domingo, 27 de abril de 2014

1974: Revolução dos Cravos em Portugal

Pouco após a meia-noite de 25 de abril de 1974 começou a soar na emissora católica de Lisboa a música até então proibida "Grândola, Vila Morena". Era o sinal combinado para o início do levante militar em Portugal.

Antes da revolução, era rara em Portugal a família que não tivesse alguém combatendo nas guerras das colônias na África, o serviço militar durava quatro anos, opiniões contra o regime e contra a guerra eram severamente reprimidas pela censura e pela polícia.
Antes de abril de 1974, os partidos e movimentos políticos estavam proibidos, as prisões políticas estavam cheias, os líderes oposicionistas estavam exilados, os sindicatos eram fortemente controlados, a greve era proibida, as demissões fáceis e a vida cultural estritamente vigiada.
A liberdade em Portugal começou com a transmissão, pelo rádio, de uma música até então proibida. Os cravos enfiados pela população nas espingardas dos soldados acabaram virando o símbolo da revolução, que encerrou, ao mesmo tempo, 48 anos de ditadura fascista e 13 anos de guerra nas colônias africanas.
Em apenas algumas horas, as Forças Armadas ocuparam locais estratégicos em todo o país. Ao clarear, multidões já cercavam as emissoras de rádio à espera de notícias. A operação, calculada minuciosamente, havia pego o regime de surpresa. Acuado pelo povo e pelos militares, o sucessor de Salazar, Marcelo Caetano, transmitiu sua renúncia por telefone ao líder dos golpistas, general António de Spínola.
Transportado de tanque ao aeroporto de Lisboa, Caetano embarcou para o exílio no Brasil. Em quase 18 horas, havia sido derrubada a mais antiga ditadura fascista no mundo.
Não houve acerto de contas
Artistas, políticos e desertores começaram a retornar do exílio. As colônias receberam a independência. A caça às bruxas aos responsáveis pela ditadura acabou não acontecendo, e as dívidas do governo anterior foram todas pagas. Os únicos a oferecer resistência foram os agentes da polícia política. Três pessoas morreram no conflito pela tomada de seu quartel-general.
Ao voltar do exílio em Paris, Mário Soares, o dissidente mais popular do governo Salazar, foi recebido por milhares de pessoas na estação ferroviária de Lisboa. Cravos vermelhos foram jogados de helicóptero sobre a cidade e só se ouvia a famosa canção Grândola, vila morena, que já havia se tornado o hino da revolução.
Em 1974, Portugal era um país atrasado, isolado na comunidade internacional, embora fizesse parte da ONU e da Otan. Era o último país europeu a manter colônias e vinha travando uma longa guerra contra a independência de Angola, Moçambique e Guiné. O regime de Salazar, iniciado em 1926, havia conseguido manter-se através da repressão e fora tolerado pelos países vencedores da Segunda Guerra Mundial.
Golpe militar vira festa revolucionária
Em 1º de maio, a esquerda, fortemente engajada, mostrou sua força em Lisboa, enquanto trabalhadores rurais do Alentejo expulsavam latifundiários e banqueiros eram desapropriados.
A esquerda europeia viu em Lisboa um palco ideal para os movimentos frustrados de 68. A pacata e católica população portuguesa, por seu lado, sentiu-se ignorada e, a partir do norte conservador, iniciou um movimento contra os extremistas.
Em 1975, aconteceu a dupla tentativa de golpe, da esquerda e da direita, contra o governo socialista, levando Portugal à beira da guerra civil. A ala militar extremista de esquerda obteve o domínio da situação em novembro de 1975. Após as eleições do ano seguinte, o general António Ramalho Eanes foi eleito presidente.
O Partido Socialista, com Mário Soares, assumiu um governo minoritário. A crise econômica o levou à renúncia em 1978. Entre 1979 e 1980, o país teve cinco primeiros-ministros. Em 1985, o governo foi assumido por Aníbal Cavaco Silva e Mário Soares tornou-se presidente no ano seguinte. Em 1986, Portugal ingressou na então Comunidade Econômica Europeia, hoje União Europeia.

·         Autoria Barbara Fischer (rw)
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1904: Começa a revolta dos hereros

Em 2 de janeiro de 1904 estourou uma revolta do povo banto dos hereros contra os colonizadores alemães na então África do Sudoeste, atual Namíbia. A resposta alemã foi o genocídio.



A revolta surpreendeu os alemães na África do Sudoeste. Durante 20 anos, eles tinham expandido o seu domínio na atual Namíbia usando a tática de alimentar as rivalidades entre os povos inimigos dos nama e herero. Mas, desta vez, eles próprios foram as vítimas. Os revoltosos, liderados pelo cacique Samuel Maharero, matavam todo alemão que pudesse portar uma arma.
Os hereros viviam basicamente da pecuária. Passo a passo, o orgulhoso povo de pastores perdeu seus campos para os colonizadores alemães. Às vezes, na base de negociações, mas freqüentemente também por meio de falcatruas e violência.
Resistência à dominação
A situação chegou a um ponto em que o cacique dos hereros, Samuel Maharero, conclamou seu povo e outras tribos a resistirem à dominação alemã.
Numa carta ao líder nama Hendrik Witbooi, ele escreveu: "Toda a nossa subserviência e paciência em relação aos alemães não nos trouxe vantagens. Por isso, faço um apelo, meu irmão, para que participes da nossa revolta, de modo a toda a África levantar suas armas contra os alemães."
Reação violenta
Porém, esse sonho de Maharero não se tornou realidade. Os nama ficaram na expectativa, enquanto o Império Alemão reagiu com extrema brutalidade. O imperador Guilherme 2º mandou tropas comandadas pelo general Lothar von Trotha à África do Sudoeste.
Em carta ao governador da colônia, Theodor von Leutwein, ele anunciou uma violenta repressão: "Conheço muitas tribos africanas… Terror, violência brutal. Essa é a minha política", escreveu.
A 11 de agosto, von Trotha cercou os hereros na decisiva batalha de Waterberg, cerca de 400 quilômetros ao norte de Windhoek. O general alemão organizou suas tropas de forma a que os hereros só podiam romper o cerco num determinado ponto, para fugir rumo ao deserto de Omaheke. Ainda assim foram perseguidos pelos alemães, segundo relatou o comando do exército imperial.
"Ordem de extermínio"
Somente alguns poucos fugitivos conseguiram escapar para o território britânico de Betshuana. Outros tentaram romper a barreira militar alemã e voltar aos seus povoados de origem. Mas von Trotha foi implacável. A 2 de outubro de 1904, baixou uma proclamação que entraria para a história como uma "ordem de extermínio".
Esse ato de barbárie foi demais até para o governo alemão em Berlim. O chanceler imperial Bernhard von Bülow interveio junto ao imperador, argumentando que os hereros eram mão-de-obra indispensável para as fazendas e minas da África do Sudoeste e, por isso, deveriam ser poupados. Guilherme 2º ainda hesitou quase duas semanas até revogar a ordem de extermínio e exigir que von Trotha aceitasse a capitulação dos hereros.
Para a maioria dos rebeldes, porém, essa decisão veio tarde demais. Apenas cerca 15 mil de um total de 80 mil hereros escaparam do genocídio. O domínio alemão ainda persistiu por mais uma década.
Sob os auspícios sul-africanos
Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, a atual Namíbia foi ocupada pela África do Sul, na época colônia britânica. Em 1920, a Liga das Nações deu à África do Sul um mandato para administrar o território, situação que perdurou até o final da década de 80.
A luta pela libertação eclodiu em 1966, com o início das guerrilhas praticadas pela Organização dos Povos do Sudoeste da África (Swapo), de linha marxista. A Namíbia, no entanto, só se tornaria um país independente em 21 de março de 1990.

