poder os membros das classes mais ricas.
FOLHA DE S.PAULO


Stéphane Monclaire Ainda não li este novo livro do Leôncio. Suponho que ele classifica apenas os deputados federais e que ele usa a mesma metodologia que no seu livro anterior ("Mudanças na classe política brasileira", 2006), isto é, privilegiar a profissão como indicador. Ora ele sabe os limites deste indicador, desde o trabalho de David Fleischer sobre os constituintes (trabalho que Leôncio criticou muito em 1987). Me lembro de algumas discussões em 2005 e 2006 entre Leôncio e Fernando Rodrigues (Fernando utilizando o patrimônio declarado ao TSE para classificar os políticos , indicador que tem também algumas limitações)

Guilherme Hideo Assaoka Hossaka Mais do que limitado, utilizar as declarações do TSE é conceitualmente equivocado mesmo no melhor dos cenários. Boa parte dos ativos declarados não são marcados a mercado: as distorções são enormes.

Vandixon Richard DeLemos Exatamente Guilherme, os valores são sempre os venais, no caso de imóveis, pelo valor que consta no carnê do IPTU (abaixo do valor patrimonial líquido real) e são utilizados como referência para o Imposto de Renda. Além disso declaram que possuem cotas de determinada empresa, muitas vezes holdings ou empresas de participação cujo capital social é de R$ 1 ou 10 mil, mas que possuem um patrimônio de milhões em recursos e bens (expediente é utilizado para segurança ou blindagem patrimonial, mas não com finalidade ilegal).

Emerson Urizzi Cervi No máximo os de "linhagem rica", mas isso é diferente de "os ricos".
o importante é não perder o fundamento do pensar

quarta-feira, 11 de junho de 2014

politica paranaense

Ricardo Costa de Oliveira.A política dos governadores quebrou a política do café-com-leite. A reeleição de Lula em 2006, a eleição de Dilma em 2010 e a reeleição de Dilma passa(ra)m pelo eleitor que reelege o governador e a presidência. Se o Brasil melhora, mesmo os piores governadores ainda atrelam os seus desempenhos (em boa parte) ao desempenho da presidência. Tivemos o voto Lulécio, Dilmanastasia e agora o Dilmalckimin. O voto Dilmaricha também não e pequeno, mas se Requião passar pela convenção do PMDB podemos ter o mesmo cenário das eleições municipais de Curitiba, as oposições no segundo turno e Richa fora, tal como aconteceu com Luciano Ducci. http://painel.blogfolha.uol.com.br/2014/06/09/aecio-empata-com-dilma-entre-eleitores-de-alckmin/

Marcus Figueiredo: "No Brasil as eleições são casadas, mas os votos são solteiros".

Eduardo Salamuni Ok, em minha opinião, se o PMDB recusar-se a colocar um candidato ao governo será difícil o PT emplacar seu candidato e, infelizmente, Richa terá boas perspectivas de vitória. O PT local perdeu muito terreno com o episódio do assessor pedófilo da Gleisi (mesmo ela não tendo nenhuma responsabilidade nisso) e, pior ainda, a grande decepção de seu coordenador de campanha André Vargas. Um segundo turno com PT e PMDB seria um bom debate de ideias. É uma pena para o Paraná todo. O lado obscuro dessa história é que, quem está mantendo as chances reais de reeleição de Richa são os próprios deputados do PMDB, que sem tirar nem por, estão apenas pensando em sua própria manutenção e sobrevida política. Ao final de um eventual e desastroso segundo mandato de Richa pouco sobrará a ser administrado nesse estado. A primeira ação do segundo mandato desse indigitado governador será a instalação do "TUDO AQUI PARANÁ", um programa que é uma armadilha mortal para várias secretarias de estado e que só não aconteceu ainda, sejamos justos, devido aos deputados estaduais do PT (em especial o Dep. Tadeu Veneri).


Ricardo Costa de Oliveira Sim Eduardo. A convenção do PMDB paranaense será decisiva para as eleições. Vamos ver de que lado ficarão os deputados estaduais do PMDB ? Outro elemento novo é a candidatura presidencial do Pastor Everaldo, comentaremos em outro tópico !

domingo, 27 de abril de 2014

1913: Guilherme 2º proíbe oficiais fardados de dançar tango

No dia 20 de novembro de 1913, após participar de um sarau promovido por uma condessa, o Imperador Guilherme 2º ficou tão chocado com o tango, que proibiu seus oficiais de dançarem o novo ritmo, pelo menos quando estivessem de uniforme.



O tango surgiu nos subúrbios de Buenos Aires em meados do século 19. Na beira do rio Riachuelo, nos bares, nos cortiços do bairro sul, nos prostíbulos, estavam os soldados de folga, trabalhadores dos abates, cocheiros, artesãos, marinheiros e peões, em geral homens sozinhos em busca de companhia e diversão. Nestes salões, tocavam-se valsas, milongas, mazurcas, habaneras, polcas e esboços do futuro "tango criollo".
O tango que se dançava já em 1880, composto por Villoldo ou Mendizabal, entretanto, não era o mesmo "tango argentino" que se conhece hoje, de astros como Carlos Gardel ou Astor Piazzolla. A dança em si sofreu algumas mudanças com o passar do tempo, mas permaneceu a cadência entre os movimentos suaves e bruscos.
Os ricos e que se diziam cultos torciam o nariz para o que chamavam de "coisa do proletariado ou de prostitutas". A forma sensual da dança e o fato de ser muito mais espontânea chocava as elites da época. Principalmente na Europa, onde o tango chegou através de Paris em 1907.
Alemão levou bandoneon à Argentina
O jornal britânico Times escreveu em 1913 tratar-se de uma dança extremamente "desajeitada". Preocupados com a propagação entre a sociedade, as autoridades chegaram a tomar atitudes enérgicas: o Papa proibiu o tango e o imperador Guilherme 2º da Alemanha não queria que seus oficiais o dançassem de uniforme. Já uma regulamentação do Balé da Cidade de Viena proibiu que ele fosse incluído entre as danças executadas pelo seu corpo de baile.
Uma das grandes características do tango, se não a principal, é o instrumento em que tradicionalmente é tocado: o bandoneon, levado para a Argentina por Heinrich Brand, da cidade alemã de Krefeld.
Pouco a pouco, a dança foi conquistando espaço nos salões. Até a moda adaptou-se, pois as damas precisavam de liberdade de movimentos. Poiret, por exemplo, criou o "tango look", com vestidos de ombros de fora, acinturados, decotados, que elas usavam sobre calças justas até o tornozelo, ou então saias justas de "chiffon", com aberturas generosas. Nas cabeças, boinas em forma de turbante, com penas.
Até mesmo as madames da alta sociedade começavam a gozar de mais liberdade. Era a época das revoluções cultural e industrial na Europa, em que se buscava mais independência e mudanças no estilo.
Na década de 20, compositores famosos como Igor Stravinsky, Paul Hindemith e Ernst Krenek acrescentaram o tango às suas composições e assim abriram espaço para o gênero nas salas de concerto e nas óperas.
·         Autoria (rw)
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Bismarck e o 2º Império

A Revolução Francesa contribuiu para a queda do Sacro Império em 1806. Uma nova unificação política só foi possível em 1871, graças ao progresso econômico registrado a partir de meados do século 19.


O impacto da Revolução Francesa – que em 1789 proclamou Liberté, Egalité, Fraternité na França, eliminando a ordem social feudal e promovendo a separação de poderes – foi o que faltava para fazer desmoronar o Sacro Império Romano de Nação Germânica. Os ideais revolucionários ouvidos na França não chegaram a se alastrar na Alemanha devido à estrutura federalista do império. Mas as ofensivas militares desencadeadas pela revolução tiveram amplo efeito sobre a região.
A Prússia e a Áustria resolveram intervir nos acontecimentos do país vizinho e acabaram provocando uma contraofensiva das tropas revolucionárias. Atacado pelo exército de Napoleão Bonaparte, que se considerava herdeiro da Revolução Francesa, o Sacro Império sucumbiu definitivamente, e a França anexou a margem esquerda do rio Reno.
Essa reorganização territorial deu-se às custas dos principados menores e dos religiosos. Os estados de porte médio foram os grandes beneficiados, unindo-se em 1806 na Liga Renana (ou Confederação do Reno), sob o protetorado francês. No mesmo ano, o imperador Francisco 2º abdicou da coroa, pondo fim ao Sacro Império Romano de Nação Germânica. A necessidade de expulsar os invasores franceses acabou dando asas ao espírito nacional, e um novo movimento nacional culminou nas Guerras de Libertação.
A Alemanha, contudo, não ficou imune às grandes transformações sociais vindas da França e acabou instituindo a sociedade burguesa. Reformas, como a abolição da vassalagem, a liberdade profissional, a autonomia municipal, a igualdade perante a lei e o serviço militar obrigatório, foram implementadas inicialmente nos estados da Liga Renana e mais tarde também na Prússia, dando continuidade à reforma judicial e outras obras avançadas realizadas no século anterior por Frederico, o Grande (1740–1786), um legítimo representante do despotismo esclarecido.
A Liga Alemã