·         Autoria Carsten von Nahmen (gh)
·         Assuntos relacionados Primeira Guerra Mundial
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014



Penso que existem diferentes violências oriundas de diversos lugares na sociedade, mas me parece que todas elas se unificam a partir de um lugar: o Estado brasileiro. Seja pela presença seja pela ausência, o Estado brasileiro é fonte/incentivo à violência. Quando ausente, cria uma estrutura de oportunidades para que a barbárie entranhada na sociedade brasileira se manifeste, como no caso do garoto amarrado ao poste; quando se faz presente, humilha a população pela ineficiência ou pela repressão. Na minha opinião, o problema da reforma do Estado brasileiro, para além da bobagem do Estado mínimo ou da antinomia infrutífera entre empresas estatais ou privadas, é o tema ausente mais importante da agenda política no Brasil. Reforma no sentido de, por um lado, recapacitá-lo a ser coordenador de ação coletiva e implementador de um projeto de longo prazo que transcenda o curto prazo das eleições e, por outro, no sentido de republicanizá-lo, de colocá-lo a serviço da população e não contra ela. Mas para isso, seria preciso um pacto entre lideranças políticas e forças socioeconômicas em nome de um projeto de longo prazo. Quem seria capaz de encaminhar isso?

Renato Perissinotto

Não é por falta de leis que criminosos ficam impunes no Brasil. Qualquer estudante de primeiro ano de Direito sabe apontar exatamente em quais leis, artigos, parágrafos e alíneas enquadrar, por exemplo, o assassino do cinegrafista Santiago Andrade ou os mascarados que incendiaram um fusca em São Paulo. Como sabe, igualmente, dizer os delitos dos policiais que torturaram, mataram e desapareceram com Amarildo, dos políticos que traficam drogas ou dos juízes que passeiam pela Europa custeados pelo dinheiro público.

Defender uma lei “antiterrorista” nada mais é do que fazer média com aqueles que sempre pedem mais repressão, abrir as portas para uma intensificação da violência policial e alimentar a suspeição sobre qualquer legítima manifestação popular. É lamentável o esforço que alguns dos nossos fazem para ficar parecidos com aqueles que sempre combateram.

Roberto Elias Salomão

domingo, 26 de janeiro de 2014

'' As equações não explodem'' disse o Herr Einstein; e eu acredito que as economias também, se fossem menos financistas, e sim mais equacionadas, as equações são lindas! não precisam de fissões! além das que podemos conhecer nos papéis; as economias não explodem, quando mais ensolaradas e mais ventadas.

ts
essas atuais barcas modernosas que fazem a travessia rio-niterói se vê tudo, menos o mar. o rio de janeiro virou uma puta de gringo para os gozos globais dos bancos, do cesar maLa, cabralóide, e uns e outros que ja deviam ter nascido mortos, uns tais roberto marinho, brizola e oscar niemayer, e pior que essas porras nefastas viveram mais do que deus. isto aqui é uma tristeza para qualquer um que sente e pensa com devida profundidade,

black blocs, rogai por nós.

Tulio Stef  Sartini

sábado, 11 de janeiro de 2014

Distanciamento ,objetividade e reflexão na rede de relacionamento

"Para um homem de bem, a indiferença pode ser uma religião". Tchekhov.

Renato Perissinotto é tanta gente apaixonada pelas próprias ideias aqui que fica difícil dialogar. Um pouco de indiferença e frieza ajudaria a ouvir o interlocutor; a ver as ideias do outros como elas realmente são. Na introdução de Rubens Figueiredo a "O assassinato e outras histórias", do Tchekhov, ele diz: "Tchekhov faz da indiferença um método crítico, uma estratégia literária para nos pôr em contato com as coisas tais como são".
Adriano Codato O Moravia tem um livro chamado Os indiferentes, que li no século passado. Fiquei com vontade de ver se é a mesma ideia.

André Duarte Tem também o Desprezo...

Maria Carolina Schaedler com "as coisas tais como são..."?

Renato Perissinotto até onde isso for possível, Maria Carolina Schaedler. O importante não é tanto o resultado final, mas a disposição inicial.

Maria Carolina Schaedler uma disposição para o contato com a diferença...

Renato Perissinotto sim e disposição também para duvidar de si mesmo.