Após a derrota de Napoleão, o Congresso de Viena (1814–1815) estabeleceu uma nova ordem na Europa. Porém, as aspirações de muitos alemães a um Estado nacional livre e homogêneo não se concretizaram. A Liga Alemã, que substituiu o antigo império, era uma união de estados soberanos pouco coesos. O único órgão, a Dieta de Frankfurt, não era um parlamento eleito, e sim um congresso de delegados. A Liga Alemã só podia agir com o beneplácito das duas grandes potências Prússia e Áustria. Nas décadas seguintes, a Liga reprimiu todas as tentativas de unificação e liberdade.
O desenvolvimento econômico incipiente trazia modernidade, contrariando essas tendências retrógradas. Em 1834, foi fundada a União Alfandegária Alemã, que implantou um mercado nacional uniforme. Em 1835, foi inaugurada a primeira estrada de ferro. Começava a industrialização. Com as fábricas, formou-se uma nova classe operária fabril. No entanto, o forte crescimento demográfico levou a um excedente de mão de obra. Como não havia legislação previdenciária ou trabalhista, a massa dos operários vivia na miséria.
A Revolução de 1848
A revolução de fevereiro de 1848 na França teve eco imediato na Alemanha, ao contrário do que acontecera com a Revolução Francesa. Em março, insurreições populares em todos os estados da federação obrigaram os amedrontados príncipes a fazerem grandes concessões. Em maio, reuniu-se a Assembleia Nacional em Frankfurt. O arquiduque austríaco João foi eleito regente do império.
O centro liberal, que visava a uma monarquia constitucional com direito eleitoral limitado, era a força dominante na Assembleia. Contudo, a excessiva fragmentação partidária dificultava o trabalho legislativo. A classe política estava dividida entre a chamada "grande solução" e a "pequena solução", ou seja, um império alemão com ou sem a Áustria.
Afinal, foi aprovada uma Constituição democrática, na qual se tentava conjugar o velho com o novo. Ela previa que o governo prestasse contas ao Parlamento. Como a Áustria insistisse em incorporar ao futuro império todo o seu território, composto de mais de uma dúzia de povos, venceu a tese da pequena solução.
A Assembleia Nacional ofereceu ao rei da Prússia, Frederico Guilherme 4º, a coroa hereditária do Império Alemão. Mas o soberano não aceitou a dignidade de imperador concedida por uma revolução. Em maio, fracassaram os levantes populares que pretendiam impor a Constituição "de baixo para cima". Selada a derrota da revolução alemã, a maioria das conquistas foram anuladas e em 1850 foi restabelecida a Liga Alemã.
A ascensão de Bismarck
O grande progresso econômico registrado em meados do século 19 trabalhou a favor da unificação, tornando a Alemanha um país industrial, com destaque para a indústria pesada e a construção de máquinas. Na vanguarda desse desenvolvimento estava a Prússia.
A riqueza econômica, por sua vez, fortalecia a consciência política da burguesia liberal. O Partido Progressista Alemão, fundado em 1861, tornou-se a principal força no Parlamento da Prússia, opondo-se muitas vezes ao governo.
Empossado em 1862 como chanceler, Otto von Bismarck aceitou o desafio de governar contra o Parlamento e sem um orçamento por ele aprovado. Para impor a cobrança de novas taxas, e assim financiar a reforma militar que pretendia fazer, recorreu a medidas repressivas, como a censura da imprensa e a restrição ao direito de reunião.
Os êxitos na política exterior compensaram a fraca posição de Bismarck na política nacional. Ao vencer a guerra contra a Dinamarca (1864), a Alemanha obteve os territórios de Schleswig e Holstein, no norte, passando a administrá-los conjuntamente com a Áustria. O objetivo de Bismarck, contudo, era anexar os dois ducados.
O conflito acabou levando a uma guerra contra a Áustria, que saiu derrotada (1866). A Liga Alemã foi dissolvida e substituída pela Liga Setentrional Alemã, que reunia todos os estados germânicos ao norte do rio Meno, tendo Otto von Bismarck como chanceler (primeiro-ministro).
O 2º Império

Completando a unificação da Alemanha no sentido da "pequena solução", Bismarck conquistou a Alsácia e a Lorena, numa guerra contra a França (1870–1871) deflagrada por um conflito diplomático. Imbuídos de patriotismo, os estados do sul da Alemanha uniram-se à Liga Setentrional Alemã, constituindo o 2º Império Alemão ou Reich. Em Versalhes, o rei Guilherme 1º da Prússia foi proclamado imperador da Alemanha, no dia 18 de janeiro de 1871.