Maria Carolina Schaedler duvidar de si mesmo pode ser inscrever a diferença em si mesmo

Marcos Lanna Contato cauteloso com a indiferença , Maria Carolina , etnocentrismo e egocentrismo controlado. Pois por mais que o egocentrismo irrite, Renato , especialmente nesse antro q é o fcb, ele é Inescapavel, Freud mesmo explica. Agora, a realidade do Tchecov difere tanto da nossa ! Lá o drama é mais interno , aqui somos mais preservados, espectadores de corpos dissecados e etc

Fernando Baptista Leite o "véio" Bourda fala em "manter-se sempre um pouco ingênuo" em qualquer assunto, como forma de garantir objetividade. Tipo um outsider curioso, que não toma nada por dado. É difícil, mas é libertador cultivar, na prática, esse negócio.


Classe Média,lumpemproletariado e lumpenburguesia

Claudio Daniel.....A classe média (ou, no jargão marxista, pequena burguesia) é o grupo social intermediário, situado entre a classe operária, que produz a riqueza, e a burguesia, que é a proprietária dos meios de produção. Pertencem à classe média os advogados, médicos, professores, jornalistas, gerentes, escritores, artistas e outros profissionais que não estão ligados diretamente à produção ou à administração da riqueza. Historicamente, sempre que há uma situação de crise revolucionária, parte da pequena burguesia se alia aos trabalhadores e assume a ideologia socialista e outra parte (majoritária) se alia aos patrões e assume a ideologia fascista.Claro: nascer na classe média não faz ninguém ser bom ou ruim, e sim as suas escolhas políticas e ideológicas. Karl Marx era pequeno burguês, Engels, filho de empresário, Lênin pertencia a um ramo da pequena nobreza arruinada, Fidel Castro era de família rica, Che Guevara pertenceu à classe média... mas todos eles foram revolucionários socialistas porque escolheram o lado da classe operária.

Carlos Laet de Souza... A classe média também pode ser definida como a classe auxiliar de Gramsci, sem a qual, a burguesia perderia os seus gerentes. São a noblesse de robe - a pequena nobreza que estruturava a burocracia da fase de acumulação de capital. E justamente por serem instruídos, têm mais facilidade para optar pela esquerda ou direita. Me parece que, pessoas individualistas que se fixam em construir suas vidas completamente alheias ao que acontece com seus semelhantes tendem a caminhar para a direita. Os mais idealistas, que se sentem parte de um destino comum de toda a humanidade e que não se satisfazem em enriquecer em meio a miséria de muitos, tendem para a esquerda. Vamos ver eu eu posso ajudar[sobre lumpemburguesia]. O pensamento de Marx dizia que a humanidade só se propunha a resolver os problemas que lhe eram postos, não que pudesse resolver todos. Tal ideia tem a ver com o prefácio da Introdução à Economia Política, quando dizia: uma formação social não desaparece antes de realizar toda a sua potencialidade e um novo modo de produção não surge antes que estejam presentes todas as condições materiais para a sua existência. Escrevi de memória e, portanto, as palavras guardam este conteúdo mas não são exatas nem na tradução para o português.Quanto ao lumpen proletariat, ele é constituído de segmentos da classe dominada que se desviaram. São criminosos e toda a sorte de gente que, por causa das condições sociais e econômicas em que vivem tornam-se marginais. Marx advertia que o lumpen não era revolucionário. Eles são inconscientes politicamente. Trata-se do que Robert Merton classificou, já no século XX, como o inovadores, ou seja, pessoas que comungam dos valores sociais mas não das formas institucionais para obtê-los. Amam a propriedade mas não a procuram pelos meios legais, mas pelo crime. Claramente, não são revolucionários. Este fenômeno, Merton denominava rebelião. Os rebeldes eram os que não concordavam com a ordem estabelecida e a queriam superar por meios não institucionais. Estes são revolucionários. Classes perigosas era forma como os conservadores do início do século XX e século XIX denominavam a classe trabalhadora como um todo, pois entendiam que seriam propensos ao crime. Possivelmente, Marx ou Engels usaram este conceito de uma forma evidentemente distinta.O que há de mais fantástico em Marx e Engels é que foram os cientistas sociais - em sentido amplo - que mais inovaram. Eles tinham um raciocínio profundo e que ultrapassava tudo que se pensava na época. Ninguém inovou tanto. A ideia da economia como motor da história foi revolucionária e mudou a concepção da história. No fundo, a escola dos Annales não fez mais do que substituir a concepção idealista pela economicista. Mas o que eu acho mais fantástico nos dois era a forma como eles pensavam mais de um século a frente. Sobre isto, peço licença para contar minha experiência pessoal. Quando eu estudava direito no Rio, li o Manifesto Comunista de 1848. Na época não concordei com o ponto de vista de acerca dos costumes sexuais, tais como virgindade etc. Na verdade, eu era um machista ignorante que ainda espelhava a concepção preconceituosa dos anos 70. Hoje eu penso como Marx e Engels, os primeiros feministas da história, puderam, em meados do século XIX, estarem tão mais avançados do que eu na década de 70 do século XX. E hoje, todos sabemos que eles estavam certos. A ideia de que a primeira propriedade privada foi a esposa é simplesmente genial e ultrapassa tudo que se pode esperar das mentes mais talentosas. Os dois estão séculos a nossa frente.


As lagostas por Roseana

Emerson Urizzi Cervi
Quero discordar de meus amigos  que estão relacionando a compra de lagostas por Roseana Sarney com o contínuo massacre anunciado nos presídios do Maranhão. Como se diz lá no norte do Paraná, não há nenhuma relação entre as duas coisas. Nem mesmo no que diz respeito à ausência de bom senso da equipe de governo da Roseana. Isso acontece em todos os governos estaduais, sem exceção. E não é em todos os Estados que facções criminosas transformaram presídios em "terra sem lei". Acho que a melhor comparação seria entre a compra de lagostas por Roseana e o pedido de Michele Obama para que os convidados cheguem às recepções alimentados. Ou seja, no Brasil os "habitués" esperam receber do Estado um tratamento classe A, incluindo "comes e bebes" de primeira pagos com dinheiro público. Enquanto a primeira dama norte-americana passa o recado: "quer comer bem, pague com o seu dinheiro". Essa é a comparação que deveria ser feita, pois os "habitués" das recepções palacianas não são os mesmos que superpovoam os presídios. Nem aqui, nem lá. O dia que os frequentadores de palácios brasileiros pararem que esperar tudo do Estado, inclusive lagostas, avançaremos. Só nesse dia...

Renato Perissinotto A compra da lagosta naquelas circunstâncias não é causa imediata de nada, mas é sim a desfaçatez das autoridades brasileiras elevada ao paroxismo. Nesse sentido, é causa distante (talvez nem tão distante assim) de várias outras coisas.

Emerson Urizzi Cervi sim Renato Perissinotto, é causa distante de uma série de coisas, mas muito distante de relacionar um sistema penitenciário em crise crônica com um item de uma lista de produtos para compra/licitação. Com certeza está mais próximo da desfaçatez como as pessoas que têm acesso aos palácios tratam o dinheiro público do que da desfaçatez de como as autoridades tratam o sistema prisional.

Renato Perissinotto acho que são coisas inseparáveis: no Brasil, a percepção de que o Estado deve atender apenas a alguns é irmã da percepção de que preso é lixo.

Emerson Urizzi Cervi . Renato Perissinotto, concordamos nesse ponto. Acho que nossa discordância está no foco. Parece que você responsabiliza os gestores diretos do Estado pelas decisões, enquanto eu coloco na conta da sociedade que cobra determinado tipo de tratamento - com dinheiro público, sempre - para uns, diferente do tratamento dado a outros.

Renato Perissinotto então não discordamos em nada, pois é evidente que tanto a percepção de que alguns merecem tratamento especial pelo Estado como a percepção de que preso é lixo são amplamente partilhadas por grande parte da sociedade. Eu só quis chamar a atenção aqui para o fato de que, neste caso, uma lagosta e bem mais do que uma lagosta e que a desfaçatez da governadora do Maranhão está umbilicalmente ligada à sua política penitenciária. São duas visões de mundo inseparáveis.Por fim, um último comentário: é verdade que não é em todos os Estados que as facções criminosas transformam presídios em terra sem lei (será?), mas é verdade que em todos os Estados as condições carcerárias são medievais.

Bruno Fernandes Meus caros professores Emerson e Renato, concordo com tudo que disseram e tenho apenas uma questão: uma licitação destas em um momento como este não é uma grande falta de sensibilidade política? Acho que isto mostra a que o clã Sarney não precisa dar satisfações ao povo.

Emerson Urizzi Cervi Ruthinha Figueiredo acho que o problema nem é com os que se elegem, afinal, eles disputaram e ganharam uma eleição. O problema é com os habitués que nem isso fazem. Bruno Fernandes a sensibilidade política é inversamente proporcional ao tempo de carreira política pelos motivos expostos acima. E, hoje, surge nova informação: aquela penitenciária foi concessionada e é administrada por empresa privada. Ou seja, o governo também pode reclamar legalmente dos serviços prestados

Julian Yared Mas mestre, não poderia olhar de alguma maneira que o dinheiro gasto em coquetéis poderia ser investido na educação? Então vem o paradoxo que educação vem de casa. Mas os indivíduos que se desviam da sociedade geram um filho, este filho está fadado ao mesmo "resultado" dos pais? Pois a educação vem de casa.


Emerson Urizzi Cervi Então Julian Yared você está falando de um paradoxo maior ainda. Se educação vem de casa, mais investimento em educação formal/escolas teria efeito baixo ou nulo na mudança de comportamento. O fato é que as coisas não são tão simples assim. Não podemos aceitar que todo mundo considere normal determinados "mimos" feitos pelo Poder Público a determinadas camadas da sociedade brasileira. Há quem, inclusive, critique isso. Mas, infelizmente, apenas a crítica não basta. Se bastasse, nossos presídios não seriam as masmorras que são, pois há muita crítica interna e externa ao sistema penitenciário brasileiro.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

as jornadas de junho



Sérgio Braga
 Mind the gap: a jovem classe média progressista clama por mais Estado e por um Welfare State. A classe média conservadora demanda um "governo ético e republicado". O PT não atende a ambas as demandas na intensidade desejada e desse imbroglio aí pode surgir algo novo que não seja uma mera candidatura personalista agitando ambas as bandeiras. Mas acho que o governo Dilma retoma a iniciativa até as eleições e o PT continue a ser o maior partido no congresso e até aumente sua bancada embora, para desespero das forças conservadoras, com um certo crescimento das legendas mais à esquerda. Entendida desse jeito aí a tese da "crise de representatividade" faz até algum sentido.

Discussões anarquistas



 Tullio Sartini - não sou sectário, não uso par de antolhos; e o pensamento liberal da escola austríaca [o qual tenho minhas críticas] está (todavia) mais próximo do anarquismo do que o socialismo marxista.
William Chinelato Quando você fala em escola austríaca, a referência é Mises? Se for, discordo. Historicamente anarquismo e socialismo marxista estão mais próximos.
William Chinelato Só para enriquecer esta discussão e corroborar:

http://www.marxists.org/portugues/guerin/1973/11/06.htm
Anarquismo e Marxismo
www.marxists.org
Primeira Edição: Segundo uma fala feita em Nova Iorque em 6 de novembro de 1973....
William Chinelato Aliás, a tal escola austríaca que vem recebendo bastante atenção nos últimos tempos e em especial da direita raivosa, por tabela espaço na mídia, é bastante duvidosa para fazer criticas, ainda que o seu alvo primeiro seja o socialismo marxista, isso não significa que ela casa idéias com os pensamentos anarquistas clássicos de Bakunin ou Proudhon, aliás este ultimo fazia feroz ataque ao capital, visto como uma forma de dominação. Não é possível compactuar com este pensamento contraditório da escola austríaca usado hoje pelo IMB defendendo idéias de livre associação empresarial, mas criticando a associação dos trabalhadores (liberdade seletiva?). Impossível acreditar que a escola austríaca tenha alguma similaridade com o anarquismo clássico, quando defende com unhas e dentes o Capitalismo. O Anarquismo clássico fez criticas pertinentes ao socialismo marxista, mas não deixou de reconhecer os objetivos em comum. Já a duvidosa escola austríaca ao atacar o socialismo e defender o capitalismo, por tabela se distancia de princípios anarquistas clássicos. Contradição e apropriação indevida e conceitos libertários duvidosos.