A unidade alemã, portanto, não resultou da vontade do povo, "de baixo para cima", mas de um pacto entre os príncipes, isto é, "de cima para baixo" e com a supremacia esmagadora da Prússia. O Parlamento do Império, o Reichstag, era eleito por sufrágio igualitário e tinha apenas uma influência indireta no governo. O chanceler do Império, embora só devesse prestar contas ao imperador, era obrigado a procurar apoio para a sua política no Parlamento.
Não eram uniformes as leis eleitorais relativas às representações populares dos diferentes estados no Reichstag. Em 11 estados, existia o sistema eleitoral por classes, dependente dos impostos pagos pelo eleitor e, em outros quatro, mantinha-se a representação por corporações. Com maior tradição parlamentar, os estados do sul da Alemanha reformaram seu direito eleitoral, adaptando sua legislação eleitoral à do Império.
Bismarck governou o Império por 19 anos, fortalecendo sua posição na nova constelação de forças na Europa através de uma política de paz e de alianças. Sua política nacional, porém, estava distante dessa sabedoria. Bismarck combateu tendências democráticas por considerá-las inimigas do Império.
Lutou contra a ala esquerda da burguesia liberal, contra os políticos católicos e, principalmente, contra o movimento operário organizado, que reprimiu durante 12 anos. Bismarck, de certa forma, terminou sendo vítima do seu próprio sistema. A política personalista do jovem imperador Guilherme 2º forçou-o à demissão em 1890.

DW.DE

1974: Revolução dos Cravos em Portugal

Pouco após a meia-noite de 25 de abril de 1974 começou a soar na emissora católica de Lisboa a música até então proibida "Grândola, Vila Morena". Era o sinal combinado para o início do levante militar em Portugal.

Antes da revolução, era rara em Portugal a família que não tivesse alguém combatendo nas guerras das colônias na África, o serviço militar durava quatro anos, opiniões contra o regime e contra a guerra eram severamente reprimidas pela censura e pela polícia.
Antes de abril de 1974, os partidos e movimentos políticos estavam proibidos, as prisões políticas estavam cheias, os líderes oposicionistas estavam exilados, os sindicatos eram fortemente controlados, a greve era proibida, as demissões fáceis e a vida cultural estritamente vigiada.
A liberdade em Portugal começou com a transmissão, pelo rádio, de uma música até então proibida. Os cravos enfiados pela população nas espingardas dos soldados acabaram virando o símbolo da revolução, que encerrou, ao mesmo tempo, 48 anos de ditadura fascista e 13 anos de guerra nas colônias africanas.
Em apenas algumas horas, as Forças Armadas ocuparam locais estratégicos em todo o país. Ao clarear, multidões já cercavam as emissoras de rádio à espera de notícias. A operação, calculada minuciosamente, havia pego o regime de surpresa. Acuado pelo povo e pelos militares, o sucessor de Salazar, Marcelo Caetano, transmitiu sua renúncia por telefone ao líder dos golpistas, general António de Spínola.
Transportado de tanque ao aeroporto de Lisboa, Caetano embarcou para o exílio no Brasil. Em quase 18 horas, havia sido derrubada a mais antiga ditadura fascista no mundo.
Não houve acerto de contas
Artistas, políticos e desertores começaram a retornar do exílio. As colônias receberam a independência. A caça às bruxas aos responsáveis pela ditadura acabou não acontecendo, e as dívidas do governo anterior foram todas pagas. Os únicos a oferecer resistência foram os agentes da polícia política. Três pessoas morreram no conflito pela tomada de seu quartel-general.
Ao voltar do exílio em Paris, Mário Soares, o dissidente mais popular do governo Salazar, foi recebido por milhares de pessoas na estação ferroviária de Lisboa. Cravos vermelhos foram jogados de helicóptero sobre a cidade e só se ouvia a famosa canção Grândola, vila morena, que já havia se tornado o hino da revolução.
Em 1974, Portugal era um país atrasado, isolado na comunidade internacional, embora fizesse parte da ONU e da Otan. Era o último país europeu a manter colônias e vinha travando uma longa guerra contra a independência de Angola, Moçambique e Guiné. O regime de Salazar, iniciado em 1926, havia conseguido manter-se através da repressão e fora tolerado pelos países vencedores da Segunda Guerra Mundial.
Golpe militar vira festa revolucionária
Em 1º de maio, a esquerda, fortemente engajada, mostrou sua força em Lisboa, enquanto trabalhadores rurais do Alentejo expulsavam latifundiários e banqueiros eram desapropriados.
A esquerda europeia viu em Lisboa um palco ideal para os movimentos frustrados de 68. A pacata e católica população portuguesa, por seu lado, sentiu-se ignorada e, a partir do norte conservador, iniciou um movimento contra os extremistas.
Em 1975, aconteceu a dupla tentativa de golpe, da esquerda e da direita, contra o governo socialista, levando Portugal à beira da guerra civil. A ala militar extremista de esquerda obteve o domínio da situação em novembro de 1975. Após as eleições do ano seguinte, o general António Ramalho Eanes foi eleito presidente.
O Partido Socialista, com Mário Soares, assumiu um governo minoritário. A crise econômica o levou à renúncia em 1978. Entre 1979 e 1980, o país teve cinco primeiros-ministros. Em 1985, o governo foi assumido por Aníbal Cavaco Silva e Mário Soares tornou-se presidente no ano seguinte. Em 1986, Portugal ingressou na então Comunidade Econômica Europeia, hoje União Europeia.