Caio Bruno O que vejo é que as pessoas acima não entendem muito de ciência política, e muito menos de teorica econômica que formou as concepções teóricas dos citados autores. De qualquer jeito, como meu amigo é o Tullio, não cabe a mim, extender o assunto. Ele de fato tem razão no diz respeito a escola austríaca, discordo inclusive de algumas críticas que ele faz, tendo podido conversar sobre elas pessoalmente com ele. Em todo caso há coerencia nesta relação anarquismo proudinoniano e liberalismo, quando o próprio Von Mises e Hayek não querem o estado como meio regulador através de impostps e da fiscalização produtora e entendem por meios desburocratizados, a livre associação; diferem no anarquismo clássico sindicalista por uma concepção de dinâmica competitiva e autonomia absoluta da relação da produção e produtores. E mais a mamis, conforme o meu amigo Tullio diz...'' marxistas e antinortemaricanos, nem deveriam usar o facebook, pois esta rede somente foi possível através do contexto liberal capitalista'' que ele mesmo crítica, mas não condena, havendo clara diferença entre a crítica de um ideário e a condenação de um meio ou ideário que forma este meio.

Caio Bruno se vocês falam inglês, seria interessante ouvir esta entrevista.....http://www.youtube.com/watch?v=km0-La2gGt4

Bork and Hayek on so-called "Intellectuals"
www.youtube.com
A conversation between distinguished legal scholar Robert Bork and Nobel Prize w...Ver mais
Ontem às 00:18 · Curtir

Tullio Sartini -   Quanto a Proudhon , de quem modéstia às favas conheço bem o pensamento, ele era contra o capital por meio de propriedade improdutiva, todavia não ao direito de posse, e se leram a teoria proudhoniana sabem q ele discorre sua teoria a parir de um visão de desenvolvimento mutualista, - paulatinamente ele substitui a semântica ''anarquia'' por mutualismo, e é nisto que escola austríaca pode ter afinidade com o anarquismo social. Bakunin merece outro comentário, até porque o contexto dele é outro, e se desenvolverá por meios revolucionários. Enfim, eu disse:q não sou sectário, já citei aqui autores marxistas e neomarxistas , e sou profundamente antimarxista, e nem tão pouco aceito as concepções capitalistas de Von Mises, embora ele tenha uma máxima genial : "Não há nada de errado em dizer às pessoas que tributação é roubo, que regulamentação é transgressão, que leis antidrogas são agressão, que políticos são criminosos, e que o estado é uma monstruosa agência criminosa.", conquanto ele vai extender sua teoria de livre mercado pela competitividade, e se afasta do ideário anárquico da solidariedade;tornando uma contradição ao princípio básico do mutualismo q é a solidariedade; ele mesmo reconhece isso, colocando óbvias distinções entre liberalismo e o libertarismo proudhoniano. Friedrich Von Hayek já é uma outra conversa, pois ele é mais um economista, do que um teórico político; as idéias de Von Hayek apresentam sim concórdias com as teses de economia autônoma e autogestiva dos anarquistas, ele mesmo reconhece isso, aliás é clássica a polêmica dele tantos com os trabalhistas como o keynesianismo. Sim o anarquismo e o marxismo se encontram históricament primeiramente na comuna de Paris e daí sempre se desencontrarão, já Proudhon preconiza esse desencontro em o ''Sistema das Contradições Econômicas ou Filosofia da Miséria''; a famigerada revolução russa, será a esperança e a decepção de Kropotkin; e na revolução catalã terão um grande encontro, e várias dissensões,. Os anarquistas sempre chutaram os baldes e na idade moderna abriram caminhos para os grandes movimentos de massa,tendo sido muitas vezes (senão sempre) usados perfidamente pelos comunistas. Os autênticos anarquistas , jamais se renderam e se renderão ao estatismo e o autoritarismo que dele advem; daí é mais óbvio um processo que crie condições ao advento Acrata através do liberalismo do que através do socialismo de estado. Um anarquista é antes de tudo alguém que busca a autonomia em todos os sentidos ( inclusive a intelectual) nega a submissão verticalizadora, e socialmente é alguém que luta pela solidariedade e o desmantelamento da máquina estatal, a qual podemos também chamar de governo. Pessoalmente, eu, Tullio Sartini, gosto de acreditar na possibilidade de um processo no qual a dialética é o meio mais patente (a dialética racional e não uma pseudodialética maniqueista) por isso transito em difentes ideários e idéías, preferindo idéias do que ideologias, contudo, mantendo a minha postura, contra o Estado, contra o latifúndio, em suma contra a hierarquização centralizadora e institucionalizante do poder e seus monopólios, usados através do meios tributários e militares. são essas as minhas premissas, o resto pra mim é hermenêutica.


Tullio Sartini - sim, Caio eu afirmo o que  disse algumas vezes: marxistas e anti-estadunidenses não deveriam usar este bagulho, há uma diferença entre criticar e condenar, critico o modelo estadunidense, como critico (também) todos os paradigmas convencionalizaram a sociedade pós- industrial e a pós-modernidade, e porquanto não acredito em modelos fixos, .enfim to nem aí! sou do partido tô cagando e andando. ademais, no fundo no fundo, não sei se a espécie humana é digna de tanta preocupação, é muita complexa sim, contem variáveis e variantes infindas! muitas vezes sórdidas.  

Tullio Sartini -por fim, lhes digo, acho q alguem muito citado pelos marxistas, cujo o nome é Foucault, estaria de acordo comigo. em relação a Von Hayek...http://gambiarre.files.wordpress.com/.../foucault...

William Chinelato Também não pretendo estender esta discussão pois quando contamina-se uma discussão com a análise de interlocutores sem conhece-los e não de argumentos, corre-se riscos desnecessários. É uma linha tênue (para não fugir da razão) fazer criticas a um governo belicista e imperialista e que apesar do discurso "liberal", na prática faz opressão defendendo três pilares que anarquistas condenavam no século XIX: Capital, Estado e Igreja. A extensão disso (presente), para um sentimento anti-EUA generalizado infelizmente existe, mas ai já estamos entrando em fundamentalismos que não cabem aqui. O que se faz muitas vezes são criticas pontuais, afinal não existe exatidão nesse tipo de ciência (humanas), mas é possível recorrer a História para ver como ela acaba se repetindo. A unica coisa que discordo frontalmente é esta questão da utilização do meio "feicibuque"e outras tecnologias por marxistas, dando crédito a Chomsky:


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Pedágio do Paraná

Hoje temos novo aumento nas tarifas de pedágio do Paraná. É o aumento anual, previsto em contrato, que estabelece uma média entre quatro índices de inflação e o governo do Estado chama de reposição de custos. Ok! O cálculo é pela inflação. Tudo bem, mas tem uma coisa que não consigo entender: como podem aplicar a média de índices "cheios" de inflação para quando a origem de receita está em permanente ampliação? Deveria existir um deflator para o índice médio equivalente à proporção de aumento do tráfego no período. E, em anos com menor tráfego, o aumento deveria ficar acima da inflação, por óbvio. Mas não, aplicam a média da inflação anual e pronto. Com isso, as concessionárias têm ganhos reais todos os anos, ainda que apliquem apenas a inflação. Por exemplo: imagine que no primeiro ano de concessão foi registrada a média de 100 veículos por hora nas rodovias. Ao final desse ano aplicou-se a inflação do período como índice de reajuste. Ok! No ano seguinte foi registrada uma média de 110 veículos por hora e a inflação do período foi de 5%. Se aplicarmos todos os 5%, estaremos desconsiderando que houve 10% a mais de veículos que pagaram pedágio naquele ano, o que resultaria em dupla reposição - a da inflação e o do aumento do número de pagamentos nas praças de pedágio. O correto, parece-me, seria considerar que o crescimento de 10% de veículos naquele ano deve ser "retirado" do índice "cheio" da reposição. Assim, ao invés dos 5% da inflação, o reajuste seria de 4,5%. Porém, parece que não é isso que acontece. Todos os anos temos aumentos significativos de tráfego nas rodovias, as concessionárias fazem basicamente a manutenção (a ampliação da infra-estrutura não acompanha as necessidades geradas pelo aumento no tráfego) e desconsideram que mais veículos significam mais receita para o sistema. Cobram a reposição da inflação como se o número de veículos em 2013 nas nossas rodovias fosse o mesmo de 1996, quando o sistema começou a operar. Olha, se calcularmos o acumulado dessa diferença nos quase 20 anos de concessão, chegaremos a uma pequena fortuna que os usuários pagaram "a mais". Porém, o incrível mesmo é que o Governo do Estado diz contratar várias consultorias para analisar o sistema e parece que não conseguem ver o "óbvio ululante". Enfim, concluo que o problema definitivamente não é técnico. Mas, se eu estiver errado, por favor, fique à vontade para me corrigir.


Emerson Urizzi Cervi 

domingo, 6 de outubro de 2013

Bandeirantes , monumentos e índios

Ricardo Costa de Oliveira :Os bandeirantes também eram parcialmente índios, que criaram e fundaram Curitiba. Foram os nossos primeiros povoadores, com os nossos mesmos sobrenomes. Eram guerreiros da nossa raça e língua, como diriam os antigos códices. O que é hoje São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso somente são territórios brasileiros porque foram conquistados, criados e fundados pelos bandeirantes. Sem os bandeirantes as mulheres da nossa comunidade teriam recebido, dos índios e inimigos castelhanos do outro lado da fronteira, o mesmo destino recebido pela família de Ana Terra, personagem de O Tempo e o Vento. Vá e veja !

Marcos Araujo: Isto tudo que o Ricardo Costa de Oliveira falou é verdade. Eles conquistaram o Brasil e criaram ele. O seu heroísmo colonizador é bastante conhecido. O monumento de Brecheret aponta para isso, mas também não devemos esquecer que eles tinham um objetivo somente no seculos XVI e XVII, o sangue indígena.@estupro, morte, escravidão, maldade e perversidade eram a tônica. Alguém vai dizer que os homens eram assim! E é verdade. Ms não somos mais! Então esta é uma contradição da nossa sociedade. Sabemos que nossos pais agiram errado, mataram e tudo mais, mas eram nossos pais! Sugiro que se construa um monumento à resistência indígena na frente do atual e que ninguém suje o monumento!

Ricardo Costa de Oliveira :O povo brasileiro é o descendente dos bandeirantes, dos índios e dos africanos das grandes bandeiras ! Descendemos de todos esses grupos ao mesmo tempo, basta uma análise genética básica de qualquer brasileiro genérico. Eu e mais dezenas e dezenas de milhões de brasileiros contemporâneos ! E o Patriarca Fundador dos Bandeirantes foi o Grande Cacique Tupi Tibiriçá ! Espero que nenhum tipo ignorante e mal educado da sua própria história e genealogia vá depredar a cripta histórica do mítico antepassado índio de milhões de brasileiros descendentes dos bandeirantes aqui ! Túmulo de Tibiriça - Cripta da Catedral da Sé: http://www.flickr.com/photos/23224600@N07/2224873498/