·         Autoria Barbara Fischer (rw)
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1904: Começa a revolta dos hereros

Em 2 de janeiro de 1904 estourou uma revolta do povo banto dos hereros contra os colonizadores alemães na então África do Sudoeste, atual Namíbia. A resposta alemã foi o genocídio.



A revolta surpreendeu os alemães na África do Sudoeste. Durante 20 anos, eles tinham expandido o seu domínio na atual Namíbia usando a tática de alimentar as rivalidades entre os povos inimigos dos nama e herero. Mas, desta vez, eles próprios foram as vítimas. Os revoltosos, liderados pelo cacique Samuel Maharero, matavam todo alemão que pudesse portar uma arma.
Os hereros viviam basicamente da pecuária. Passo a passo, o orgulhoso povo de pastores perdeu seus campos para os colonizadores alemães. Às vezes, na base de negociações, mas freqüentemente também por meio de falcatruas e violência.
Resistência à dominação
A situação chegou a um ponto em que o cacique dos hereros, Samuel Maharero, conclamou seu povo e outras tribos a resistirem à dominação alemã.
Numa carta ao líder nama Hendrik Witbooi, ele escreveu: "Toda a nossa subserviência e paciência em relação aos alemães não nos trouxe vantagens. Por isso, faço um apelo, meu irmão, para que participes da nossa revolta, de modo a toda a África levantar suas armas contra os alemães."
Reação violenta
Porém, esse sonho de Maharero não se tornou realidade. Os nama ficaram na expectativa, enquanto o Império Alemão reagiu com extrema brutalidade. O imperador Guilherme 2º mandou tropas comandadas pelo general Lothar von Trotha à África do Sudoeste.
Em carta ao governador da colônia, Theodor von Leutwein, ele anunciou uma violenta repressão: "Conheço muitas tribos africanas… Terror, violência brutal. Essa é a minha política", escreveu.
A 11 de agosto, von Trotha cercou os hereros na decisiva batalha de Waterberg, cerca de 400 quilômetros ao norte de Windhoek. O general alemão organizou suas tropas de forma a que os hereros só podiam romper o cerco num determinado ponto, para fugir rumo ao deserto de Omaheke. Ainda assim foram perseguidos pelos alemães, segundo relatou o comando do exército imperial.
"Ordem de extermínio"
Somente alguns poucos fugitivos conseguiram escapar para o território britânico de Betshuana. Outros tentaram romper a barreira militar alemã e voltar aos seus povoados de origem. Mas von Trotha foi implacável. A 2 de outubro de 1904, baixou uma proclamação que entraria para a história como uma "ordem de extermínio".
Esse ato de barbárie foi demais até para o governo alemão em Berlim. O chanceler imperial Bernhard von Bülow interveio junto ao imperador, argumentando que os hereros eram mão-de-obra indispensável para as fazendas e minas da África do Sudoeste e, por isso, deveriam ser poupados. Guilherme 2º ainda hesitou quase duas semanas até revogar a ordem de extermínio e exigir que von Trotha aceitasse a capitulação dos hereros.
Para a maioria dos rebeldes, porém, essa decisão veio tarde demais. Apenas cerca 15 mil de um total de 80 mil hereros escaparam do genocídio. O domínio alemão ainda persistiu por mais uma década.
Sob os auspícios sul-africanos
Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, a atual Namíbia foi ocupada pela África do Sul, na época colônia britânica. Em 1920, a Liga das Nações deu à África do Sul um mandato para administrar o território, situação que perdurou até o final da década de 80.
A luta pela libertação eclodiu em 1966, com o início das guerrilhas praticadas pela Organização dos Povos do Sudoeste da África (Swapo), de linha marxista. A Namíbia, no entanto, só se tornaria um país independente em 21 de março de 1990.