Análise de conjuntura

" Dilma tende a vencer porque a oposição só apresenta nomes e propostas bem piores do que a atual média governamental. O PSDB confirma a sua vocação neoliberal e oligárquica com um Aécio Neves. Eduardo Campos apoiava o governo Dilma e o PT até o mês passado e tal como Aécio é o resultado da reprodução da classe dominante via o tradicional nepotismo familiar de avô para neto. Campos dificilmente empolgará nacionalmente muito além do seu fraco partido, agora rachado com a saída dos vizinhos cearenses da família Gomes. Marina não decolou além da sua restrita base de evangélicos e ambientalistas, mesmo turbinada pela mídia na eleição passada, não teve a capacidade de criar mais uma legenda de aluguel para tentar imitar um Collor no PRN ou um Jânio no PTN. Joaquim Barbosa, tal como Marina, outra cria direta de Lula, parece estar cada vez mais afastado pelas suas contradições e perseguições aos jornalistas. Barbosa parece estar mais adequado ao apartamento dele em Miami do que ao Palácio do Planalto.
O governo de Dilma segue na média (diriam os otimistas que é a norma política real possível na velocidade de cruzeiro da coalizão majoritária e os pessimistas diriam que é a continuidade da tradicional mediocridade política de Brasília). A corrupção não é diferente dos outros períodos nos últimos 500 anos, bem como a desigualdade social estrutural persiste, mas até caiu substancialmente um pouco nos últimos 10 anos. A economia cresce positivamente, cresce mais do que no ano passado, devendo o PIB crescer um pouco abaixo de 3% em 2013, um resultado razoável para um ano de crise mundial. O emprego está bom e continua crescendo, houve um grande aumento no número de trabalhadores com novas carteiras de trabalho. Os dissídios, as greves e a grande maioria das convenções conseguiram salários elevados acima da inflação, mas ainda considerados internacionalmente baixos, porém os mais altos nos últimos 50 anos no país. A indústria automotiva cresce, o Brasil ultrapassou a Alemanha e agora passa a ser o quarto país que mais vende carros no mundo. A política social e a bolsa família compensam um pouquinho os privilégios da bolsa-ricos dos juros. O governo tem boa avaliação entre os mais pobres e que precisam de muito mais políticas sociais. A infraestrutura segue enrolada, o que também não é novidade ou exclusividade do atual período e precisa ser melhorada. A saúde motiva o popular programa de mais médicos importados, os indicadores sociais de saúde melhoraram nos últimos 10 anos, mas são necessários mais investimentos e muitas outras políticas na área. A educação segue na média, algumas novidades na criação de mais instituições federais, mas continuam longas greves, como a dos professores das federais e de redes estaduais e municipais mais politizadas. A ilusória política de cotas não conseguiu esconder o fato do aumento do número de analfabetos, ainda que causado pelo aumento da expectativa de vida e da longevidade dos idosos nordestinos pobres.
As manifestações de junho foram muito mais um protesto de segmentos insatisfeitos com temas genéricos do que uma expressão política somente dirigida contra a então alta popularidade artificial de Dilma no começo do ano. Três forças motrizes organizadas e absolutamente incompatíveis entre si procuraram se aproveitar das manifestações espontâneas: A extrema-esquerda, a direita e a mídia-manipuladora-partido-de-oposição. Após mais de dez anos de análises de conjuntura equivocadas e de derrotas políticas em comum, o desespero dos três grupos convergiu e procuraram passar a falsa impressão de um país instável e em crise, tentando derrubar a ordem vigente da coalizão Lulo-Dilmista. Por mais que tentem inventar uma imaginária e terrível crise existencial, moral, política, social e econômica, a realidade é bem outra. Dilma, o PT e os seus aliados e simpatizantes seguram bem pelo menos 40% do eleitorado e permanecem regularmente na frente como favoritos à reeleição, o que os coloca com a força hegemônica mais viável na corrida presidencial de 2014.
Dilma e o PT deveriam aproveitar os protestos para avançarem nacionalmente na política do transporte coletivo urbano, encamparem e estatizarem o sistema coletivo de transportes urbanos das poucas famílias privadas empresariais do setor, criarem metrôs no sistema chinês. Dilma e o PT devem pensar grande e com qualidade para investirem em um real projeto de ampliação da educação de qualidade pública e gratuita, muito além da fraquíssima e limitadíssima política de cotas, se quiserem reverter o aumento do analfabetismo e quiserem dar um salto nacional efetivo de qualidade na educação. Continuar avançando na criação e ampliação de políticas sociais urbanas e rurais. Uma política nacional de saneamento e a erradicação completa de trabalho infantil estão no horizonte das possibilidades. Políticas nacionais de segurança e direitos humanos para a ampliação da segurança pública. Outro poderoso neo aliado estratégico do governo federal é o agronegócio, o salvador da lavoura e das exportações nos últimos anos. A agricultura familiar e o agronegócio devem ser estimulados conjuntamente a colonizar novas áreas no Centro-Oeste e na Amazônia, implementando 500.000 pequenos agricultores e sem-terra no Pará, somente com a construção da nova rodovia PA-167 e com a construção das novas usinas hidrelétricas na Amazônia. Lembremos que os brasileiros são os descendentes diretos dos arrojados bandeirantes, negros e tupis, que realizaram a unificação política da placa Centro-Atlântico-Amazônica, a metade da América do Sul, ocupada bravamente pela nossa gente e língua. Os produtores rurais querem estabilidade, apoio à produção e distribuição de suas megassafras em expansão.
A maioria do eleitorado brasileiro tem a plena consciência que a vida melhorou nos últimos dez anos e que Dilma e o PT são os mais capacitados para continuarem a enfrentar os problemas para os próximos quatro anos. Com políticas ousadas e determinadas no transporte urbano coletivo, na educação, na ciência, na tecnologia, na infraestrutura e na agropecuária, um segundo governo 2015-2018 estará garantido com sucessos bem acima da média do período 2011-2014."

Ricardo Costa de Oliveira 


 

domingo, 22 de setembro de 2013

Síndrome de paralisia hiperativa

Sérgio Braga


 o fato político mais significativo da semana, no meu modesto entender, não foi um arroubo retórico, mas uma ausência: a de qualquer menção a "julgamento do mensalão" ou "indignação contra a corrupção endêmica" no programa de lançamento da candidatura Aécio Neves pelo PSDB, muitíssimo bem feito por sinal. Já vi politólogos dizerem que o candidato não tem condições sequer de chegar no segundo turno, o que acho um ledo e ivo engano como dizia o saudoso Ivan Lessa. Trata-se de dos um políticos mais talentosos que temos e que sabe onde quer chegar e como, e não um poste sem sal como José Serra e outros tucanos. Não deve de nenhuma maneira ser subestimado, como vi alguns politólogos mais eufóricos fazendo por aí, pelo menos antes de junho...