·         Autoria Carsten von Nahmen (gh)
·         Assuntos relacionados Primeira Guerra Mundial
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014



Penso que existem diferentes violências oriundas de diversos lugares na sociedade, mas me parece que todas elas se unificam a partir de um lugar: o Estado brasileiro. Seja pela presença seja pela ausência, o Estado brasileiro é fonte/incentivo à violência. Quando ausente, cria uma estrutura de oportunidades para que a barbárie entranhada na sociedade brasileira se manifeste, como no caso do garoto amarrado ao poste; quando se faz presente, humilha a população pela ineficiência ou pela repressão. Na minha opinião, o problema da reforma do Estado brasileiro, para além da bobagem do Estado mínimo ou da antinomia infrutífera entre empresas estatais ou privadas, é o tema ausente mais importante da agenda política no Brasil. Reforma no sentido de, por um lado, recapacitá-lo a ser coordenador de ação coletiva e implementador de um projeto de longo prazo que transcenda o curto prazo das eleições e, por outro, no sentido de republicanizá-lo, de colocá-lo a serviço da população e não contra ela. Mas para isso, seria preciso um pacto entre lideranças políticas e forças socioeconômicas em nome de um projeto de longo prazo. Quem seria capaz de encaminhar isso?

Renato Perissinotto

Não é por falta de leis que criminosos ficam impunes no Brasil. Qualquer estudante de primeiro ano de Direito sabe apontar exatamente em quais leis, artigos, parágrafos e alíneas enquadrar, por exemplo, o assassino do cinegrafista Santiago Andrade ou os mascarados que incendiaram um fusca em São Paulo. Como sabe, igualmente, dizer os delitos dos policiais que torturaram, mataram e desapareceram com Amarildo, dos políticos que traficam drogas ou dos juízes que passeiam pela Europa custeados pelo dinheiro público.

Defender uma lei “antiterrorista” nada mais é do que fazer média com aqueles que sempre pedem mais repressão, abrir as portas para uma intensificação da violência policial e alimentar a suspeição sobre qualquer legítima manifestação popular. É lamentável o esforço que alguns dos nossos fazem para ficar parecidos com aqueles que sempre combateram.

Roberto Elias Salomão

domingo, 26 de janeiro de 2014

'' As equações não explodem'' disse o Herr Einstein; e eu acredito que as economias também, se fossem menos financistas, e sim mais equacionadas, as equações são lindas! não precisam de fissões! além das que podemos conhecer nos papéis; as economias não explodem, quando mais ensolaradas e mais ventadas.

ts
essas atuais barcas modernosas que fazem a travessia rio-niterói se vê tudo, menos o mar. o rio de janeiro virou uma puta de gringo para os gozos globais dos bancos, do cesar maLa, cabralóide, e uns e outros que ja deviam ter nascido mortos, uns tais roberto marinho, brizola e oscar niemayer, e pior que essas porras nefastas viveram mais do que deus. isto aqui é uma tristeza para qualquer um que sente e pensa com devida profundidade,

black blocs, rogai por nós.

Tulio Stef  Sartini

sábado, 11 de janeiro de 2014

Distanciamento ,objetividade e reflexão na rede de relacionamento

"Para um homem de bem, a indiferença pode ser uma religião". Tchekhov.

Renato Perissinotto é tanta gente apaixonada pelas próprias ideias aqui que fica difícil dialogar. Um pouco de indiferença e frieza ajudaria a ouvir o interlocutor; a ver as ideias do outros como elas realmente são. Na introdução de Rubens Figueiredo a "O assassinato e outras histórias", do Tchekhov, ele diz: "Tchekhov faz da indiferença um método crítico, uma estratégia literária para nos pôr em contato com as coisas tais como são".
Adriano Codato O Moravia tem um livro chamado Os indiferentes, que li no século passado. Fiquei com vontade de ver se é a mesma ideia.

André Duarte Tem também o Desprezo...

Maria Carolina Schaedler com "as coisas tais como são..."?

Renato Perissinotto até onde isso for possível, Maria Carolina Schaedler. O importante não é tanto o resultado final, mas a disposição inicial.

Maria Carolina Schaedler uma disposição para o contato com a diferença...

Renato Perissinotto sim e disposição também para duvidar de si mesmo.

Maria Carolina Schaedler duvidar de si mesmo pode ser inscrever a diferença em si mesmo

Marcos Lanna Contato cauteloso com a indiferença , Maria Carolina , etnocentrismo e egocentrismo controlado. Pois por mais que o egocentrismo irrite, Renato , especialmente nesse antro q é o fcb, ele é Inescapavel, Freud mesmo explica. Agora, a realidade do Tchecov difere tanto da nossa ! Lá o drama é mais interno , aqui somos mais preservados, espectadores de corpos dissecados e etc

Fernando Baptista Leite o "véio" Bourda fala em "manter-se sempre um pouco ingênuo" em qualquer assunto, como forma de garantir objetividade. Tipo um outsider curioso, que não toma nada por dado. É difícil, mas é libertador cultivar, na prática, esse negócio.


Classe Média,lumpemproletariado e lumpenburguesia

Claudio Daniel.....A classe média (ou, no jargão marxista, pequena burguesia) é o grupo social intermediário, situado entre a classe operária, que produz a riqueza, e a burguesia, que é a proprietária dos meios de produção. Pertencem à classe média os advogados, médicos, professores, jornalistas, gerentes, escritores, artistas e outros profissionais que não estão ligados diretamente à produção ou à administração da riqueza. Historicamente, sempre que há uma situação de crise revolucionária, parte da pequena burguesia se alia aos trabalhadores e assume a ideologia socialista e outra parte (majoritária) se alia aos patrões e assume a ideologia fascista.Claro: nascer na classe média não faz ninguém ser bom ou ruim, e sim as suas escolhas políticas e ideológicas. Karl Marx era pequeno burguês, Engels, filho de empresário, Lênin pertencia a um ramo da pequena nobreza arruinada, Fidel Castro era de família rica, Che Guevara pertenceu à classe média... mas todos eles foram revolucionários socialistas porque escolheram o lado da classe operária.

Carlos Laet de Souza... A classe média também pode ser definida como a classe auxiliar de Gramsci, sem a qual, a burguesia perderia os seus gerentes. São a noblesse de robe - a pequena nobreza que estruturava a burocracia da fase de acumulação de capital. E justamente por serem instruídos, têm mais facilidade para optar pela esquerda ou direita. Me parece que, pessoas individualistas que se fixam em construir suas vidas completamente alheias ao que acontece com seus semelhantes tendem a caminhar para a direita. Os mais idealistas, que se sentem parte de um destino comum de toda a humanidade e que não se satisfazem em enriquecer em meio a miséria de muitos, tendem para a esquerda. Vamos ver eu eu posso ajudar[sobre lumpemburguesia]. O pensamento de Marx dizia que a humanidade só se propunha a resolver os problemas que lhe eram postos, não que pudesse resolver todos. Tal ideia tem a ver com o prefácio da Introdução à Economia Política, quando dizia: uma formação social não desaparece antes de realizar toda a sua potencialidade e um novo modo de produção não surge antes que estejam presentes todas as condições materiais para a sua existência. Escrevi de memória e, portanto, as palavras guardam este conteúdo mas não são exatas nem na tradução para o português.Quanto ao lumpen proletariat, ele é constituído de segmentos da classe dominada que se desviaram. São criminosos e toda a sorte de gente que, por causa das condições sociais e econômicas em que vivem tornam-se marginais. Marx advertia que o lumpen não era revolucionário. Eles são inconscientes politicamente. Trata-se do que Robert Merton classificou, já no século XX, como o inovadores, ou seja, pessoas que comungam dos valores sociais mas não das formas institucionais para obtê-los. Amam a propriedade mas não a procuram pelos meios legais, mas pelo crime. Claramente, não são revolucionários. Este fenômeno, Merton denominava rebelião. Os rebeldes eram os que não concordavam com a ordem estabelecida e a queriam superar por meios não institucionais. Estes são revolucionários. Classes perigosas era forma como os conservadores do início do século XX e século XIX denominavam a classe trabalhadora como um todo, pois entendiam que seriam propensos ao crime. Possivelmente, Marx ou Engels usaram este conceito de uma forma evidentemente distinta.O que há de mais fantástico em Marx e Engels é que foram os cientistas sociais - em sentido amplo - que mais inovaram. Eles tinham um raciocínio profundo e que ultrapassava tudo que se pensava na época. Ninguém inovou tanto. A ideia da economia como motor da história foi revolucionária e mudou a concepção da história. No fundo, a escola dos Annales não fez mais do que substituir a concepção idealista pela economicista. Mas o que eu acho mais fantástico nos dois era a forma como eles pensavam mais de um século a frente. Sobre isto, peço licença para contar minha experiência pessoal. Quando eu estudava direito no Rio, li o Manifesto Comunista de 1848. Na época não concordei com o ponto de vista de acerca dos costumes sexuais, tais como virgindade etc. Na verdade, eu era um machista ignorante que ainda espelhava a concepção preconceituosa dos anos 70. Hoje eu penso como Marx e Engels, os primeiros feministas da história, puderam, em meados do século XIX, estarem tão mais avançados do que eu na década de 70 do século XX. E hoje, todos sabemos que eles estavam certos. A ideia de que a primeira propriedade privada foi a esposa é simplesmente genial e ultrapassa tudo que se pode esperar das mentes mais talentosas. Os dois estão séculos a nossa frente.