Romênia

Meio que não se fala mais no assunto, pelo menos entre os jovens. Ainda que uma amiga de facebook daquelas bandas, por conta de uma bulha com mineração de ouro, tenha postado um blog com um texto meio idiota, e com uma foto do casal Ceausescu durante o julgamento, na véspera de sua execução, o que provocou troca de ofensas até meio pesadas. De concreto, há a eterna rivalidade com os húngaros, que tem provocado alguma tensão no país, principalmente em regiões da Transilvânia de população magiar (eles fazem questão de diferenciar húngaros de magiares, que incluem romenos descendentes de húngaros e sículos, de boa população na região de Brasov), e pichações em várias cidades, mas principalmente na capital, com os dizeres "Bessarábia é Romênia", outro assunto espinhoso, já que a Bessarábia hoje é independente, é a atual República da Moldávia. Só tive oportunidade de falar de política com um parente da dona Vanna, aqui da livraria Leonardo da Vinci, que me recebeu no aeroporto e me convidou para jantar na casa dele. Como já tem uma certa idade, viveu os períodos Ceausescu e Gheorghiu-Dej; perguntei a ele se Ceausescu tinha matado muita gente, e o que me respondeu foi que até que não, não porque não quisesse, mas porque Gheorghiu-Dej já tinha matado todo mundo. Ceausescu era mais um bufão, assassino também, mas em muito menor escala do que Anna Pauker e Gheorghiu-Dej. Talvez porque não estivesse muito atento a isso, e porque as televisões dos hotéis só pegassem, de noticiário, redes mais sensacionalistas, que estavam mais preocupadas com aquele palhaço mafioso do Steaua Bucareste, que foi preso enquanto eu estava lá, não senti da parte dos romenos muito saudosismo, não. Pelo contrário, ainda têm muito ódio da Securitate, me apontavam cada prédio que tinha servido de escritório deles, e o edifício onde ficava o Quartel-General, perto do meu hotel. Acho que tirei uma foto do prédio. E uma curiosidade: a fortaleza medieval de Fagaras, que visitei, e onde tirei muitas fotos, no tempo do Gheorghiu-Dej, lá pelos anos 50, serviu de prisão e centro de torturas e lavagem cerebral. Isso depois que os dirigentes comunistas saquearam o castelo, levando ou destruindo peças históricas e obras de arte valiosíssimas. Reconstruíram o museu a duras penas, bem mais pobre e mobiliado com réplicas dos móveis originais. Visitei e fotografei o museu, a fortaleza e a torre medieval onde funcionavam as celas dos prisioneiros dos comunistas. Segundo o parente da dona Vanna, os romenos nunca foram comunistas, como um todo, é claro, consideravam os soviéticos invasores, daí a polícia secreta comunista mais temida ter sido a Securitate, cujos agentes foram caçados pelas ruas durante a revolução de 89. Mas, por outro lado, sabe como é, era temida porque tinha agentes por toda a parte, principalmente nas instituições mais corruptas do país, como a Igreja Ortodoxa...
André Luis Moreira


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

 definiria o efeito poético como a capacidade que um texto oferece de continuar a gerar diferentes leituras, sem nunca se consumir de todo.

- Umberto Eco
 

DEPOIS DO TRABALHO
A cabana e algumas árvores
pairam na névoa que sopra
 
Eu tiro sua blusa
e aqueço minhas mãos frias
nos seus seios
você ri e estremece
descascando alho junto ao
calor do fogão.
recolho o machado, o ancinho,
a lenha
 
nos encostaremos na parede
um contra o outro
um guisado cozinha devagar no fogo
enquanto anoitece
bebendo vinho.
 

Gary Snyder.

A Cor do Invisível

Ah! Os relógios
Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológicos...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de Poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...
- Mario Quintana
[Todos homens sonham, mas, não da mesma forma. Os que sonham a noite, nos mais fundos recessos de suas mentes, despertam no amanhecer para descobrir que tudo não passava de vaidade. Mas os sonhadores do dia são homens perigosos, pois podem lutar por seus sonhos de olhos abertos e converte-los em realidade.]

 by T. E. Lawrence

Cat sottile



Morsi senza denti
E insegna orgasmi
Bocca piccola impedisce
Armeggiare nella figa
Arde nel mio
Attaccando momento felice
Mettere la salsa occhi
E quando si inizia
La dodge ancora un po '
Che muoiono per tutto il tempo.

Louis Aragon , de son vrai nom Louis Andrieux, est un poète, romancier et journaliste, né probablement[1] le 3 octobre 1897 à Neuilly-sur-Seine et mort le 24 décembre 1982 à Paris. Il est également connu pour son engagement et son soutien au Parti communiste français de 1930 jusqu'à sa mort. 

sábado, 1 de junho de 2013

 [O bom de não ser um gênio, é q você não precisa se esforçar pra ser normal.] by Josemar Vidal Jr.

domingo, 31 de março de 2013

Zweig e o Brasil



Zweig  idealizou as relações inter-raciais no Brasil (ler raízes do Brasil de Sergio Buarque de Holanda -a cordialidade que vela o preconceito insidioso sob a máscara )e foi útil a ideologia do Estado Novo( a criação da identidade nacional (a raça brasileira a partir da miscigenação das três etnias fundadora da brasilidade indígena, branca e negra -ver Casa Grande & Senzala de Gilberto Freyre )a partir da relação povo- Estado-líder( não existia um estado nacional antes de 1930,só formalmente posto que a elite eurocêntrica via o país a partir de suas fazendas de café , como sua propriedade onde não havia espaço pro povo mestiço, indígena ou negro , só como mão de obra.)Getúlio Vargas subsidiou as artes e a ciência no país com vistas a concretização e naturalização desse projeto de estado nação. Apesar de ditador (década de trinta )o regime autoritário cooptou vários artistas e estudiosos que embarcaram na idéia de traduzir o país aos brasileiros e aos estrangeiros.Uma leitura oficial e oficiosa de Brasil.Para isso sociólogos,politólogos,escritores mas sobretudo cineastas como Orson Welles e escritores como Zweig foram embaixadores desse Brasil dos sonhos.É claro que Zweig precisava acreditar que afinal o mundo não era o inferno que a Europa estava se transformando (para a cultura -iídiche por exemplo- para a vida dos judeus).Um paraíso era possível e estaria ele no Brasil (?)será que o suicídio de Estefan  e de sua esposa seriam a consciência de que a cordialidade era só um verniz e seu livro ,sim, era mais importante que sua condição de refugiado judeu?

Wilson Roberto Nogueira