As lagostas por Roseana

Emerson Urizzi Cervi
Quero discordar de meus amigos  que estão relacionando a compra de lagostas por Roseana Sarney com o contínuo massacre anunciado nos presídios do Maranhão. Como se diz lá no norte do Paraná, não há nenhuma relação entre as duas coisas. Nem mesmo no que diz respeito à ausência de bom senso da equipe de governo da Roseana. Isso acontece em todos os governos estaduais, sem exceção. E não é em todos os Estados que facções criminosas transformaram presídios em "terra sem lei". Acho que a melhor comparação seria entre a compra de lagostas por Roseana e o pedido de Michele Obama para que os convidados cheguem às recepções alimentados. Ou seja, no Brasil os "habitués" esperam receber do Estado um tratamento classe A, incluindo "comes e bebes" de primeira pagos com dinheiro público. Enquanto a primeira dama norte-americana passa o recado: "quer comer bem, pague com o seu dinheiro". Essa é a comparação que deveria ser feita, pois os "habitués" das recepções palacianas não são os mesmos que superpovoam os presídios. Nem aqui, nem lá. O dia que os frequentadores de palácios brasileiros pararem que esperar tudo do Estado, inclusive lagostas, avançaremos. Só nesse dia...

Renato Perissinotto A compra da lagosta naquelas circunstâncias não é causa imediata de nada, mas é sim a desfaçatez das autoridades brasileiras elevada ao paroxismo. Nesse sentido, é causa distante (talvez nem tão distante assim) de várias outras coisas.

Emerson Urizzi Cervi sim Renato Perissinotto, é causa distante de uma série de coisas, mas muito distante de relacionar um sistema penitenciário em crise crônica com um item de uma lista de produtos para compra/licitação. Com certeza está mais próximo da desfaçatez como as pessoas que têm acesso aos palácios tratam o dinheiro público do que da desfaçatez de como as autoridades tratam o sistema prisional.

Renato Perissinotto acho que são coisas inseparáveis: no Brasil, a percepção de que o Estado deve atender apenas a alguns é irmã da percepção de que preso é lixo.

Emerson Urizzi Cervi . Renato Perissinotto, concordamos nesse ponto. Acho que nossa discordância está no foco. Parece que você responsabiliza os gestores diretos do Estado pelas decisões, enquanto eu coloco na conta da sociedade que cobra determinado tipo de tratamento - com dinheiro público, sempre - para uns, diferente do tratamento dado a outros.

Renato Perissinotto então não discordamos em nada, pois é evidente que tanto a percepção de que alguns merecem tratamento especial pelo Estado como a percepção de que preso é lixo são amplamente partilhadas por grande parte da sociedade. Eu só quis chamar a atenção aqui para o fato de que, neste caso, uma lagosta e bem mais do que uma lagosta e que a desfaçatez da governadora do Maranhão está umbilicalmente ligada à sua política penitenciária. São duas visões de mundo inseparáveis.Por fim, um último comentário: é verdade que não é em todos os Estados que as facções criminosas transformam presídios em terra sem lei (será?), mas é verdade que em todos os Estados as condições carcerárias são medievais.

Bruno Fernandes Meus caros professores Emerson e Renato, concordo com tudo que disseram e tenho apenas uma questão: uma licitação destas em um momento como este não é uma grande falta de sensibilidade política? Acho que isto mostra a que o clã Sarney não precisa dar satisfações ao povo.

Emerson Urizzi Cervi Ruthinha Figueiredo acho que o problema nem é com os que se elegem, afinal, eles disputaram e ganharam uma eleição. O problema é com os habitués que nem isso fazem. Bruno Fernandes a sensibilidade política é inversamente proporcional ao tempo de carreira política pelos motivos expostos acima. E, hoje, surge nova informação: aquela penitenciária foi concessionada e é administrada por empresa privada. Ou seja, o governo também pode reclamar legalmente dos serviços prestados

Julian Yared Mas mestre, não poderia olhar de alguma maneira que o dinheiro gasto em coquetéis poderia ser investido na educação? Então vem o paradoxo que educação vem de casa. Mas os indivíduos que se desviam da sociedade geram um filho, este filho está fadado ao mesmo "resultado" dos pais? Pois a educação vem de casa.


Emerson Urizzi Cervi Então Julian Yared você está falando de um paradoxo maior ainda. Se educação vem de casa, mais investimento em educação formal/escolas teria efeito baixo ou nulo na mudança de comportamento. O fato é que as coisas não são tão simples assim. Não podemos aceitar que todo mundo considere normal determinados "mimos" feitos pelo Poder Público a determinadas camadas da sociedade brasileira. Há quem, inclusive, critique isso. Mas, infelizmente, apenas a crítica não basta. Se bastasse, nossos presídios não seriam as masmorras que são, pois há muita crítica interna e externa ao sistema penitenciário brasileiro.